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Mercado Livre investe R$ 10 bilhões e reduz dependência dos correios de 90 para 20% das entregas em 3 anos.


Por Felippe Hermes
Janeiro 6, 2021

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Desde 2017 o Mercado Livre e outras empresas do setor de e-commerce tem investido bilhões para reduzir a dependência dos correios e se tornarem independentes também em logística.

Fundada em Agosto 1999 na Argentina, poucos meses antes do estouro da bolha da internet (março de 2000), o “Meli”, abreviação do Mercado Libre, chegou ao Brasil quase simultaneamente ao seu país de origem, ou um mês de diferença.

Foram quase duas décadas até a empresa se tornou a maior do setor no Brasil, ultrapassando a B2W, do bilionário Jorge Paulo Lemann.

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Neste período, o Meli avançou no país introduzindo facilidades em meios de pagamento, e investimentos pesados em logística.

No chamado “Mercado Envios”, responsável pela logística da plataforma e por 96% das entregas de produtos vendidos pelo app e site do Meli, a entrega é gerida pela própria empresa.

O detalhe porém, é que por meio de sua escala, o Meli negocia com os correios por uma redução no custo de frete, permitindo assim reduzir o custo geral aos clientes (muitos com frete zero), e ser parte substancia dos R$9 bilhões de receita que a estatal brasileira gera com encomendas online.

Na década em que o e-commerce “explodiu”, saltando de R$29,5 bilhões em 2011, para R$110 bilhões em 2020, a estatal viu seus investimentos minguarem.

Fruto de saques constantes nós caixas da companhia e baixo autonomia financeira, os correios tiveram uma redução de 93,5% no lucro, 17% no faturamento e 55% nos investimentos, quando corrigidos pela inflação (segundo o balanço da empresa).

Na outra ponta, o Mercado Livre sozinho ampliou seus investimentos de R$1 bilhão em 2017 para R$4 bilhões em 2020. Foram abertos 17 centros de distribuição, e criados 1300 pontos de envio.

Na prática, o Meli criou uma opção aos seus vendedores. Para o sindicato dos correios entretanto, a empresa “ameaça” de maneira autoritária, os serviços e acordos com a estatal.

Em setembro deste ano por exemplo, a rede de entregas do Meli foi utilizada para driblar a greve na estatal (a 10ª greve na década).

Segundo nota republicar no site das associações de funcionários, a adoção de uma logística própria por empresas como o Mercado Livre pode levar a uma redução de 5000 funcionários na estatal.

A maior preocupação entretanto segue com os responsáveis pelas franquias postais, que possuem nas encomendas boa parte da sua receita.

A prática não se restringe ao Meli porém. Como relata a Exame, empresas como o Magazine Luiza já possuem acordos com ao menos 4 mil pequenas transportadoras.

A dominância sobre as etapas do processo é parte substancial do sucesso que faz o Mercado Livre a empresa mais valiosa da América Latina, e o Magazine Luiza uma das queridinhas da Bolsa brasileira.

Em meio a crise sanitária do último ano, as encomendas chegaram a crescer 182% (no Magalu), e 70,4% no comércio eletrônico em geral.

Esse tipo de situação é vista com entusiasmo pelos investidores, dado que garante as empresas uma ampliação na base de serviços.

Ao contrário dos correios, que está restrito ao serviço de entrega, o Magalu por exemplo, tem adquirido empresas na área financeira para ofertar serviços aos vendedores do seu marketplace, e com isso ampliar suas receitas e margens.

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No Meli, o “Mercado Pago” já responde por parte substancial da receita. Em resumo, as empresas tem se tornado marketplace com soluções para os pequenos vendedores, numa corrida por aumentar a agilidade na entrega (que seduz o usuário), e com isso agregar clientes (vendedores).

Cabe ressaltar que o próprio Mercado Livre é visto como um potencial comprador para os correios em uma eventual privatização (prometida para 2021).

O desafio portanto seria conciliar a demanda do e-commerce com o alto passivo trabalhista da estatal, e seu outro serviço, o de entrega de cartas (que possivelmente ficaria de fora em uma eventual privatização).

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