Artigo

Venture Capital e Venture Building: quem é quem na guerra pela inovação.


Por Gabriel Aleixo
Abril 1, 2020

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Steve Jobs, Bill Gates, Elon Musk. Eles se tornaram figuras míticas pelo que alcançaram como empreendedores. Mas será que a inovação hoje é mais baseada em gênios fora da curva ou em novas formas de trabalho e investimento? É o que o venture capital e o venture building propõem.

A DESTRUIÇÃO CRIADORA

A visão dominante de que as inovações tomam forma por conta de uma pessoa genial parece ser algo muito forte na nossa cultura. Afinal, parecemos acostumados à ideia de que um sujeito meio maluco e meio brilhante como Thomas Edison foi lá, num dos seus muitos dias inspirados, e pronto. Inventou as lâmpadas elétricas, para o horror e a incredulidade dos que vinham investindo uma fortuna na produção de velas, como se fossem eternas enquanto tecnologia.

Quando Edison popularizou a lâmpada elétrica, lá por 1880, sua atuação foi responsável não apenas pelo aumento do bem-estar da população, mas por obrigar outros competidores a se moverem. Desse movimento simples, gigantes como Rockefeller, que tinham no querosene pra iluminação uma forte fonte de renda, viram-se obrigados a inovar, mais uma vez.

O próximo passo de Rockefeller foi por sua vez responsável por impulsionar a indústria automotiva, com o refino de combustíveis para carros. Neste ciclo sem fim de destruição e criação, como já mostrava Schumpeter há muitas décadas, a ideia permanece como um guia prático pra entender os ciclos e a evolução do capitalismo.

NOVAS FORMAS DE ENTENDER A INOVAÇÃO

E tudo isso às vezes ainda gera uma perspectiva dúbia sobre a figura da pessoa que inova: ela está realmente fazendo algo bom para sociedade como um todo? Entretanto, visões alternativas a esse “personalismo” na figura do empreendedor de sucesso estão em alta nos dias de hoje. Elas nos ajudam a abrir perspectivas, desfazer mitos e romper preconcepções nem sempre corretas.

Quando paramos para observar com atenção, percebemos que novas ferramentas de comunicação e a nossa maior facilidade de lidar com elas estão mudando o jogo da inovação. Ou seja, sistemas abertos e colaborativos podem superar o antigo paradigma de máxima inovação como uma proposta exclusiva de “grandes empreendedores”. Na verdade, estamos aparentemente diante das melhores condições pra isso na história: digitalização dos negócios, custos radicalmente decrescentes nas tecnologias de comunicação instantânea e forte especialização no trabalho.

Ou seja, cada um não apenas faz a sua parte por um produto ou serviço melhor, como consegue interagir sobre esse processo com muitos outros. Logo, é interessante levar em conta que mesmo com o empreendedor sendo responsável por ofertar um novo serviço, método ou ideia, não se pode nunca garantir que aquilo esteja em sua forma ou utilização ótimas. Até porque provavelmente nunca estão e nem estarão.

A economia digital virou um palco global para a experimentação, no qual todos estamos diante de uma grande versão de testes, com novidades e atualizações vindo diaramente e de todos os lados. Há sempre espaço para aperfeiçoamento e em muitos casos a capacidade de refinar um dado produto está intimamente ligada ao uso recorrente dele por um ser humano, dado que este é quem tira o maior proveito direto de uma inovação quando lhe é oferecida.

O VENTURE CAPITAL: TOME ESTE DINHEIRO E CRESÇA.

Esses são os principais aspectos que precisam ser levados em conta quando se pensa na construção ou na expansão de uma empresa nascente com potencial de crescimento acelerado. Um dos modelos tradicionais de se fazer isso é o venture capital (VC), quando fundos ou investidores individuais voltados à modalidade aportam um montante em troca de participação societária no negócio. Durante o período em que o investidor permanece investindo na empresa, busca-se agregar valor à empresa além da injeção financeira.

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A esta prática se dá o nome de  “smart money” ou seja, não é apenas dinheiro injetado na companhia e sim uma combinação de capital e auxílio na estratégia e gestão da empresa. A ideia é que o investimento em tempo e dinheiro em troca desses títulos permitam uma janela de saída, com grande retorno a longo-prazo. O alto retorno pode ser compreendido frente a um risco igualmente amplo, visto que as maiores rentabilidades no segmento vão para quem investe nos estágios iniciais do negócio, quando muitas vezes estão ainda na fase da ideia ou do protótipo.

Uma forma comum de mitigar essa incerteza é, por exemplo, a diversificação do montante a ser investido entre 10 empresas, no intuito de que aquelas 2 ou 3 que porventura venham a dar certo superem em significativa escala os negócios malsucedidos. O venture capital se popularizou nos anos 70 e 80 no Vale do Silício, diante de empreitadas historicamente bem-sucedidas no segmento, principalmente devido à revolução dos computadores pessoais.

VENTURE BUILDING: ALÉM DAS FINANÇAS.

Uma segunda onda de sucesso se deu a partir da expansão global da internet comercial, cujos excessos culminaram na “bolha do .com”, e que acabou trazendo mais maturidade ao setor desde então. Entretanto, uma nova forma de promover inovação e prosperar por meio dela está crescendo: o venture building. De acordo com dados veiculados por um estudo da ABStartups, em parceria com a Accenture, mais de 75% das startups estão sendo viabilizadas e aceleradas assim, contando com recursos humanos e financeiros próprios.

No venture building, a ideia é que a partir de um mesmo grupo de pessoas e recursos financeiros, o compartilhamento de uma visão comum de mercado possa suscitar o surgimento de diferentes linhas de negócio, por vezes com múltiplos CNPJs. Entretanto, há uma estrutura organizacional mais próxima da matricial em relação às pessoas trabalhando nessas frentes, de modo que programadores, profissionais de comunicação e afins, possam conjuntamente estar em mais de um negócio ao mesmo tempo.

Isso traz flexibilidade, agilidade e otimização às práticas internas, assim como permite economizar recursos nas fases iniciais de desenvolvimento, compartilhar parcerias e clientes e promover sinergia entre as variadas frentes. Além disso, aproxima a prática empresarial cotidiana dos modelos colaborativos e abertos de inovação, ao promover uma troca constante e estruturada entre as figuras do cliente, do empreendedor, de suas múltiplas equipes e do próprio investidor.

Embora, estritamente falando, não haja “certo” e “errado”, observar essas variáveis e adequá-las para tornar seu negócio mais flexível tende a se tornar cada vez mais crítico. Afinal, ao que tudo indica, não é muito fácil crescer sozinho.

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