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Investimentos

Como a Americanas viu R$20 bilhões sumirem

Comandada por alguns dos maiores investidores brasileiros e investida de gigantes globais, a Americanas descobriu um rombo de R$20 bilhões em sua contabilidade.

Fundado em 1971 pelo então campeão brasileiro de tênis, Jorge Paulo Lemann, o Banco Garantia tornou-se uma referência no mercado financeiro brasileiro. 

Apelidado de “Goldman Sachs brasileiro”, em referência ao maior banco de investimentos do planeta, o Garantia foi inovador em inúmeros aspectos. 

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Seu modelo de partnership, que dava aos funcionários participação nos negócios, além de bônus em função de metas, se tornou regra no mercado. Nomes como Marcel Telles, que entrou no banco como office-boy e hoje figura como 4⁰ homem mais rico do país, são alguns dos expoentes mais conhecidos gastados nessa cultura do banco.

De fato, 4 dos 10 maiores bilionários do país, incluindo Lemann, o primeiro da lista, tem origem no banco.

Em outro ponto inovador, o Garantia tornou-se em 1983 o primeiro banco brasileiro a adquirir o controle de uma empresa não-financeira e gerir seus negócios. A empresa: as Lojas Americanas.

A “LAME”, passou a ser comandada diretamente por Carlos Alberto Sicupira, um dos nomes da 3G (ou 3 do Garantia, incluindo ainda Telles e Lemann). 

Sob seu comando, “Beto”, buscou inspiração em uma gigante global, o Walmart. De início, chegou a viajar para o Arkansas, passando algum tempo junto com Sam Walton, o fundador da maior rede de supermercados do mundo.

De volta ao Brasil, Beto instituiu o clássico “custos são como unha, tem de cortar sempre”. A rede tornou-se obcecada com cortes de custos e manter as margens, algo justificável no varejo, um setor onde de cada R$100 em vendas, pouco menos de R$3 se tornam lucro de fato.

Essa obsessão por custos se tornaria um mantra em todos os negócios do grupo. Conta-se que em 2008, quando a Inbev, a empresa nascida da fusão da brasileira Ambev com a belga Interbrew, decidiu comprar a fabricante da Budweiser, Jorge Paulo Lemann mandou devolver metade de seu escritório em São Paulo para economizar.

O motivo é relativamente simples. Os negócios do trio costumam operar em um modelo chamado de “Leverage Buy Out”, em suma, compram empresas que acreditam ser mal geridas pagando com dívida contraída junto aos bancos.

Este modelo funcionou bem durante décadas, graças a capacidade de gestão do trio, além das centenas de pessoas gestadas pela cultura do Garantia e da 3G. 

Executivos como Carlos Brito, que passou a presidir a AB Inbev, ganharam pacotes de US$1,3 bilhão mediante metas rígidas de controle de custos, margens operacionais e crescimento dos papéis. 

Foi este modelo bem sucedido que tornou o trio brasileiro reconhecido no mundo. Warren Buffett, o maior investidor do mundo, virou sócio da 3G em outras empreitadas, como a Heinz, além de ter colocado recursos também na compra do Burger King. 

Diante de todo este cenário, o ocorrido nas Americanas ganha um contorno sombrio.

A empresa não apenas conta com os 3 investidores mais bem sucedidos do país como referência, como também tem gigantes globais como Blackrock, a gestora de US$10 trilhões em ativos, a Vanguard (US$7 trilhões), e inúmeros outros atores relevantes do mercado.

O que a nota das Americanas deixa claro, e o que sabemos até o momento, é que a maneira como determinados custos eram contabilizados, foi mal organizada.

Como qualquer empresa, a Americanas adquire produtos de fornecedores em prazos de 60-120 dias. Mas ao invés de conferir o caderninho e conferir qual fornecedor terá de ser pago em qual data e ir tocando o negócio, a empresa realiza um contrato com um banco.

O banco então fica encarregado de pagar os fornecedores, muitas vezes no prazo estipulado pela própria empresa. Mas a Americanas possui agora apenas 1 divida, ao invés de dezenas de milhares.. 

Este tipo de operação é o chamado “risco sacado”.

Na prática, a Comissão de Valores Mobiliários, CVM, determina que a empresa deva colocar isso no balanço como dívida, tendo em vista que se trata de um recurso financeiro emprestado pelo banco e que deverá ser pago.

Algumas empresas, porém, discordam, tendo em vista que o prazo continua o mesmo e a finalidade também. É recurso para pagar fornecedor com base em receita futura de venda.

Essa confusão não está muito clara por parte da empresa até o momento. O que sabemos é que a Americanas alega ter encontrado inconsistências de R$20 bilhões.

Por inconsistências, podemos ler dívidas não registradas. 

Porém, não sabemos ainda se este valor é a soma de inúmeros anos de descasamento entre as linhas do balanço, como em uma “pedalada fiscal”, onde o governo se “esquecia” de pagar o banco, mas o banco pagava o valor (note que neste exemplo há lei que proíbe o governo de tomar crédito para pagar gastos, algo que não existe em empresas privadas). 

O que sabemos são os números.

A Americanas vale hoje R$11 bilhões em bolsa. Tem uma dívida de R$16 bilhões e R$8 bilhões em caixa. 

A empresa tem ainda R$47 bilhões em ativos, dos quais R$14 bilhões em Patrimônio Líquido. 

Os R$20 bilhões, portanto, superam o patrimônio líquido. Isso significaria dizer que caso a empresa tenha de compensar todo este valor de uma única vez, ela se veria com um passivo a descoberto de R$6 bilhões, ou seja, virtualmente quebrada. Na mesma nota, porém, a empresa alega que o efeito de caixa é “imaterial”, o que pode implicar que este impairment não necessariamente tenha de ocorrer.

O “virtualmente”, claro, pois há a possibilidade de um follow on, o processo no qual os sócios são chamados a colocar mais dinheiro na empresa, seja para cobrir um rombo ou para financiar a expansão.

Na prática, a empresa com os maiores investidores brasileiros, com atores globais de peso e auditada pela segunda maior empresa de auditoria do mundo, a PwC, está com um problema gigante.

Em outro ponto também relevante. A descoberta do caso ocorreu apenas 9 dias após Sergio Rial assumir como CEO da empresa. Rial substituiu Miguel Gutierrez, que comandou a empresa por 20 anos.

Na história do papel, porém, este não tipo de problema não é incomum. A Americanas foi pioneira no varejo eletrônico, tendo lançado o Submarino em 1997.

A empresa investe há mais de 2 décadas bilhões em recursos e energia para fazer decolar sua operação online. O caso já levou a inúmeras chamadas de capital, com os sócios aportando recursos em uma operação que nunca foi exatamente lucrativa.

A criação de subsidiárias como a AME, uma fintech, são tentativas quase desesperadas de criar linhas de receita que sejam lucrativas em um negócio de margens extremamente reduzidas. Note que a própria Amazon, a maior empresa de e-commerce do mundo, só tem lucro em outras áreas, como computação na nuvem.

Em 2021, a Lojas Americanas fundiu-se com a B2W, empresa na qual a Lame detinha 62% das ações (e que controla o Submarino). Na época as duas empresas valiam R$45 bilhões e R$49 bilhões respectivamente. Neste momento as duas juntas valem R$11 bilhões, apenas uma fração da soma das partes.

Na fusão, a companhia deixou de ser controlado pelo trio da 3G, se tornando mais pulverizada. Ainda assim, os 3 já se comprometeram a atuar diretamente em uma solução.

*Essa matéria deverá ser atualizada conforme mais detalhes forem expostos. 

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