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Economia

Como a Shein consegue ter preços 60% menores

Gigante de varejo online viu seu faturamento crescer 5000% entre 2016 e 2022.

Criada em 2008 por Chris Xu, a Shein, originalmente chamada de ZZKKO, nasceu com a experiência de seu fundador em duas áreas que se tornariam centrais para a companhia: marketing digital e SEO, ou otimização de mecanismos de busca.

Pode-se dizer hoje que passados 15 anos desde a fundação, a Shein tornou-se a uma gigante centibilionária (com valor de mercado acima de US$100 bilhões), criada pela geração Z, a geração das dancinhas estranhas no TikTok (outra empresa centibilionária).

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Desde o princípio, Xu focou em desenvolver uma moda que fosse rápida em entregar aquilo que as pessoas buscavam. Inicialmente a Shein, ou ZZKKO, focava apenas em vestidos de noiva, algo que mudou com o direcionamento da empresa para o dropshipping.

Dropshipping, ou remessa direta, é uma prática comercial na qual a empresa não possui estoques, direcionando a ordem do cliente para a fábrica (ou comprando de uma fábrica que mantenha em estoque).

Essa medida tornou-se bastante popular entre pequenos vendedores no Brasil, EUA e Europa. Trata-se de algo simples. O vendedor tem apenas o trabalho de enviar a ordem de compra para uma fábrica e então despachar o pedido.

Por meio da Romwe, uma empresa adquirida em 2014, a Shein conseguiu aperfeiçoar essa técnica e integrá-la a um marketing de redes sociais, colocando seus produtos nas mãos, e no corpo, de microcelebridades em redes sociais.

Em 2016, a empresa possuía cerca de 100 funcionários e um faturamento da ordem de US$610 milhões. 

Foi neste ano que a empresa reuniu 800 desenhistas para lançar suas próprias coleções. Passando não apenas a vender produtos de terceiros, como criar seus próprios (ainda que não fabricá-los). Este tipo de medida permitiu a empresa ter agilidade no lado da oferta. Uma roupa que fizesse sucesso em uma celebridade, logo seria copiada pela Shein.

A cópia, por sinal, é uma das acusações constantes sobre a empresa. Ao redor do mundo inúmeros estilistas acusam a empresa de simplesmente ignorar sua propriedade intelectual e copiar os produtos.

Sabendo das críticas, a Shein tem crescido seu investimento em marketing, além de atrair celebridades como Khloe Kardashian, que passou a apresentar um reality show patrocinado pela empresa.

A relação com os micro influenciadores, que chegam a receber roupas gratuitas da empresa, se intensificou. Além da criação de relatórios de sustentabilidade, que buscam amenizar as críticas de que a empresa teria pouco ou nenhuma atividade ambientalmente responsável. 

Estes dois fatores, que se enquadram no chamado ESG, seriam um dos impeditivos para uma abertura de capital da companhia.

Segundo a Bloomberg, a Shein teria sido avaliada em até US$100 bilhões em rodadas com fundos como General Atlantic. 

A abertura de capital da companhia ainda não tem prazo para ocorrer e ao que tudo indica, os segredos da empresa já estão sob pressão. 

Entre 2016 e 2022 a Shein viu seu faturamento sair de US$610 milhões para US$30 bilhões.

Não há site de relação com investidores ou balanços públicos, de modo que é impossível saber informações detalhadas, exceto aquilo que é estimado ou vazado.

O que se sabe é que a companhia se aproveita de limites legais de importações entre pessoas físicas para enviar seus produtos sem estar sujeita a taxação.

No Brasil, o limite é de US$50, enquanto nos EUA o valor é de US$500.

Este tipo de prática é relativamente comum e criada antes da existência do ecommerce, para permitir que pessoas enviassem produtos para parentes ou conhecidos.

Desde o início da década passada, porém, os resultados começaram a se tornar visíveis, primeiro para os serviços de correios. Estima-se que o serviço postal americano gaste US$1 bilhão ao ano para garantir as entregas das encomendas, que pagam valores irrisórios dr fretes, uma vez que são consideradas “pessoais” e não de empresas.

No Brasil, entre 2013 e 2022, o total de importações de pequeno valor saiu de R$430 milhões para os atuais R$40 bilhões.

E é sob estes R$40 bilhões que o governo federal estima arrecadar ao menos R$15 bilhões.

Para efeito de comparação, as compras de pequeno valor já se aproximam do total de exportações brasileiras de carne de frango, estimadas em R$51 bilhões pelas 4,82 milhões de toneladas embarcadas.

Para o CFO da Renner, gigante varejista brasileira, a Shein vende hoje produtos em média 60% mais baratos.

Com a taxação desses produtos na alfândega brasileira, essa média sairia para preços 15% menores. Isso, claro, pois a empresa não possui lojas e mantém estoques extremamente reduzidos.

Em suma, a Shein continuaria a ser mais barata, mesmo com a cobrança de impostos. O diferencial, claro, estaria no tempo de entrega.

Um produto que venha da China para o Brasil, pode demorar até 2 semanas, enquanto os competidores nacionais trabalham com entregas que podem chegar a 1 dia. 

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