Estratégia Internacional, o curso da VEJA Negócios e da BlockTrends: 4 módulos para investir fora do Brasil. Inscrições abertas.
Finanças

Como a BYD se tornou a maior montadora de carros elétricos do mundo

A BYD vendeu 42.000 carros a mais do que sua rival americana, Tesla, no ano passado.

Como a BYD se tornou a maior montadora de carros elétricos do mundo

Wang Chuanfu cresceu órfão em uma das regiões mais pobres da China e agora é um dos homens mais ricos do país. Além disso, sua empresa, BYD, ultrapassou a Tesla em vendas globais de veículos elétricos (EV), e se tornou a maior montadora de EV do mundo.

Para dimensionar a ordem de grandeza, a BYD vendeu 42.000 carros a mais do que sua rival americana no ano passado. Contudo, antes de olhar o sucesso da empresa, é preciso entender de onde veio seu fundador. Chuanfu não foi filho de sul-africanos ricos. Ele é nascido em 1966 na província agrícola de Anhui, no leste da China.

Na realidade, foi criado por seus irmãos mais velhos após a morte de seus pais, que eram agricultores de arroz. Ele ganhou uma bolsa de estudos para estudar química na Universidade Central do Sul e depois obteve um mestrado em tecnologia de baterias no Instituto de Pesquisa Geral de Metais Não Ferrosos de Pequim.

Após alguns anos como pesquisador governamental, Chuanfu mudou-se para Shenzhen, um centro de inovação em expansão na época. Lá, aos 29 anos, ele e seu primo, Lu Xiangyang, fundaram uma empresa de fabricação de baterias para celulares chamada BYD. A empresa rapidamente dominou o mercado de baterias recarregáveis. Assim, atendendo clientes como Motorola, Nokia, Sony Ericsson e Samsung.

IPO da BYD

Não demorou muito até que, em 2002, a BYD entrou na bolsa de valores de Hong Kong. Na época, a empresa já era a maior produtora de baterias recarregáveis ​​da China. Portanto, foi em 2003 que a empresa entrou de cabeça no mundo da montagem de carros.

Neste ano, Chuanfu comprou a fabricante de carros estatal falida Tsinchuan Automobile e a renomeou para BYD Auto. Contudo, as ações despencaram. Wang viu na indústria automobilística uma possível saída para suas baterias.

Estratégia Internacional, o curso da VEJA Negócios e da BlockTrends: 4 módulos para investir fora do Brasil. Inscrições abertas.

Mas os acionistas discordaram, especialmente porque os planos não tinham sido divulgados no prospecto da empresa. O jogo seguiu, e em 2005, a BYD lançou o sedã F3, que se assemelhava ao Toyota Corolla e liderou as vendas na China no final da década. Tratou-se do primeiro modelo desenvolvido pela própria montadora, marcando uma era.

Em 2008, a Berkshire Hathaway,m De Warren Buffett, investiu US$ 232 milhões para adquirir 225 milhões de ações da BYD e pagou cerca de US$ 1 por cada papel. A pessoa que convenceu Buffet a investir na chinesa foi seu braço direito Charlie Munger, falecido ano passado.

Diferentemente do seu concorrente ao posto de homem mais rico da China, Jack Ma, Chuanfu manteve-se fora dos holofotes, algo bastante interessante.. Após um leve declínio nas vendas, a BYD voltou aos trilhos, ganhando contratos de transporte público em cidades chinesas e internacionais.

Rivalidade com a Tesla

Embora a Tesla de Elon Musk tenha zombado dos carros da BYD em uma entrevista de 2011, a BYD agora ultrapassou a montadora americana. Chuanfu vale US$ 14,8 bilhões, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg.

A BYD agora mira mercados fora da China, com planos de construir sua primeira fábrica europeia na Hungria. A empresa deseja uma participação de 10% no mercado global de EV, excluindo os EUA e a Europa. Por fim, a BYD diz ter grandes planos no Brasil. Nesse sentido, já anunciou que irá aumentar o investimento no país. A empresa de Chuanfu começou a instalar fábrica em Camaçari, na Bahia. A previsão é que a planta produza 150 mil carros por ano inicialmente.

Além do país tupiniquim, a BYD também está expandindo a produção no exterior com uma fábrica sendo construída na Tailândia. Em dezembro de 2023, a BYD também anunciou uma importante fábrica de veículos elétricos para passageiros na Hungria, permitindo à BYD aproveitar os subsídios na UE.

A França, por exemplo, acabou de acabar com os subsídios aos EV fabricados fora da Europa. Isso afeta a BYD, mas não a Tesla, que constrói o Modelo Y em Berlim. No entanto, isso impactaria o Modelo 3 fabricado na China.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

Estratégia Internacional, o curso da VEJA Negócios e da BlockTrends: 4 módulos para investir fora do Brasil. Inscrições abertas.
Compartilhar
Sobre o autor
Leonardo Rubinstein
Jornalista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Repórter, e autor do livro "2020: O Ano que Não Aconteceu". Escreve sobre criptoativos, tokenização, Web3 e blockchain, além de matérias na editoria de tecnologia, como inteligência artificial, Real Digital e temas semelhantes. Já cobriu eventos como Consensus, LabitConf, Criptorama e Satsconference.
Continue scrollando para a próxima matéria…