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Economia

O que diabos está acontecendo no Reino Unido

A nova primeira-ministra britânica tem um plano para salvar a economia. E este é o problema.

Fundada em 47dc pelos romanos sob o nome de Londinium, a Cidade de Londres consiste em uma área de 2,9km², restrita por muros e com uma população de 9721 habitantes.

Trata-se de uma área sede de 500 bancos, ou 1 para cada 19 habitantes, incluindo instituições como Barclays, Llyods e o BoE, o Banco da Inglaterra.

A despeito do nome, a Cidade de Londres sobrevive há mais de 1000 anos como uma região independente da cidade que a cerca, conhecida como Londres. 

Em resumo, a “City”, é uma cidade dentro de uma cidade (Londres), dentro de um país (Inglaterra), dentro de um reino (Reino Unido). A região, que possui governo independente, é responsável por ao menos $1,8 trilhão dos $3,8 trilhões diários que se negociam em Londres, o segundo centro financeiro mais poderoso do mundo.

Por lá são gerados ao menos $290 bilhões em PIB, o que, se fosse um país, faria da região o maior PIB per capita do planeta, ou módicos $30 milhões por habitante. 

E agora, ao que tudo indica, as decisões tomadas a cerca de 3,2Km dali, na Downing Street número 10 (a casa do primeiro-ministro), pode colocar em risco um dos últimos bastiões remanescentes do período em que Londres ditava os rumos globais.

A Libra, a moeda mais antiga do mundo em circulação, tem enfrentado seu pior resultado desde 1985, chegando a valer o mesmo que o dólar (contra 2 libras por 1 dólar em 2007).

O problema, claro, está no fato de a Libra ter perdido tamanha quantidade de valor em um período no qual o banco central americano criou dólares sem qualquer freio ou pudor.

Com uma dívida de 99,6% do PIB, o Reino Unido ainda está preso nas consequências da pandemia, quando sua dívida estava em 82% do PIB. Para piorar a situação, o país enfrenta agora uma inflação de 9,9% ao ano e uma alta sem precedentes no preço da energia.

Seria errado, porém, culpar a pandemia e suas consequências por uma decadência que já se arrasta há mais de uma década.

A instabilidade no setor elétrico, que foi escancarada pela alta no preço do gás natural, já podia ser vista antes mesmo de 2020. Em 2019, por exemplo, a geração de energia eólica respondia por 28% do total consumido no país. No início de 2020, a participação desabou para 7%. A diferença, claro, teve de ser coberta por fontes firmes, como gás natural.

O país se envolveu em uma forte instabilidade energética, da qual é improvável que saia tão cedo.

Agora, para contornar o problema, o governo de Liz Truss, espera realizar um pacote de ao menos 200 bilhões de libras, incluindo 45 bilhões em cortes de impostos e 150 bilhões para resgatar famílias e empresas.

O valor equivale a 1/10 da dívida do Reino Unido, ou 8% do PIB, a serem gastos em 4 anos.

O resultado é que a expectativa de maior endividamento tem levado a um aumento substancial nas taxas de juros pagas nos títulos mais longos, de 10 e 30 anos.

Em suma, o governo do Reino Unido aumentou seus gastos para ajudar as famílias e empresas em meio a pandemia, e agora, para lidar com as consequências da turbulência econômica, deve repetir a dose, aumentando ainda mais o endividamento do país.

Para tentar acalmar o mercado, o Banco da Inglaterra tem revertido seu programa de venda de títulos, voltando a comprar ativos e permitindo que fundos de pensão aliviem seus balanços. 

Na prática, os pagadores de impostos estão sendo chamados a socorrer fundos de pensão que detém títulos curtos, com juros menores e portanto menos valorizados.

A compra de títulos por parte do BoE, também alivia os juros nas novas dívidas criadas pelo governo. 

Para entender a linha do tempo do que o UK está planejando, é preciso acompanhar 3 pontos:

  • O governo inglês planeja se endividar para aliviar a situação de famílias e empresas.
  • Para evitar o aumento de juros graças ao endividamento, o Banco da Inglaterra prevê voltar a comprar títulos do governo.
  • O governo é responsável por dar garantias ao Banco da Inglaterra para o dinheiro criado e utilizado para comprar títulos públicos.

A grande questão, claro, é que todo este esquema onde o dinheiro é criado do nada, sem garantia alguma, e faz volta imensa para voltar ao mesmo lugar (o Tesouro do Reino Unido), é um esquema claro de quebra de confiança.

O plano de Liz Truss, caso não de resultados (algo provável), terminará com o Reino Unido ainda mais endividado, carregando uma posição que não consegue mais sustentar, pois ao contrário do dólar, a Libra não é mais uma moeda dominante no mundo, e o UK não tem como exportar inflação.

Com o Reino Unido aumentando seu endividamento e diminuindo os juros pagos sobre sua dívida, enquanto os EUA aumentam os juros pagos sobre sua dívida, a Libra seguirá derretendo.

E a exemplo do Brasil nos últimos anos, é bastante provável que a desvalorização da moeda inglesa (que já ultrapassa 20% no ano), vá aumentar a inflação. 

Serão necessárias mais libras para abastecer os consumidores britânicos, em um país com um déficit comercial de 8,3% do PIB.

Vendo pelo lado positivo, é possível esperar que o Brasil aumente sua exportação de café para sustentar os estagiários da City of London que precisarão trabalhar dobrado para manter o UK no jogo.

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