Economia

Planta da Shell feita para capturar carbono está emitindo mais carbono do que capturando

Além de milhões de barris de petróleo, a refinaria Quest CCS de propriedade da Shell tem queimado também dinheiro de pagadores de impostos com a promessa de reduzir emissões de carbono.

Uma refinaria modelo construída pela empresa anglo-holandesa Shell com o objetivo de capturar carbono, gás ligado ao aquecimento global está na verdade emitindo mais gases, como metano, do que captura.

Segundo um relatório produzido pela Global Wtiness, a refinaria da Shell em Alberta, no Canadá, está emitindo o mesmo que 1,2 milhão de carros movidos a gás natural.

A despeito de ter custado aos pagadores de impostos ao menos $654 milhões em subsídios (ante um custo total de $1 bilhão), a planta emitiu 7,2 milhões de toneladas contra 5 milhões capturadas no período entre 2015 e 2019.

Mais do que reduzir as emissões, que chegaram a 34,81 bilhões de toneladas em 2020, as tecnologias de captura de carbono tem sido uma promessa relevante na luta contra o aquecimento global, e parte da política de empresas como a própria Shell para atingir zero emissões em 2050.

Segundo a organização responsável pelo estudo, a planta tem capturado em média 48% do carbono emitido pelas operações da shell no mesmo local, contra uma promessa de 90%.

A planta, chamada de “Quest CCS” pela empresa, foi construída para capturar o carbono emitido pela produção de petróleo utilizando as areias betuminosas no Canadá, que produzem apenas na região de Alberta 3,5 milhões de barris por dia (pouco mais que a produção total no Brasil).

O alerta da ONG, que menciona o fato de a tecnologia de captura estar sendo utilizada para impulsionar a produção de petróleo, é direcionado especialmente para governo que veem nas tecnologias de captura uma maneira mais fácil de reduzir o total emitido do que reduzir padrões de consumo.

O maior desafio da indústria, porém, segue no preço de capturas do tipo.

A usina, que custou $1 bilhão, tem potencial para reduzir as emissões em 1,2 milhão de toneladas por ano, a um custo de $45 por tonelada. Replicar o modelo para o total de emissões globais custaria cerca de $32 trilhões, ou 40% da economia global, além de um custo anual de $1,6 trilhão de dólares se o objetivo for de fato zerar as emissões.

Para empresas atuantes no setor, porém, é possível reduzir os custos, tornando economicamente viável a captura, em especial por conta da utilização do carbono capturado como insumo na produção agrícola.

Ainda assim, a conta demanda também uma redução de novas emissões, o que demandará substituição de meios carbono-intensivos.

A aposta de países altamente poluentes como a China, parece focada em expansão de projetos nucleares, substituindo diretamente usinas a carvão em atividade no país.

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