Artigo

PayPal

O que muda com a entrada do PayPal no criptomercado


Por Marcelo Campos
Outubro 28, 2020

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O PayPal, nascida da fusão entre Confinity e X.Com, entra na corrida institucional do Bitcoin ao anunciar que, a partir do ano que vem, aceitará criptoativos como forma de pagamento.

Fundada em dezembro de 1998 por Max Levchin, Peter Thiel e Luke Nosek, a Confinity era uma empresa que desenvolvia soluções de segurança para aparelhos eletrônicos. Sem muito sucesso em captar fundos para seu modelo de negócio, os sócios da empresa esbarraram com Elon Musk, fundador do X.com, um dos primeiros bancos digitais (quase vinte anos antes da moda dos cartões coloridos chegarem ao Brasil).

O jovem Elon estava empolgado com o novo projeto que a Confinity estava desenvolvendo na área de transferências monetárias e decidiu fundir seu banco digital com a empresa de Levchin, Thiel e Nosek. A partir daquele instante, a Confinity seria um projeto dentro da X.Com. No entanto, após constantes brigas no xadrez corporativo, Musk foi substituído por Levchin (ex-Confinity) como CEO do banco que ele mesmo havia fundado.

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Com a saída de Musk em meio ao estouro da Bolha da Internet, a pequena equipe decidiu renomear a empresa com o mesmo nome de seu principal produto: PayPal. Assim nascia, em outubro de 2000, a gigante de pagamentos.

Mesmo com o mercado tecnológico derretendo na época, a empresa acelerou o passo e realizou seu IPO poucos meses após a saída de Elon. Seu preço por ação era de $13 e a listagem na bolsa angariou módicos U$61 milhões para uma empresa que se tornaria a primeira fintech do mundo (antes também do próprio termo ter sido inventado).

Vinte anos depois de presentear o mercado com o futuro dos meios de pagamentos, o PayPal percebeu que estava ficando para trás. Após movimentações institucionais intensas nos últimos dois meses de grandes empresas entesourando Bitcoin, como a MicroStrategy (MSTR) e a Square Inc. (SQ), a primeira fintech da história anunciou que, a partir de janeiro de 2021, passará a aceitar criptoativos em sua plataforma.

O que muda com o PayPal

Vamos colocar em perspectiva. No começo do próximo ano 346 milhões de clientes e 26 milhões de comerciantes poderão transacionar utilizando Bitcoin, Bitcoin Cash, Litecoin e Ether (a moeda que sustenta a blockchain do Ethereum) através do PayPal.

O arranjo será possível por meio de uma parceria com a Paxos Trust Company, uma das primeiras empresas de soluções em custódia de criptoativos a conseguir regulação apropriada nos Estados Unidos. O acordo foi permitido pelo New York State Department of Financial Services (DFS) em caráter exclusivista

A BitLicense Condicional concedida ao PayPal é a primeira da história. O objetivo da autarquia reguladora é incentivar que demais empresas do mercado de pagamentos possam operar, regularmente nos EUA, através de empresas licenciadas pelo DFS de Nova York.

Dan Schulman, CEO do PayPal, afirmou ao final do acordo que a empresa trabalhará com bancos centrais para facilitar ainda mais a entrada de criptoativos no mercado tradicional. O movimento é perceptível pois, na mesma semana, um relatório da Bloomberg afirmava que a gigante de pagamentos estaria interessada em comprar a BitGo e outras empresas da criptoeconomia. O caso da BitGo é latente pois a empresa também é um serviço que oferece soluções em custódia de criptoativos, mas sediado na Califórnia.

The Bitcoin Rush

Com a entrada do PayPal no criptomercado, o evento, que vem sendo nomeado por especialistas como The Bitcoin Rush, ganha ainda mais tração institucional e faz força aos R$3,9 Trilhões em Bitcoin que já foram entesourados por empresas listadas em bolsas norte-americanas desde 2018.

Quem se somou recentemente a longa lista institucional foi a Mode Global Holdings (MODE), empresa listada na Bolsa de Valores de Londres. De acordo com Jonathan Rowland, CEO da companhia que oferece serviços de Carteira Digital, o grupo realizará uma compra significativa de Bitcoins, convertendo até 10% de suas reservas de caixa como parte de uma estratégia de proteção.

Ainda segundo Rowland: “Diante dos desafios do COVID-19, e com as taxas de juros do Reino Unido no nível mais baixo na história de 326 anos do Banco da Inglaterra, nossa confiança no valor de longo prazo do Bitcoin apenas aumentou”.

Parece exagero? Talvez o maior indicador do elevado FOMO Institucional que o criptomercado está recebendo agora tenha vindo da Chicago Mercantile Exchange (CME). Durante os últimos dias a Bolsa se tornou a segunda maior plataforma de futuros de Bitcoin em número de contratos abertos.

De acordo com Matthew Dibb, co-fundador da Stack Funds, o crescimento da CME demonstra o predomínio de grandes empresas tradicionais entrando no criptomercado por meio do Bitcoin: “A ascensão do CME é predominantemente liderada pela participação institucional, já que a maioria dos participantes desse segmento está proibida de negociar em derivativos não regulamentados listados em plataformas de varejo como BitMEX e Binance”.

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Mesmo com o Bitcoin sendo negociado a R$78 mil no Brasil, e quebrando a alta histórica de dezembro de 2017, o Bull Run do criptoativo sequer parece ter iniciado na gringa. A conclusão? Vai faltar bote salva-vidas no Mercado Financeiro Internacional após os infinitos Quantitative Easings que vem sendo realizados durante 2020. E você, já comprou o seu?

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