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Como Cristina Kirchner ajudou a destruir o futebol argentino

Em busca de popularidade, o governo Kirchner estatizou o futebol. O resultado foi uma crise generalizada.

Um dia após a final da Copa do Mundo de 2014, a seleção Argentina, que perdeu a disputa para a Alemanha por 1×0, esteve em Buenos Aires para encontrar a presidente do país, Cristina Kirchner.

Na ocasião, Kirchner mencionou não ser lá muito fã de futebol, e mencionou não ter visto um jogo sequer da seleção. De fato, a presidente argentina recusou o convite da presidente brasileira Dilma Rousseff para ir ao Maracanã assistir a final, que contou com a presença da chancelar alemã Angela Merkel. Kirchner alegou estar com dor de garganta. 

Ainda que não assista aos jogos, Kirchner tem um papel crucial no esporte favorito dos argentinos. 

A Copa do Mundo no Brasil, assim como o próprio campeonato argentino, foi transmitido por canais de TV estatais.

A relação da então presidente com o futebol argentino começou em 2009, quando em Agosto daquele ano, a abertura do campeonato nacional foi adiado.

Os clubes estavam endividados, e o contrato de direitos de transmissão havia encerrado.

Até aquele momento, a transmissão do campeonato era realizado por uma empresa chamada TyC, ligada ao grupo Clarín, que pagava $78 milhões por ano para transmitir os jogos em canais fechados.

Diante deste cenário, o governo viu uma oportunidade. Decidiu comprar os direitos de transmissão dos jogos e transmiti-los em canais abertos de TV, estatais.

O governo Kirchner pagou ao menos $155 milhões de dólares pelos direitos de transmissão, fortalecendo a AFA, Associação de Futebol Argentino, a CBF do país.

Na prática, os direitos de transmissão eram vendidos pela entidade, que por sua vez repassava os recursos ao clube.

Foi o lançamento do programa “Futebol Para Todos”. Para os clubes, era um alívio momentâneo com a alta de receitas, para Cristina, uma forma de minar o grupo de mídia que fazia oposição ao seu governo.

Para comandar o programa, Cristina nomeou seu filho, Máximo Kirchner.

Partiu dele a pressão para que o programa de futebol estatal mantivesse apenas publicidade do governo, sem anúncios de empresas privadas.

O resultado da medida foi a assunção da totalidade dos custos pelo governo, sem qualquer receita que compensasse. 

Dono dos direitos de transmissão e bem quisto pela AFA, o governo passou a pressionar sobre a gestão do campeonato. 

Foi por ordem do governo que o campeonato argentino passou então a contar com 30 clubes. Tais clubes por sua vez passaram a contar com divisões igualitárias na receita.

Na prática, os 5 clubes considerados grandes na Argentina, como Boca e River, passaram a dividir sua receita igualmente com clubes menores.

A quantidade exagerada de recursos que a AFA passou a deter também colaborou para os problemas. A entidade passou a realizar empréstimos e antecipações aos clubes, o que por sua vez comprometeu as finanças no longo prazo. 

Sem a competição pelos direitos de transmissão, os clubes tornaram-se reféns do governo em garantir os valores. Em um momento de crise fiscal no país, como a vivida em 2014-2015, o cenário se complicou.

Mauricio Macri, que assumiu em 2016, não chegou a encerrar formalmente o programa, mas articulou a criação de uma nova liga privada, a Superliga Argentina de Futebol, SAF.

A SAF atuava de maneira paralelo a AFA, o que por sua vez enfraqueceu a entidade. Sem os recursos do governo e após o falecimento do seu presidente, a AFA não conseguia sequer organizar uma eleição. 

O novo presidente da entidade deveria ser escolhido por 75 votos, em uma eleição que acabou empatada em 38 a 38. Não se sabe exatamente quem votou duas vezes.

A decadência dos grandes clubes na Argentina também foi fortemente influenciada pelos controles cambiais. A taxa de câmbio irreal imposta pelo governo implica em enormes perdas aos clubes, que dependem de venda de jogadores para a Europa.

Não menos relevante estão as inúmeras acusações de desvio de dinheiro do programa. Uma auditoria recente descobriu um rombo de ao menos $20 milhões de dólares. 

Agora, em função da crise econômica, o governo volta novamente a interferir no futebol.

Os contratos feitos com jogadores, tradicionalmente firmados em dólar, precisam se dividir entre o dólar oficial e o paralelo. Se o jogador for receber em dólares na cotação do governo, isso implica receber 65% menos.

Já ao vender jogadores, os clubes podem pagar até 35% do valor em impostos e taxas para o governo e a AFA.

O resultado é uma saída constante de jogadores do país, e clubes que apelam até mesmo para transações em criptomoedas, fugindo da regulação cambial.

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