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bitcoin sendo descoberto e estudado

5 mitos sobre o Bitcoin nos quais você acreditava até ler este artigo


Por Gabriel Aleixo
Maio 12, 2020

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Você talvez se lembre de Paul Krugman como o economista que lá em 2014 sugeriu que a economia brasileira ia muito bem. O fato é que a despeito de anedotas do tipo, Krugman é de longe um dos mais importantes economistas e articulistas da atualidade. 

Para além dos jornais, Krugman também ganhou certa fama em fóruns de internet. Em 1998, quando muitos por aqui sequer tinham acesso a computadores pessoais, Krugman cravou durante uma fala: “lá para 2005, ficará claro que o impacto econômico da internet sequer terá sido maior do que o dos aparelhos de fax”. 

10 anos depois, graças a uma inovadora teoria sobre o comércio, campo que claramente domina mais do que tecnologia, recebeu o Prêmio Nobel de Economia. Ou seja, se nem pessoas muito prolíficas em suas áreas de atuação estão isentas de diagnósticos errados sobre novas tecnologias, é natural que com o Bitcoin isso não seja diferente.

Embora esteja caindo no gosto de investidores institucionais e sua tecnologia tenha cada vez mais adoção no mercado financeiro tradicional, a moeda digital ainda é cercada de mitos e concepções erradas. Vamos dissecá-los um a um, para que você saiba a verdade por trás desses boatos, quando cruzar com eles novamente.

O Bitcoin é só para quem tem muito dinheiro

Comumente gerando manchetes até em veículos mainstream por conta do seu preço, principalmente em momentos de alta acentuada, é natural que a percepção de que o bitcoin é “caro” esteja internalizada em alguns. Valendo cerca de 50 mil reais a unidade, o preço acaba gerando uma mistura de curiosidade e afastamento por quem não se aprofunda no tema.

Isso porque pode dar a impressão de que, valendo 50 mil reais por unidade, seria necessário todo esse montante para começar a investir na tecnologia, caso se acredite que ela tenha futuro. Ocorre que uma dessas unidades pode ser dividida em até 100 milhões de unidades menores.

Chamada de “sat”, trata-se da menor unidade transacionável existente no Bitcoin hoje, assim como o centavo é a menor unidade do real. Logo, se você, como muitos, ainda não tem dinheiro para comprar um bitcoin inteiro apesar de gostar da ideia do ativo digital, não se desanime!

Afinal, se 1 sat equivale hoje a cerca de 0,05 centavos de real, nota-se que é possível negociar frações muito pequenas da moeda. Por exemplo, embora não seja possível comprar “centavos” de bitcoin em muitas das plataformas existentes no mercado, pode-se sim comprar, por exemplo, 10 reais em bitcoins (equivalentes a 0,0002 BTCs se tomarmos como referência a cotação de 50 mil reais por unidade).

O Bitcoin não tem lastro

Em sentido muito específico, podemos realmente falar que o Bitcoin não tem lastro. Assim como nenhuma moeda nacional (seja o dólar, o euro ou o real) no mundo tem lastro em ouro, por exemplo. Já na década de 70, grande parte do mundo havia abandonado totalmente esse modelo de ter o valor de seu dinheiro atrelado a um montante equivalente de metais preciosos.

Entretanto, assim como alguns países podem contar com disciplina em suas políticas monetárias de modo a manter a base monetária proporcional à evolução do PIB com o passar dos anos, o Bitcoin também tem uma forma de controlar sua escassez.

Só que no lugar de bancos centrais, influência política e seres humanos corruptíveis, temos regras escritas em código computacional inviolável. São justamente elas que garantem que a qualquer momento se saiba quantos bitcoins estão e estarão em circulação, até que o limite de 21 milhões de bitcoins emitidos seja atingido.

Ou seja, para fins práticos, o Bitcoin tem “lastro” na matemática por trás de sua programação, que assegura a ele uma rigidez monetária similar à do ouro, por se tratar em ambos os casos de ativos deflacionários. O primeiro se faz escasso por meio de regras codificadas e alto poder de processamento computacional, enquanto o segundo tem sua quantidade limitada pela própria natureza.

O Bitcoin facilita atividades criminosas

Como qualquer outra tecnologia que funcione (também) como meio de pagamento, o Bitcoin é usado tanto para transações lícitas quanto ilegais. Naturalmente, há tentativas de se usar a moeda digital em processos de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros

Ocorre que não se nota qualquer indício de prevalência de crimes financeiros nas atividades majoritariamente desempenhadas com bitcoin. A tecnologia é primordialmente usada como veículo de investimento, reserva de valor ou em remessas internacionais.

Ademais, por ser baseada na blockchain, tem embutida em si níveis sem precedentes de auditabilidade e transparência. Nas transações feitas por padrão, consegue-se ter grande rastreabilidade sobre os fluxos financeiros, de modo que autoridades legais, diante do devido processo legal, conseguem usualmente chegar aos responsáveis por eles no caso de ilícitos. 

Ou seja, o Bitcoin facilita as investigações de crimes financeiros e não o contrário, embora as tentativas de uso nesse sentido sejam bem menores do que como às vezes é alardeado por aí.

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O Bitcoin é meio ilegal no Brasil e em outros países

Com uma pequena e restrita exceção, composta principalmente por países mais autoritários, o Bitcoin não costuma sofrer tentativas realistas de proibição em mais larga escala. Até porque, sendo baseado em uma tecnologia descentralizada, não há nada que se possa fazer propriamente falando para acabar com ele, embora possam ser criadas restrições muito negativas em torno de negócios baseados em sua tecnologia.

De todo modo, no Brasil, assim como em diversos outros países e blocos econômicos, é plenamente legal comprar, vender e transacionar bitcoins. A moeda digital já foi, inclusive, alvo de amplos estudos e comunicados por assim dizer permissivos ao seu uso, feitos por entidades públicas e regulatórias no país como o Banco Central, a CVM, a Receita Federal e outros.

Costumamos dizer que “no Bitcoin, você é o banco”. Logo, com as vantagens que isso traz em desburocratização, autonomia e redução de custos, também vêm as responsabilidades na gestão de seus recursos. 

Não espere, é claro, que o Banco Central venha agir para fazer com que o preço dos bitcoins que você comprou suba. Também é importante se lembrar de que impostos já são devidos há 5 anos no Brasil, para grandes investidores que obtêm ganhos de capital comprando montantes elevados na baixa e vendendo-os na alta. 

Mas pode ficar tranquilo, não há nada de ilegal no Bitcoin em si, enquanto tecnologia e moeda digital!

O Bitcoin já foi superado por tecnologias novas e melhores

É muito comum ouvir de um amigo ou de um parente que chegou “ontem” no universo das moedas digitais, que já existe há mais de 10 anos, coisas como: “o Bitcoin foi importante mas ele é passado, ele é tipo o MySpace ou o Yahoo das criptomoedas, já está sendo superado por tecnologias muito melhores do que ele”. Ainda que inovações surjam diariamente no universo da tecnologia blockchain e dos criptoativos, essa ideia do “amigo” está longe de ser verdade.

O Bitcoin tem seu funcionamento baseado em tecnologias de criptografia aplicada, comumente usadas em diversas aplicações de segurança da informação. É daí que vem o nome “cripto” moeda, inclusive. Não por se tratar de algo “anônimo” ou “escondido”, mas sim por estarmos falando de uma rede segura contra fraudes ou violações de suas regras.

Ocorre que no universo da segurança da informação, diferentes de outros segmentos da economia digital, nem sempre o mais novo é o melhor. Quanto mais antigos em ciência da computação, mais testados e à prova de falhas, e logo melhores, são considerados os algoritmos criptográficos. 

E é justamente baseado em muito do que há de mais seguro que o Bitcoin foi criado e por isso se mantém firme 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem qualquer caso de interrupção sistêmica desde seu lançamento em 2009. 

Embora tecnologias diferentes e complementares a seu uso tenham surgido desde então, é incorreto dizer que são “melhores” do que o Bitcoin ou que irão necessariamente superá-lo no que ele parece ter sido concebido para fazer de melhor. Notadamente, preservar valor de maneira inviolável e se manter como uma rede radicalmente descentralizada e segura para fazer transações em todo o globo.

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