Blockchain

Tiago Reis e a síndrome de Michael Burry

Conhecido pelo combate a fraudes e pirâmides financeiras, Tiago Reis da Suno Research, agora começa a enxergar o mesmo no Bitcoin, demonstrando que a vontade de repetir uma tese é um problema grave, que leva a síndrome de Michael Burry.

Poucos nomes se tornaram tão conhecidos no mundo das finanças quanto Michael Burry, o gestor interpretado por Christian Bale em “A grande aposta”, o filme baseado no livro de mesmo nome escrito por Michael Lewis.

Figura excêntrica, Burry ficou conhecido por contrariar investidores impacientes e manter sua aposta de que algo estava errado no mercado imobiliário americano.

A despeito das ameaças de saque, e do custo elevado de sua aposta, Burry conseguiu manter seu short lucrando $800 milhões com o caso.

Ao longo da década seguinte, porém, Burry se manteve na mídia em boa parte graças aos seus novos “shorts”, ou apostas contrárias.

Burry apostou contra a Tesla, o Bitcoin e alertou para uma nova grande crise, a “mãe de todas as crises”.

Outros nomes, como Nouriel Roubini, também seguiram um caminho similar. Roubini inclusive ganharia o apelido de “Dr Doom”, ou “doutor apocalipse”.

Estejam certos ou não, fato é que é quase sempre tentador repetir a aposta, e em algumas vezes, este pode ser um sinal conflitante que lhe impeça de enxergar algo novo.

Por aqui no Brasil, um dos mais famosos analistas do país, Tiago Reis, da Suno Research, viralizou nesta semana ao alertar que quem mais ganharia dinheiro com o Bitcoin é justamente Satoshi Nakamoto, a figura oculta por detrás da criação do Bitcoin, e que segundo Tiago seria o “vendedor” do Bitcoin.

No vídeo abaixo, Tiago comenta que Satoshi e outros early adopters estariam “vendendo” o Bitcoin. Uma teoria simples, mas que esconde a própria tecnologia.

Sabemos que a carteira de Satoshi teve pouca ou nenhuma movimentação desde sua criação, pois trata-se de um dado público facilmente encontrado na Blockchain.

Da mesma maneira, o processo de mineração, que garante a segurança da rede, cria novos bitcoins. Também sabemos a quem pertence boa parte das carteiras.

Em contexto, é importante lembrar que Tiago Reis tem, há anos, desenvolvido um trabalho de denunciar inúmeros golpes e pirâmides financeiras, muitos dos quais envolvendo cripto, ainda que apenas na propaganda.

A ideia de que o Bitcoin em si siga pelo mesmo caminho com um grande vendedor atraindo incautos compradores e dando a eles o ativo digital, pode soar razoável para quem acompanha pirâmides, mas esconde um desconhecimento grande sobre o funcionamento da rede.

Na prática, ao observar pirâmides com certa frequência, é comum acabar se confundindo, da mesma maneira que seu viés de short acabe lhe rendendo um pessimismo, o problema, claro, é ver formatos onde simplesmente não existem sinais disso, o que acaba levando a famosa síndrome de Michael Burry.

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