Artigo

JPMorgan Bitcoin

O caso do JPMorgan contra o Bitcoin


Por Marcelo Campos
Dezembro 3, 2020

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Anteriormente um dos maiores detratores do Bitcoin, o JPMorgan parece ter aproveitado a oportunidade do 3º Halving do criptoativo para lançar produtos construídos em blockchain, como a sua JPMCoin.

Em 28 de Outubro de 2008, o contribuinte norte-americano foi convidado a pagar uma conta indesejada: o resgate de grandes instituições financeiras, como Wells Fargo, Bank of America e, claro, o JPMorgan Chase & Co. Uma quantia equivalente a US$25 bilhões, digna de manchetes à época, foi despendida para salvar apenas o banco de investimentos.

Três dias depois, um anônimo sob o pseudônimo de Satoshi Nakamoto publicaria a solução para um antigo problema computacional: como criar um arquivo incopiável na internet? A resposta: O Bitcoin, um ativo digital seguro e escasso.

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Nascendo a partir de uma tecnologia descentralizada, a blockchain, o Bitcoin não demoraria a evocar opiniões emocionadas das mais diversas partes do mercado financeiro mundial. Tendo seu primeiro bloco minerado em 1º de Janeiro de 2009, a rede permaneceu relativamente anônima por um bom tempo. Inclusive, no ano seguinte, Laszlo Hanyecz, um criptógrafo americano, entraria para a história ao comprar 2 pizzas por 10 mil Bitcoins. Hoje a transação custaria um pouco mais de R$ 1 bilhão.

Mas o anonimato não duraria muito tempo. Com o 1º Halving do Bitcoin ocorrendo já em 2012, o criptoativo começaria a chamar atenção de especuladores, formadores de opinião e, eventualmente, até de grandes instituições financeiras.

Foi em 2014 quando o caminho do JPMorgan e do Bitcoin se cruzariam oficialmente pela primeira vez. Jamie Dimon, CEO da instituição desde 2005, declararia falsamente que a criptomoeda é uma péssima reserva de valor e que pode ser replicada indiscriminadamente.

Demonstrando claro desconhecimento sobre a natureza do ativo, o CEO do JPMorgan afirmaria no Fortune Global Forum, no ano seguinte, que o criptomercado não era relevante e que, se necessário, seria proibido por qualquer governo que se sentisse ameaçado.

Dimon permaneceria na ofensiva contra a comunidade cripto por alguns anos. Em 2017, em meio ao último ciclo de alta do Bitcoin, Jamie afirmaria sua frase mais infâme: “Bitcoin é uma fraude que eventualmente irá explodir”. Por anos Dimon parecia profético para qualquer leigo. Ainda em 2017, próximo ao Natal, o preço do BTC sofreria uma queda abrupta e entraria em um mercado recessivo por quase três anos.

No entanto, é válido ressaltar que naquele período o Bitcoin vivia os últimos instantes de seu segundo halving. Como o criptoativo é escasso por design, a cada 210 mil blocos minerados a remuneração ao minerador é cortada pela metade. Essa redução abrupta gera uma posterior queda, na mesma magnitude, da oferta de novos Bitcoins no mercado.

Como a demanda permanece constante, ou aumenta, o ativo tende a passar por uma alta em seu preço. Esta alta, que costuma perdurar por alguns meses após o Halving, havia sido iniciada com o 2º Halving do Bitcoin, em Julho de 2016.

Com uma boca maior do que o bolso, o JPMorgan esqueceu das críticas e resolveu não ficar de fora do 3º Halving do Bitcoin, evento que ocorreu em maio deste ano. Percebendo a movimentação institucional que alguns investidores e empresas estão tomando perante ao BTC, o banco norte-americano decidiu ir além e lançar um criptoativo próprio, a JPMCoin.

As blockchains privadas do JPMorgan

O criptoativo do JPMorgan viu a luz do dia ao final do mês de outubro. Sendo um produto voltado para bancos, o ativo digital não deve ser listado nas mais diversas exchanges de ativos digitais do mercado.

Desenvolvido na rede Quorum, uma blockchain genérica do Ethereum, a JPMCoin é um token pertencente a este protocolo. Inicialmente criada pelo JPMorgan, a blockchain da Quorum foi vendida em agosto para uma carimbada empresa do criptomercado, a Consensys. No entanto, a iniciativa do banco norte-americano no criptomercado fica confusa muito rápido.

Isso ocorre porque o banco tem outro projeto na indústria blockchain em desenvolvimento, a  Interbank Information Network, eventualmente renomeado apenas para Liinx. De acordo com a Head do projeto, Christine Moy: “Se um participante do Liink tiver conhecimento específico sobre pagamentos em uma determinada região ou moeda, por exemplo, ele terá a oportunidade de construir um aplicativo e implantá-lo na rede”.

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Nesta oportunidade, Christine Moy aproveitou para convidar 400 instituições bancárias para construir soluções na nova rede Liinx. Dentre os bancos que foram chamados, 25 integram o seleto grupo das 50 maiores instituições financeiras do mundo.

O Liinx, assim como a rede Quorum, é construído em um fork privado da rede Ethereum. Apesar da confusão, o JPMorgan não explica porque sua JPMCoin foi construída na Quorum, que não pertence mais ao banco, e não na Liinx, suposta nova rede de pagamentos “descentralizados” da instituição.

Para ficar menos confuso, o JPMorgan anunciou que ambos os projetos (JPMCoin e Liinx) estão embaixo de um guarda-chuva maior: a Onyx, uma empresa do conglomerado criada apenas para acomodar as soluções em blockchain do banco. Não apenas isso, juntamente do anúncio do lançamento da JPMCoin, a instituição afirmou que a rede Quorum, sua primeira blockchain privada agora em posse da Consensys, também faz parte das linhas de ação da Onyx.

Para completar o engodo, de acordo com interlocutores do banco, a instituição tem conversado com grandes empresas de custódia do criptomercado, como a Fidelity Digital Assets e a Paxos. No entanto, o JPMorgan não descarta a possibilidade de iniciar um serviço nativo de custódia de ativos digitais.

As diversas iniciativas do JPMorgan no criptomercado dão o tom das novas declarações do banco. Se anteriormente Jamie Dimon atacava o Bitcoin sem papas na língua, atualmente o marketing do banco de investimentos sofre para tentar retirar o estigma negativo que a comunidade cripto tem da instituição financeira.

Numa tentativa de limpar a própria imagem, o JPMorgan vem lançando relatórios frequentes sobre a robustez do Bitcoin e da tecnologia blockchain, até então considerada como “um ativo copiável” por seu CEO. Se em 2014 as pesquisas do banco anunciavam que o Bitcoin era vastamente inferior as moedas fiduciárias, como o Dólar e o Euro; atualmente a empresa norte-americana reconhece que investidores institucionais têm preferido Bitcoin ao Ouro quando o assunto é hedge político e monetário.

Sobre esse ponto, o banco foi enfático: uma modesta substituição do ouro por Bitcoin, como principal Hedge político do mundo, implicaria numa duplicação ou triplicação do preço do BTC. A declaração vem na mesma mão de afirmações de Larry Fink, CEO da lendária gestora BlackRock. De acordo com Fink, o criptomercado ainda é muito pequeno em volume e, por isso, tem alta volatilidade. “No longo prazo, a tendência é que o Bitcoin se torne um ativo verdadeiramente global”, disse Fink.

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O JPMorgan também observa o forte crescimento do interesse do investidor institucional no Bitcoin, especialmente quando indicado pelo volume crescente nos mercados de futuros e opções do CME.  Ainda em outubro, por exemplo, o CME, estritamente reservado a grandes investidores, se tornou a segunda maior plataforma de negociação de futuros de BTC, ultrapassando a BitMEX e Binance, duas plataformas voltadas ao público varejo de criptoativos. 

Além disso, o banco complementou em nota que anúncios como o do PayPal, que passará a aceitar transações com criptoativos em sua plataforma a partir de 2021, comprovam o enorme suporte corporativo que a atual alta do Bitcoin tem demonstrado.

Fatos são fatos. JPMorgan se equivocou em diversas oportunidades no seu julgamento do criptomercado. Agora corre atrás do tempo perdido lançando diversas iniciativas sem necessariamente pensar na adequada comunicação de marca ou sequer se preocupar com o verdadeiro propósito de uma blockchain pública.

No final, resta saber se, na próxima crise de liquidez no frágil sistema financeiro internacional, o banco será socorrido em dólares ou em Bitcoins.

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