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Economia

Argentina usa moeda chinesa para pagar US$2,7 bilhões ao FMI

O governo argentino anunciou na última sexta-feira o pagamento de US$2,7 bilhões ao FMI utilizando Yuans, obtidos junto a China.

Na sexta-feira, 30 de junho, a Argentina realizou um pagamento significativo ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O valor, que atingiu US$ 2,7 bilhões, foi confirmado pelo próprio FMI. Além disso, o Fundo informou que ainda estão em curso as negociações para um possível adiantamento dos desembolsos planejados até o final do ano, que totalizam uma parcela única de US$ 10,6 bilhões.

Sergio Massa, o Ministro da Economia e pré-candidato governista à presidência, foi quem ordenou o pagamento na noite de quinta-feira, 29 de junho. Anteriormente, ele havia expressado que um acordo com o FMI estava à vista.

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Devido ao fato de as reservas do Banco Central argentino estarem no negativo, o pagamento não utilizou dólares. Em vez disso, a Argentina optou por usar os Direitos Especiais de Saque (DGE), também conhecidos como a moeda do Fundo, e os yuans, acessíveis através do acordo de swap com a China.

Segundo fontes oficiais citadas pelo jornal “La Nación”, a Argentina pagou US$ 1,7 bilhão com DGE e o restante, US$ 1 bilhão, com yuans. Estes últimos serão devolvidos ao Banco Central chinês quando o FMI liberar o próximo desembolso do atual programa de crédito de US$ 44 bilhões.

Em uma nota divulgada, o FMI afirmou que as negociações continuam em meio a uma “situação desafiadora” para a economia. Nesse sentido, uma equipe econômica argentina viajará para os Estados Unidos na segunda-feira para dar continuidade às negociações.

Atualmente, o governo argentino busca que o FMI antecipe todos os desembolsos previstos até o fim do ano para uma única parcela de US$ 10,6 bilhões. Além disso, busca flexibilizar as metas econômicas acordadas em abril e obter permissão para usar parte do dinheiro do Fundo para intervir no mercado de câmbio.

Por fim, o mercado reagiu pagamento ao FMI com o dólar caindo para AR$493.

Reservas em dólar negativas

Segundo dados oficiais, reservas em dólares da Argentina estaria hoje em cerca de US$34 bilhões. O número per si já soaria preocupante, sobretudo por corresponder a apenas 5 meses de importações. Na prática, porém, a situação pode ser ainda pior.

Segundo dados da consultoria 1816, o número oficial divulgado pelo Banco Central da República Argentina, esconde alguns “truques”.

Primeiro, a consultoria aponta para a composição das reservas, que podem ser divididas em:

  • US$18,8 bilhões em uma linha de crédito com a China
  • US$11,5 bilhões em depósitos em dólar nas contas da população
  • US$ 4,9 bilhões em empréstimos de organismos internacionais
  • US$ 3,9 bilhões em ouro
  • US$1,9 bilhão em crédito junto ao FMI

Em outras palavras, reservas em dólares da Argentina não são propriamente dólares. Tratam-se primordialmente de outras moedas, como o Yuan, não podendo ser utilizados, portanto, para comprar produtos em dólar.

Somando apenas os valores em dólares e subtraindo os compromissos que o país terá de quitar este ano, o valor é outro. Segundo a 1816, o BRCA possui hoje “Menos US$1 bilhão” em reservas.

O valor negativo ocorre mesmo considerando que o governo de Alberto Fernández decida se apropriar de valores detidos pela população. Tal feito já ocorreu em meio a crise de 2002, quando uma conversão forçada trocou dólares por Pesos. Justamente por isso, os argentinos têm evitado manter dólares em suas contas.

Em 2019, quando o Peso ainda era cotado em 65 para 1 dólar (contra os atuais 470/1), os argentinos mantinham US$32 bilhões em contas no país. O temor de um corralito, o confisco de 2021, acelerou os saques.


Presença chinesa

Os líderes do BCRA, o Banco Central da Argentina, e do PBOC, o Banco Central chinês, confirmaram em janeiro na Suíça um acordo de swap cambial entre os dois países, que deve adicionar 35 bilhões de Yuans as reservas cambiais da Argentina, algo como US$5 bilhões. 

O valor faz parte de um programa ainda maior para facilitar o intercâmbio. Em suma, ambos os países devem garantir uma linha de trocas de 165 bilhões de Yuans, a moeda chinesa.

A China é atualmente o segundo maior importador da Argentina, atrás apenas do Brasil, e busca consolidar sua presença no país na medida em que a dependência Argentina de parceiros externos aumenta.

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