Artigo

Como a bolsa de valores trouxe o futebol para o Brasil


Por Felippe Hermes
novembro 19, 2021

[post-views]

Estrelas da bolsa em todo o século 19, as empresas ferroviárias foram parte de um processo de globalização incipiente que acabaria por espalhar não apenas infraestrutura, mas cultura por diversos países.

Foi em 9 de janeiro de 1897 que o governo federal concedeu à “Sociedade geral de caminhos de Ferro”, uma empresa belga, a ferrovia ligando Porto Alegre a Uruguaiana.

Criada pelo rei Belga em 1822, a empresa se tornou uma das maiores empreiteiras do mundo quando o assunto era construção ferroviária, expandindo-se para dezenas de países, em boa parte graças ao capital que aflorava nas bolsas de Amsterdam e Bruxelas.

Como qualquer outro empreendimento do tipo, os belgas ao receberem a concessão, levantaram recursos junto a investidores na bolsa. Foram 4,5 milhões de francos, suficiente para dar início as obras.

De posse do capital, os belgas deram início a uma campanha de contratação, que acabou por atrair centenas de trabalhadores para o Brasil, incluindo Johannes Christian Moritz Minneman, um alemão de 23 anos que se instalou em Rio Grande (RS), para trabalhar nas obras.

Foi de Johannes quem partiu a iniciativa de reunir os compatriotas em torno de um mesmo lazer: o football.

Sem campo para jogar, Johannes tomou emprestado um campo de propriedade da empresa, fundando assim o Sport Club Rio Grande, o clube mais antigo do Brasil em 19 de julho de 1900.

Dali a 23 dias, outro clube, desta vez em Campinas, nasceria pelas mãos de engenheiros e ferroviários da São Paulo Railway, companhia aberta fundada por Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá. Rio Grande e Ponto Preta disputam ainda hoje o título de clube mais antigo do país.

Da São Paulo Railway, e das andanças de Mauá pela Europa, também saíram os engenheiros como John Miller, o escocês e aí de Charles William Miller, ou só Charles Miller, que viria a ser conhecido como pai do futebol no Brasil.

O paulistano, membro da elite da capital, aprenderia sobre o futebol na sua educação na Inglaterra, e ainda que não tenha sido o primeiro de fato (há relatos de outras partidas décadas antes), se tornou o mais famoso, em boa parte pois se tratava de um membro da elite, logo com maiores registros históricos.

A expansão ferroviária no Brasil, fruto de nosso primeiro surto capitalista, começaria após 1850, quando a Lei Eusébio de Queiroz, proibiu o tráfico negreiro, fazendo com que boa parte dos recursos antes destinados a escravidão, agora pudessem ser investidos em outras áreas.

Mauá foi um exímio coordenador dessa mudança de rumos do país, criando a primeira ferrovia brasileira, além de outras tantas, e atraindo pro país o capital estrangeiro (além de ajudar a fomentar a incipiente bolsa de valores do Rio de Janeiro).

Dos empreendimentos ferroviários nasceram mais de 100 clubes no Brasil.

Por se tratarem de empreendimentos colossais, as empresas ferroviárias dominaram as bolsas de valores por décadas, e nos mais diversos países.

Construir uma estrada de ferro requer além de uma enorme quantidade de recursos, uma organização que permita o retorno ocorrer ao longo de anos.

Para um investidor individual, seria um risco absurdo de se correr, mas por meio da bolsa, é possível subdividir a estrada em inúmeras frações menores, diluindo o risco e garantindo o empreendimento.

O mesmo pode ser dito de outros tantos empreendimentos ao redor do planeta, que nasceram por conta desta coordenação entre empreendimentos e investidores.

Se a própria existência da bolsa se deve aos empreendimentos em navegação e busca de especiarias no oriente (como é o caso da bolsa de Amsterdam que nasceu para permitir a criação da VOC, a companhia das índias orientais), foi nas ferrovias que elas de fato se consolidaram.

O empreendimento no setor foi tão visceral quando o assunto era a bolsa de valores, que acabou por levar a sua própria verdão de bolha.

Entre 1844 e 1846, na Inglaterra, as ações de companhias ferroviárias tiveram um acréscimo de valor comparável a bolhas como a da internet, ou dos imóveis em 2008. Ao contrário das demais, porém, o período de fato levou a criação de ao menos 10 mil KMs de ferrovias (⅔ do total existente hoje no Reino Unido).

A expansão também permitiu que elementos culturais ingleses, belgas, franceses e holandeses se espalhassem ao redor do mundo neste período, incluindo aí o futebol, o esporte inventado por ingleses e nos quais eles ainda hoje detém apenas uma copa do mundo roubada. Já dizia o ditado: a bola pune.

cool good eh love2 cute confused notgood numb disgusting fail
Até o Fiat Marea valorizou mais que o Ibovespa 5 mitos do governo Lula que você sempre acreditou O quanto os primeiros investidores do Nubank lucraram As 5 NFTs mais bizarras já vendidas Petrobras vende refinaria e acaba com monopólio de 69 anos