Artigo

Roberto Campos

Entenda o que é o PIX sem Teorias da Conspiração


Por Marcelo Campos
Outubro 16, 2020

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Te explicamos, sem Teorias da Conspiração, como funcionará o PIX, novo sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, que entra em operação no dia 16/11. 

De acordo com o Banco Central (BC), o Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), também conhecido pelo amigável nome de PIX, já registrou 33,8 milhões de chaves cadastradas. No entanto, apesar da sensação de sucesso instantâneo da nova plataforma, alguns alertas e problemas vêm sendo reportados com a transição dos meios de pagamentos no Brasil.

O principal problema do PIX permanece inacreditavelmente simples. Apesar das 33,8 milhões de “Chaves PIX” não-tão devidamente cadastradas (mas voltamos neste ponto mais tarde), apenas 13,7% dos brasileiros sabem afirmar do que se trata o novo sistema de pagamentos do Banco Central. Ainda de acordo com o levantamento realizado pela Globo, 37% dos brasileiros tem alguma ideia do que se trata a mais nova disrupção pró-concorrência do Banco Central.

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Pensando nisso, decidimos realizar este texto para te explicar o que é o PIX, mas sem teorias da conspiração, terraplanismos monetários e de uma forma que até mesmo o Presidente da República consiga compreender.

O que é o PIX

Segurança, transparência e agilidade, a moda brasileira. O PIX iniciou agora em outubro um processo de implementação, planejado há 7 anos. O resultado, até aqui, é reclamação de instabilidade no sistema, cadastros de “Chaves PIX” sem o devido consentimento de clientes e aplicativos que parecem não estar preparados para o volume demandado.

O sistema, que só começa a funcionar mesmo a partir do dia 16 de novembro, é uma adaptação brasileira da tecnologia do Open Banking, já inicialmente testada com sucesso na Índia, através do UPI, o PIX indiano.

Na prática, o PIX promete aposentar as Transferências Eletrônicas Disponíveis (TEDs), os Documentos de Ordens de Créditos (DOCs), os Boletos Bancários e coloca o Brasil em um posto no qual, curiosamente, somos vanguarda no mundo: agilidade no sistema financeiro.

Durante o decorrer do ano, o Banco Central abriu editais para Instituições Financeiras que desejassem participar da nova plataforma de pagamentos da autoridade monetária.  Após a inscrição em massa, e a tentativa do WhatsApp Pay de furar a fila, o sistema se prepara durante os próximos 30 dias para entregar transações instantâneas validadas em até dez segundos, 24 horas por dia e 7 dias na semana.

Apesar da confusão cadastral que muitos usuários da plataforma reportaram nos primeiros dias, na média, os clientes que optaram por adotar o sistema, receberam quatro opções para cadastramento da sua “Chave PIX”. São Elas:

  • Endereço de e-mail;
  • Número do seu telefone;
  • Número do seu CPF ou;
  • Chave Aleatória gerada pelo próprio sistema.

Na prática, o usuário do PIX pode escolher qual o nível de privacidade ele pretende ter. Apesar de não serem chaves propriamente privadas, os dados de e-mail, telefone e CPF são parcialmente ocultos na tela na hora de realizar qualquer transação.

Mesmo com essa proteção extra, não se esqueça: você estará deliberadamente estampando na tela do seu celular seus dados privados a cada vez que realizar um pagamento. Então, se o seu negócio for privacidade, a Chave Aleatória gerada pelo próprio sistema é a melhor opção. Ela não apenas dificulta fraudes, como protege suas valiosas informações pessoais no século onde dados são o novo Petróleo

Como funcionará o PIX

Existem diversas formas de utilizar o PIX. Como ele está dentro da sua conta bancária, que agora tem sua API inteiramente conectada no Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) do Banco Central, você poderá realizar e receber pagamentos de forma instantânea.

Para realizar pagamentos basta transferir para o seu amigo, ou instituição financeira, através da Chave PIX, que substitui todas as informações bancárias, como Conta, Agência, CPF e Nome do Titular, antes tão necessárias para realizar qualquer transação. Se estiver em um estabelecimento realizando compras? Abra o App do seu banco, clique na sessão do PIX e realize o pagamento através da câmera do seu celular ao apontar para um QR Code. 

Para receber não muda muito. Você envia sua Chave PIX para um amigo, ou instituição financeira, e ele realiza o mesmo procedimento. Se você é lojista, por exemplo, pode imprimir a sua Chave PIX, em um QR Code, e colocá-la no balcão, por exemplo.

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A grande questão que o Usuário do PIX deve ficar atento é para as múltiplas Instituições Financeiras. Com o surgimento dos primeiros Unicórnios Brasileiros, o Internet Banking se tornou algo comum nos grandes centros urbanos e Bancos Digitais com apelo jovem vem tentando abocanhar qualquer fatia desse mercado.

Quer um exemplo simples? Digite “PIX” no Google. Os primeiros links devem ser anúncios pagos das instituições que ficaram pra trás, já o primeiro link orgânico é uma matéria antiga no Blog do Nubank, que curiosamente teve sua última atualização no dia 14/10, depois do banco ter sido acusado de cadastrar “Chaves PIX” sem o devido consentimento dos clientes.

No “Roxinho” enfrentamos o clássico caso do UI/UX que não busca te ajudar, mas sim ludibriar o cliente dentro do aplicativo. O Nubank oferece por default CPF, celular e e-mail automaticamente preenchidos como chaves de identificação. Caso o cliente opte pela Chave PIX criptografada, por exemplo, ele deve excluir todos os três cadastros preenchidos, para apenas depois escolher uma opção mais segura.

Caso contrário, o cliente, ao realizar seu cadastro via Nubank, já registra 3, das 5 Chaves PIX que tem direito, em apenas uma instituição financeira. Outras reclamações similares foram registradas em redes-sociais por clientes do Mercado Pago, Carteira Digital do Mercado Livre, e também na PagSeguro.

Tendo isso em vista, não é de surpreender que a lista das instituições com mais cadastros sejam Respectivamente o Nubank (8,1 Mi), o Mercado Pago (4,7 Mi) e a PagSeguro (4,3 Mi). Essa corrida ao pote é, em parte justificável porque chaves de identificação com informações pessoais são mais valiosas, em valuation, do que uma chave criptografada, por exemplo.

Então bancos digitais estão aproveitando o PIX para “fidelizar” o cliente antigo, captar novos clientes e sinalizar uma espécie de sucesso estrondoso em um cadastramento, onde as regras não estão sendo necessariamente seguidas à risca.

No entanto, apesar de antiético, o novo sistema do Banco Central oferece uma portabilidade entre bancos nunca antes vista. Para encerrar seu vínculo do PIX com o Nubank, por exemplo, basta solicitar à instituição uma Portabilidade de Chaves e, num processo que deve ser instantâneo, o “Roxinho” te libera para qualquer outro banco que seja melhor para você. Sim, quem diria que o país que observaria o Banco Real e o Unibanco quebrarem, se tornaria modelo para concorrência de produtos financeiros.

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O Mercado de Pagamentos no Brasil

A verdadeira disrupção do PIX, no entanto, é constituir parte da agenda pró-concorrência adotada pelo Banco Central. Assim como em 2009, sob a gestão Meirelles, o monopólio das maquininhas foi quebrado, a ideia do novo sistema de pagamentos é reduzir o custo de soluções financeiras e aumentar a quantidade de empresas no setor.

Não a toa o Setor das Maquininhas, talvez um dos mais concorridos hoje no Brasil, começou a se adaptar ao novo sistema de pagamentos. Compreendendo a facilidade para o lojista de realizar apenas transações via PIX, empresas como a Redecard e a Safra estão reduzindo drasticamente o preço de aluguel de suas máquinas e instalando leitores de QR Code em seus equipamentos.

No entanto, a Merchant Discount Rate (MDR), conhecida em Terra Brasilis como “Custo da Maquininha”, deve ser o fiel da balança. No longo prazo e com ampla aceitação e educação dos clientes por parte dos serviços financeiros, a tendência é que cartões de débito, e em uma segunda fase até mesmo crédito, se tornem obsoletos.

Os problemas de segurança permanecem. Apesar do PIX ter rastreamento de ponta-a-ponta, assim como a tecnologia blockchain, e ampliar a confiança no sistema, a responsabilidade de combater fraudes continua terceirizada ao compliance de cada instituição financeira. Outro problema é a demasiada centralização de dados em apenas uma única instituição, o Banco Central, o que pode facilitar capturas regulatórias no futuro.

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