Criptomoedas

Comissão da Câmara aprova regulação de cripto. Isso é o que você devia saber sobre

Regulação de criptomoedas tem avançado em diversos países no mundo, inclusive no Brasil. Projeto de Lei pode avançar no Congresso Nacional nesta semana.

Comissão da Câmara aprova regulação de cripto. Isso é o que você devia saber sobre

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) aprovou, nesta terça-feira (22), projeto que regulamenta o segmento de criptomoedas. Desde 2015 tramitam no Congresso Nacional do Brasil projetos de lei a respeito da regulação das moedas virtuais, as cripto, que atribuem ao governo federal a responsabilidade de supervisionar e criar regras específicas para as prestadoras de serviço de ativos digitais

O tema das criptomoedas tramita centrado no Projeto de Lei 3.825/2019, que é relatado pelo senador Irajá (PSD-TO), que absorveu trechos dos outros dois textos que aguardavam na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

Foi fechado um acordo para que o texto aprovado seja apensado ao Projeto de Lei 4401/2021, de autoria do deputado Áureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), e que foi aprovado na Câmara dos Deputados em dezembro de 2021. Dessa forma, o projeto aprovado pela CAE deve ser enviado ao Plenário do Senado.

Entenda o que significa essa tramitação, e como tem caminhado a regulação no mundo.

Como pode ser a regulação de criptomoedas no Brasil

No formato atual, o PL 3.825/2019 zera impostos sobre equipamentos usados no processamento, mineração e preservação de criptomoedas, desde que a empresa de ativos use somente energia de fontes renováveis e não tenha emissão de gases do efeito estufa. Essa isenção vale para o PIS, o Cofins, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto de Importação.

Em virtude de muitos esquemas fraudulentos em nome de criptomoedas (e que não necessariamente se referem de fato à moedas digitais), o texto também cria uma tipificação penal, o crime de “fraude em prestação de serviços de ativos virtuais”. A pena de quatro a oito anos de reclusão e multa.

Tal como funciona em normatizações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em relação às instituições financeiras, o PL determina que as empresas que operam no mercado de criptomoedas devem desenvolver ações de prevenção à lavagem de dinheiro e combate à atuação de organizações criminosas, ao financiamento do terrorismo e ao financiamento da proliferação de armas de destruição em massa. Essas regras devem ser regulamentadas pelo Executivo.

Por fim, a proposta afirma que transações realizadas por moedas digitais estão sujeitas ao Código de Defesa do Consumidor.

Vale ressaltar que as regulações no Brasil em relação a ETFs de criptomoedas pela é bastante avançada. Não à toa, na B3, a Bolsa brasileira, há atualmente 67 ETFs, sendo 52 de renda variável, sete de renda fixa e seis relacionados à indicadores de criptomoedas, sendo o mais recente o QDFI11, o 1º ETF de DeFi do mundo.

Países que já regulamentaram

Conforme há uma expansão em todo o globo do mercado de criptomoedas, mais países estão regulamentando o setor.

Em outubro de 2021, por exemplo, houve nos Estados Unidos a estreia do primeiro Exchange Traded Fund (ETF) ligado a uma criptomoeda, o Bitcoin, ajudando a moeda a negociar a um valor recorde para a época.

Após esse movimento, diversas empresas protocolaram pedidos para a abertura de novos ETFs na Securities and Exchange Commission (SEC), equivalente à CVM nos Estados Unidos.

Na China, um dos principais hubs de mineração de criptomoedas no mundo, tem apresentado um risco político adverso aos ativos, com inseguranças jurídicas relacionadas à criptomoedas. Províncias chinesas restringiram a atividade de mineração de criptomoedas, enquanto o governo central proibiu tanto a mineração quanto as transações com essa classe de ativos. Vale ressaltar que o governo chinês pretende lançar uma criptomoeda a partir do Banco Popular da China (PBC), a autoridade monetária do país.

Enquanto isso, El Salvador criou uma regulação considerada mais benéfica para a atividade, considerando o Bitcoin como uma moeda legal do país. O efeito prático é que as empresas passaram a ser obrigadas a aceitar o pagamento em bitcoin, tal como a moeda oficial da nação, incorporando o bitcoin nas transações do dia a dia da população.

A Alemanha já reconhece desde 2018 o bitcoin como uma moeda de pagamento, isentando a tributação sobre ganhos de capital para criptomoedas. Outro avanço regulatório no continente europeu naquele ano foi a aprovação de uma lei na União Europeia que permitiu fundos de investimento alocar parcela do patrimônio em criptomoedas.

Na Espanha houve a autorização do Banco Central para que as instituições financeiras tradicionais possam oferecer a compra e venda de ativos digitais aos clientes.

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Luan Sperandio

Sobre o autor

Luan Sperandio

Editor-chefe da Apex Partners, analista político e colunista do Folha Business. Estudou Direito na Universidade Federal do Espírito Santo e MBA na Fucape Business School.

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