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Da defesa do Apartheid ao seu cupom no Ifood – A história da Naspers


Por Felippe Hermes
Julho 28, 2020

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Fundado em 1981, o China Daily é o maior jornal em língua inglesa editado pelo Partido Comunista Chinês. Seus jornalistas são não apenas filiados ao partido, como responsáveis diretos por atuar em linha com a imagem que o partido busca construir ao redor do mundo.

Entre novembro de 2016 até o presente momento, o China Daily foi também responsável por despejar $19 milhões em publicidade e matérias pagas em jornais, apenas nos Estados Unidos. No ocidente como um todo, chegam a 500 as matérias publicadas com o intuito de “informar” a população do ocidente sobre o que ocorre na China.

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Apenas o The Washington Post, por exemplo, recebeu $4.6 milhões. No Brasil, a Folha de São Paulo publicou uma peça enviada pelo jornal chinês há alguns poucos meses.

A relação entre imprensa e regimes autoritários não é lá muito complicada de entender. Seja pela imprensa formalmente estatal, como no caso do jornal chinês, ou do Gramna, o jornal oficial do partido comunista cubano, ou ainda, por jornais privados.

No Brasil, em um caso emblemático, o jornal O Globo publicou durante o golpe de 1964, um editorial de apoio em relação à intervenção. Durante as passeatas pelas diretas já, o Jornal Nacional chegou ainda a retratar o ato, que reuniu algumas centenas de milhares de pessoas, como parte das comemorações pelo aniversário de São Paulo.

Muito mais direta porém, foi a atuação dos jornais ligados a Nasionale Pers, conglomerado de mídia Sul-africano, para encobrir, e apoiar, o regime do Apartheid que vigorou na África do Sul entre 1948 e 1990.

O regime de segregação racial, que chegou a privar negros sul-africanos de sua cidadania, atuou na criação de um fosso social para separar os habitantes do país por meio de sua cor, e favorecendo a minoria branca, descendente dos colonizadores europeus.

Responsável por editar jornais como o Die Burger, o grupo foi fundado em 1915, por 5 descendentes de europeus, britânicos e holandeses, e passou a publicar jornais em holandês direcionados a população africâner.

Dentre seus fundadores estava James Hertzog, fundador do Partido Nacional, o partido que viria a implementar o regime racista no final dos anos 40. De fato, 3 de seus fundadores serviram como primeiro-ministros do país, de maneira ininterrupta entre a fundação do jornal e 1943.

Nos anos que se seguiram a morte de seus fundadores e a implementação do Apartheid, os editoriais dos principais jornais do grupo se tornaram parte fundamental da comunicação do regime. 

Em 1977, por exemplo, o Die Burger, jornal de propriedade do grupo, atribuía a revolta provocada pela morte de um ativista negro a “tentativas de desacreditar a instituição policial sul-africana”.

A relação umbilical entre o grupo de mídia e o governo perdurou até o final do regime, extinto oficialmente em 1990, pelo último primeiro ministro (e posteriormente eleito presidente), do “Partido Nacional”, Pieter Willem Botha.

Durante os anos seguintes, o regime democrático instaurou uma comissão para avaliar casos de violação de direitos humanos. Diretores da empresa recusaram-se a cooperar. Foi apenas em 2015, no centenário de fundação, que um pedido de desculpas foi oficialmente feito.

No período que se seguiu a instauração da democracia no país, a então Nasionale Pers Beperkt, mudou seu nome para Naspers e ampliou sua atuação, concentrando-se em criar os negócios que lhe tornaram hoje um dos mais influentes grupos de mídia do planeta.

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Sendo a maior companhia de TV por satélite do continente, dona de inúmeras estações de TV, rádio e jornais, a empresa já se destacaria entre os grandes grupos de mídia do mundo, mas foi um “toque de midas”, que a deixou conhecida.

De fato, a Naspers foi responsável pelo mais bem sucedido investimento de “venture capital” do planeta. Em 2001 o grupo investiu $32 milhões em uma participação em uma então desconhecida companhia chinesa chamada Tencent.

Quase duas décadas depois, a empresa chinesa cresceu, se tornando uma das maiores empresas de tecnologia do planeta. Dentre suas atuações, por exemplo, estão o conhecido WeChat, o “super app” chinês, que serve de rede social a plataforma de serviços, passando por meio de pagamentos, utilizado por nada menos do que 1 bilhão de pessoas no mundo.

A empresa ainda é dona de parte da Blizzard, responsável pelo “World of Warcraft”, da Epic Games e outras inúmeras produtoras e lojas de games, além do Baidu, aquele buscador que você ainda não descobriu como desinstalar do seu computador.

Tudo isso contribui para que a companhia tenha um valor de mercado superior a meio trilhão de dólares, e consequentemente dê a Naspers uma participação de $140 bilhões, pelos seus 31% na companhia (nada mal comparado aos $32 milhões iniciais).

Casos como estes são raros, tendo pouco paralelos, mesmo entre o Midas americano, Warren Buffett. Feito comparável apenas, pode ser atribuído ao famoso fundador do Softbank, Masayoshi Son, que transformou $20 milhões investidos no Alibaba em $101 bilhões, em um período de 2 décadas.

O fato é que a despeito da sorte no investimento citado, a Naspers se tornou uma empresa muito mais ampla do que o jornal que lhe deu origem. Em 2006 por exemplo, a empresa adquiriu uma participação na brasileira Abril, além de um raros casos de empresas brasileiras criadas durante a chamada “bolha das ponto com”, o Buscapé, adquirido em 2009 por $342 milhões (R$700 milhões).

Nos últimos anos a empresa embarcou naquela que é considerada a onda da década, a chamada “Gig Economy”, ou “economia do compartilhamento”. Tendo comprado fatias relevantes em empresas como a Delivery Hero, da Alemanha, a Swiggy da Índia e o brasileiro Ifood. 

Recentemente por exemplo, a companhia liderou uma rodada de $500 milhões (sim, dólares), na empresa brasileira, o que lhe uma participação de 54,7%.

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Assim como inúmeras outras empresas, como já citado Softbank, investidor da Rappi, empresas ao redor do planeta tem focado nesta modalidade de negócios, graças a sua capacidade de escala. 

Com recursos cada vez mais baratos para captar, seja pelos bem sucedidos investimentos no passado ou pelas taxas de juros cada vez menores, a Gig Economy “veio para ficar”.

Trata-se de um modelo bastante aquém daquele esperado por grandes empresas de tecnologia, mas que pela comodidade tem gerado demanda e, principalmente, encontrado mão de obra disponível. 

Seja por regulações ou por buscas em novos caminhos, tais empresas devem sofrer grandes mudanças nos próximos anos. Mas uma verdade prevalecerá: a permanência de seus modelos de negócios é inevitável em um futuro próximo.

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