Economia

De queridinha de Buffett à -70%: a trajetória da Stone

Com uma receita três vezes maior ante 2018, a Stone teve uma queda de 75% em seu valor de mercado desde a abertura de capital.

O ano era 2018, em meio a euforia dos IPO’s de tecnologia, uma empresa de pagamentos brasileira planejava realizar uma oferta pública na maior bolsa de tecnologia do mundo, a Nasdaq.

Fundada em 2012 por André Street e Eduardo Pontes, a Stone tornou-se uma sensação do mercado durante a abertura.

Com uma oferta ancorada por figurões do mercado como Warren Buffett, Jack Ma e sócios da 3G Capital, a empresa de pagamentos abriu seu capital sob uma forte alta de 30%.

A fama dos investidores aliada ao otimismo sobre as fintechs se sobrepôs a incerteza eleitoreira do período, levando a empresa a alcançar um valor de mercado superior a $9 bilhões.

Naquela época, além da boa relação dos executivos da Stone com grandes investidores, a empresa tinha outro grande fator que atraía os mais diversos olhares: seu crescimento.

Em sua divulgação financeira pré-IPO, a Stone apresentava um aumento de 91,6% em sua receita, saindo de R$331,8 milhões no último semestre de 2017 para R$635,7 milhões no primeiro semestre de 2018.

Com uma proposta de fidelização da clientela e relacionamento próximo, a Stone buscava simplificar um mercado de pagamentos extremamente enrijecido e monopolizado.

A intervenção, que pode ser vista sob bons olhos, decaiu nos últimos anos diante da saída de grandes investidores e resultados financeiros negativos.



Em fato, a Stone enfrentou uma mudança de rota após conquistar o espaço no mercado de pagamentos, ampliando sua atuação para o mercado de crédito, lugar onde prometia alcançar uma margem de lucro superior.

Com acesso a dados bancários de diversos estabelecimentos por via de suas soluções de pagamentos, a Stone estruturou sistemas de projeções de receita e utilizou dos mesmos para conceder crédito aos seus clientes.

A estratégia que parecia uma forma simples e prática de extrair receita de sua base de clientes acabou sendo um divisor de águas.

Com o Brasil sendo duramente atingido pela pandemia, as taxas de juros subiram e a inflação persistiu, pressionando as operações do público lojista da empresa e elevando brutalmente a inadimplência.

O crédito que anteriormente era visto como uma forma simples de receita se tornou o grande vilão dos balanços financeiros, trazendo um prejuízo de R$150 milhões no segundo trimestre de 2021 e forçando a empresa a interromper as operações de crédito.

Com números pouco atraentes, analistas de grandes instituições como Goldman Sachs, BTG Pactual e UBS passaram a rebaixar as recomendações de compra da empresa, conduzindo um tombo do valor de mercado da empresa.

Investidores de longa data como a própria Berkshire Hathaway, de Buffett, também reduziram suas posições, vendendo 25% da alocação inicial em maio de 2021.

Agora, em meio a uma queda brutal no valor da empresa, a Stone flerta com uma possível venda para o BTG, que visa expandir seu horizonte de operações adquirindo uma das maiores provedoras de pagamentos do país. 

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