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O gol agora custa R$90 mil, e isso é a ponta do iceberg de uma cadeia de erros


Por Hugo Montan
novembro 4, 2021

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No intervalo de 12 meses, um carro até poucos anos atrás considerado como “popular”, foi de R$60 mil reais para R$90 mil reais, e isso é só um sintoma de um problema muito maior. 

Volkswagen anunciou uma nova rodada de aumentos para seus dois carros mais baratos, o Gol e o Voyageos automóveis, que antes eram sinônimos de veículos populares e acessíveis, e agora já ultrapassam a marca de R$90 mil reais.

O fato do preço de produtos em geral aumentarem de alguns anos para cá já não é novidade para ninguém, a inflação chegou, não só motivada pela inevitável crise econômica pandêmica, mas também por diversos outros fatores que afetam a conjuntura econômica global. 

O núcleo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), já atinge os dois dígitos no acumulado de 12 meses, algo que não acontecia desde de 2016. Mas você provavelmente já percebeu que o aumento mostrado no jornal, de cerca de 10,25% com os dados de setembro, é bem maior no seu bolso.

O setor de alimentos, por exemplo, teve um aumento de mais de 21% desde o início da pandemia, e dependendo da sua região, o fato de produtos terem triplicado preço é normal. 

Mas esse fenômeno se torna ainda mais grave quando o setor é relacionado com a indústria tech, o que é o caso da indústria automobilística. 

De setembro de 2020 a setembro de 2021, os preços médios dos carros zero nos EUA aumentaram em média 12,1%, enquanto carros usados saltaram mais de 30%. Além da inflação proveniente do excesso de liquidez no sistema americano, esse aumento também tem sido gradativamente alimentado pela crise dos semicondutores que afeta todo mercado. 

O aumento, que afeta toda cadeia automotiva global, é ainda mais grave no Brasil devido a dois fatores: aumento do dólar e a matriz problemática da indústria automobilística brasileira. 

O dólar que teve um aumento de mais de 13% nos últimos 4 meses, influencia diretamente o preço que chega ao consumidor final, uma vez que boa parte dos materiais necessários para a fabricação do automóvel são correlacionados com o mercado internacional, que tem o dólar como moeda principal. 

Para melhorar a situação, commodities cotadas em dólar, como o ferro, apresentaram um aumento de quase 100% no intervalo de meses, atingindo o seu topo em junho, quando o minério de ferro chegou a ser cotado em $220 dólares. 

Mesmo que o preço tenha desabado com a crise imobiliária chinesa, que significava boa parte da demanda pelo minério, os resultados do aumento que se deu durante os últimos meses ainda se alastram por boa parte do mercado. 

Mas talvez, mesmo com os iminentes problemas resultantes das instabilidades políticas e fiscais que acabam depreciando a nossa moeda, o problema central ainda está diante dos nossos olhos, ou melhor, debaixo das tetas do governo. 

Não é de hoje que a indústria automobilística brasileira é um grande problema, isso vem de décadas e é fruto de políticas assistencialistas implementadas massivamente pelos governos. 

Em meados de janeiro deste ano, a Ford anunciou o fim da produção de automóveis no Brasil inflamando esse debate que já é levantado por figuras notórias como o economista Marcos Lisboa há anos. 

Para Lisboa, as montadoras formam o setor mais protegido da economia brasileira, e o fechamento de fábricas de automóveis no país, não deveria ser uma surpresa para todos. 

A política estimulante do setor que colheu incontáveis subsídios desde que desembarcou no país estava naturalmente fadada ao fracasso. Segundo o economista, o Brasil destinou recursos para o setor sem que o país detivesse a escala necessária para abrigar esse tipo de indústria, e ausentando o fato central necessário para o desenvolvimento desse tipo de empreendimento no país, uma cadeia completa. 

Para aumentar o discernimento, no Brasil os subsídios, dinheiro dado pelo governo às montadoras, saltou de R$1,7 bilhão em 2003 para R$5,4 bilhões em 2018.

Nos últimos 16 anos, a indústria que emprega 500 mil pessoas, recebeu da União benefícios no valor de R$53,4 bilhões. Apenas em 2018 a verba foi equivalente a 80% do gasto do ministério de ciência e tecnologia.

O resultado é simples e direto, supressão da oferta e aumento dos preços dos produtos, além do custo econômico e humano das massivas demissões ordenadas pelas multinacionais. 

Um carro como o gol, historicamente tido como um carro “popular”, agora custa R$90 mil, significando uma despesa inviável para famílias de classe média brasileira, que agora pagam a conta pelo mau manuseamento dos recursos públicos, auxiliado de um mercado majoritariamente fechado e com uma complexidade tributária/legislatória imensa. 

Fonte: tabelafipecarros.com.br

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