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Opinião: Com posse de Biden nos EUA, Brasil já tem problemas diplomáticos com 4 potências mundiais.


Por Felippe Hermes
Janeiro 20, 2021

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A posse do presidente eleito nos Estados Unidos, ocorrida no dia de hoje, marca um novo passo para o mundo, com posições distintas daquelas adotadas até aqui em acordos globais.

Joe Biden já defendeu a volta dos Estados Unidos para a OMS e para o acordo de Paris, importante mecanismo de cooperação global no meio ambiente.

Da mesma maneira, Biden adota uma posição firme contra a China, considerando que o país comete genocídio ao perseguir uigures e manter campos de concentração para a etnia.

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Suas posições são, até aqui, bastante claras. As pautas de direitos humanos e meio ambiente, duas das quais o Brasil tem falhado em manter uma boa imagem internacional, são consideradas prioridade para o novo governo.

Meio ambiente também é uma “arma” relevante no embate brasileiro com a União Europeia.

Pressionados por seus agricultores, governos da França, Holanda, Alemanha e Áustria tem dificultado a aprovação de um acordo entre a União Europeia e o Mercosul.

A despeito dos interesses, a pauta escolhida segue sendo meio ambiente, área na qual o Brasil dedica pouco ou nenhum esforço para avançar, com aumentos constantes em desmatamentos.

A inabilidade do presidente e seu ministro de relações exteriores em responderam de maneira correta acusações do presidente francês, que alega ser também da soja a culpa em relação aos desmatamentos, tem criado problemas para o país.

Macron já considera impor embargos econômicos ao Brasil, ao menos na retórica.

A mesma Amazônia já foi pauta de Biden em um dos debates com o ex-presidente americano Donald Trump.

Biden alega querer dar recursos ao Brasil ($20 bilhões), ou, caso não haja avanços em relação ao tema, também impor sanções.

Na medida em que o meio ambiente e sua defesa se tornam uma pauta crucial no planeta, servindo de arma política, o Brasil segue com a crença de que o melhor caminho é “explorar a Amazônia”, com mineração, em parceria com os Estados Unidos.

Tal crença já nos custou recursos importantes do fundo Amazônia e tem travado disputas comerciais.

Mesmo onde deveríamos ter algum alinhamento, na briga com a China por exemplo, escolhemos a pior maneira.

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Não há da parte do Brasil qualquer objeção ao governo chinês em função da sua atuação contra direitos humanos, mas uma mera crítica “anti comunista”.

Crítica essa que parte de membros do governo, como o ex-ministro da educação Abraham Weintraub (hoje funcionário do banco mundial), além dos filhos do próprio presidente.

Escolhemos a pior maneira de comprar as brigas, e no final, nos damos conta de que pra bancá-las, é preciso mais do que retórica.

O interesse da China por commodities vindas do Brasil não é infinito. Como o próprio nome já diz, commodities são produtos com pouca diferenciação e que podem ser produzidos em qualquer lugar (ou quase), como na África.

Nossa total falta de rumo impediu que o país fizesse acordos relevantes com os Estados Unidos. De fato, tivemos aumentos de tarifas para o aço brasileiro.

Como se não bastasse criar problemas com as 3 potências, terminamos por discutir também com outro governo nacionalista, o da Índia.

Para agradar Donald Trump, o Brasil ficou ao lado dos Estados Unidos e contra a Índia em proposta na Organização Mundial do Comércio para que patentes sobre vacinas fossem abolidas.

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De fato, um país que importa boa parte dos insumos de suas vacinas e que depende do resto do mundo para produzi-las, se tornou bajulador de um governo que busca manter as patentes para preservar suas multinacionais farmacêuticas.

Como resultado, não há prioridade para o Brasil (aquele mesmo país que possui um programa exemplar de genéricos, fruto de quebras de patente), por parte da Índia.

Abandonamos nossa tradição diplomática de neutralidade e bom diálogo em troca de absolutamente nada além de ego.

Sem vacina, encurralados em acordos diplomáticos ainda terminaremos por aceitar que o 5G da Haweei, banido da competição em diversos países, possa concorrer por aqui. Isso, claro, porque sequer a retórica temos conseguido sustentar.

Na dúvida, ainda temos uma chance de manter relações diplomáticas com a Rússia contra os “comunistas”.

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