Artigo

Roberto Campos e Bolsonaro

Saiba o que é o PIX de um jeito que até o Bolsonaro entenderia


Por Marcelo Campos
Outubro 5, 2020

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O novo Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) do Banco Central, mais conhecido como PIX, inicia sua fase de cadastramento de chaves hoje (05/10). Te explicamos como funcionará o Open Banking brasileiro.

O Presidente Jair Bolsonaro protagonizou uma cena inusitada nesta segunda-feira (05/10). Ao conversar com apoiadores, em frente ao Palácio da Alvorada, foi parabenizado por um popular pelo início do cadastramento das Chaves PIX, essenciais para a validação de pagamentos instantâneos do Banco Central.

Mas Bolsonaro, sem entender ao certo do que se tratava a estranha sigla que saltava da multidão, resolveu responder ao apoiador: “Tem um documento aí da turma do Tarcísio (ministro de Infraestrutura) esta semana que vai praticamente desregulamentar, desburocratizar tudo sobre aviação civil aí, carteira de habilitação para piloto”.

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Ao passo que o apoiador teve que esclarecer ao Presidente da República: “Não. Esse é do Banco Central, para pagamentos”. Bolsonaro, com sua humildade típica retrucou: “Não tomei conhecimento, vou conversar esta semana com o Roberto Campos (presidente do Banco Central)”.

Tendo em vista que o Presidente ainda não sabe como funcionará o Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), responsável por sustentar o PIX, decidimos ajudá-lo e esclarecer alguns pontos:

O que é o PIX?

Segurança, transparência e agilidade, a moda brasileira. O PIX iniciou hoje um processo de implementação, planejado há 7 anos. O resultado, até aqui, é reclamação de instabilidade no sistema e aplicativos que parecem não estar preparados para o volume demandado.

De acordo com o Banco Central, 1 milhão de brasileiros já se inscreveram no primeiro dia, sendo 50 mil apenas na primeira hora. O sistema, que só começa a funcionar mesmo a partir do dia 16 de novembro, é uma adaptação brasileira da tecnologia do Open Banking, já inicialmente testada com sucesso na Índia, através do UPI, o PIX indiano.

Na prática, o PIX, nome simpático do meio de pagamentos do BC, promete aposentar as Transferências Eletrônicas Disponíveis (TEDs), os Documentos de Ordens de Créditos (DOCs), os Boletos Bancários e coloca o Brasil em um posto no qual, curiosamente, somos vanguarda no mundo: agilidade no sistema financeiro.

Durante o longo ano que tem sido 2020, monopolizado pelo caos da Pandemia do Coronavírus, o Banco Central lentamente abriu um edital para cadastro público de Instituições Financeiras que quisessem adotar o novo sistema de pagamentos instantâneos.  Após a inscrição em massa, e a tentativa do WhatsApp Pay de furar a fila, o sistema então se prepara durante os próximos 37 dias para entregar transações instantâneas validadas em até dez segundos, 24 horas por dia, e 7 dias na semana.

Apesar da confusão cadastral observada ao longo do dia, na média, os clientes que optaram por adotar o sistema, receberam quatro opções para cadastramento do que já é conhecida como “Chave PIX”. São Elas:

  • Endereço de e-mail;
  • Número do seu telefone;
  • Número do seu CPF ou;
  • Chave Aleatória gerada pelo próprio sistema.

Na prática, o usuário do PIX pode escolher qual o nível de privacidade ele pretende ter. Apesar de não serem chaves propriamente privadas, os dados de e-mail, telefone e CPF são parcialmente ocultos na tela na hora de realizar qualquer transação.

Mesmo com essa proteção extra, não se esqueça: você estará deliberadamente estampando na tela do seu celular seus dados privados a cada vez que realizar um pagamento. Então, se o seu negócio for privacidade, a Chave Aleatória gerada pelo próprio sistema é a melhor opção. Ela não apenas dificulta fraudes, como protege suas valiosas informações pessoais no século onde dados são o novo Petróleo

Como funcionará o PIX.

Existem diversas formas de utilizar o PIX. Como ele está dentro da sua conta bancária, que agora tem sua API inteiramente conectada no Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) do Banco Central, você poderá realizar e receber pagamentos de forma instantânea.

Para realizar pagamentos basta transferir para o seu amigo, ou instituição financeira, através da Chave PIX, que substitui todas as informações bancárias, como Conta, Agência, CPF e Nome do Titular, antes tão necessárias para realizar qualquer transação. Se estiver em um estabelecimento realizando compras? Abra o App do seu banco, clique na sessão do PIX e realize o pagamento através da câmera do seu celular ao apontar para um QR Code. 

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Para receber não muda muito. Você envia sua Chave PIX para um amigo, ou instituição financeira, e ele realiza o mesmo procedimento. Tudo feito através da tecnologia de Quick Response.

A grande questão que o Usuário do PIX deve ficar atento é para as múltiplas Instituições Financeiras. Com o surgimento dos primeiros Unicórnios Brasileiros, o Internet Banking se tornou algo comum nos grandes centros urbanos e Bancos Digitais com apelo jovem vem tentando abocanhar qualquer fatia desse mercado.

Então se você é aquela pessoa que tem quatro contas em quatro bancos diferentes, não se preocupe: você terá direito a criar até 5 ‘Chaves PIX’ e poderá utilizar em até 5 bancos diferentes. O que não pode é utilizar a mesma ‘Chave PIX’ em duas instituições financeiras diferentes. Dessa forma, caso esteja insatisfeito com o Banco X ou Y, poderá pedir portabilidade de chave e, instantaneamente, mudar de banco. Sim, quem diria que o país que observaria o Banco Real e o Unibanco quebrarem, se tornaria modelo para concorrência de produtos financeiros.

O PIX e sua simbiose com o WhatsApp Pay.

A parte desagradável do Open Banking, tecnologia na qual o PIX é construído em cima, é que centralizamos as informações bancárias de todos os brasileiros em um servidor controlado por uma autoridade monetária. Mas se segurança, descentralização de poder e transparência não são bem uma preocupação pra você, o PIX deve solucionar grande parte de seus problemas.

No entanto, caso você se preocupe com centralização e monopólios, a história do WhatsApp Pay, Facebook e Banco Central pode te assustar um pouco. Em meio ao processo de cadastramento do PIX, o Facebook lançou, sem aviso prévio, sua solução de pagamentos amigável ao Open Banking no Brasil. No entanto, tentando demonstrar que autarquias reguladoras funcionam por aqui, o serviço foi suspenso já no dia seguinte pelo Banco Central.

De acordo com Campos Neto, Presidente do BCB, a suspensão foi temporária e só ocorreu porque era um arranjo grande demais para não entrar no PIX. Isso ficou claro quando Roberto Campos declarou a Bloomberg: “pedimos a eles que seguissem a trilha normal de autorização como qualquer outro acordo. A principal preocupação que tínhamos era se isso iria promover a competição e proteger os dados das pessoas”.

Ao passo que o WhatsApp Pay respondeu de forma crua o poder do seu monopolista, o Facebook: “Mais de 10 milhões de micro e pequenas empresas movimentam a economia brasileira, e já é muito comum mandar um zap a essas empresas para tirar dúvidas sobre produtos e fazer pedidos. Com o recurso de pagamentos no WhatsApp, além de ver os produtos no catálogo, os clientes também poderão fazer o pagamento do produto escolhido sem sair do WhatsApp. Ao simplificar o processo de pagamento, esperamos ajudar a trazer mais empresas para a economia digital e gerar mais oportunidades de crescimento”.

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Resumo da Ópera? O Open Banking brasileiro nasce centralizado no Banco Central e já tem um player dominante, dois meses antes de seu lançamento, o WhatsApp Pay.

Pode parecer alarmista, mas a Equipe de Marketing do WhatsApp Pay está correta: a adoção em larga escala do PIX passa, necessariamente, pelo sucesso do WhatsApp Pay em se consolidar como a principal carteira digital do Brasil.

Levando em conta que 130 milhões de brasileiros têm smartphones, somado ao fato de que o WhatsApp foi instalado em 99% de todos os celulares do país em 2019 e que, em plena Pandemia, o Brasil ainda tem 45 milhões de pessoas completamente desbancarizadas, preocupações com futuros monopólios naturais no mercado de meios de pagamento são completamente relevantes.

O fato é que o PIX é uma inovação que veio para ficar. Se o seu período de adoção será de dois, três ou cinco anos é irrelevante. O ponto final é sempre o mesmo: ao mesmo tempo que deixamos de lado burocracias de serviços federais com filas e carimbos, abraçamos tecnologias disruptivas sem nos questionarmos na concentração de poder acarretada pelas mesmas.

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