Economia

Amazon aposta em vacinas contra o câncer e telemedicina para faturar em saúde

A empresa fundada por Jeff Bezos está realizando testes clínicas de uma vacina contra o câncer de mama e câncer de pele, além de anunciar aquisições na área de saúde.

Como o jornalista Brad Stone definiria na biografia da empresa, o objetivo da Amazon desde o princípio era se tornar uma “Loja de tudo”. Livros, algo fácil de embalar e despachar, foi uma maneira simples de começar. 

Desde o princípio, porém, a Amazon se especializou em disruptar setores tradicionais. Em suma, a empresa utiliza do seu tamanho para obter ganhos de escala e reduzir dramaticamente o custo dos bens e serviços que vende.

Tal ideia há muito deixou de ser aplicada apenas em livros, e desde ao menos 2006, vem se expandindo para áreas diversas utilizando-se do resultado de uma outra vertical da empresa: a AWS.

A empresa de computação da nuvem, que detém ao menos 50% do mercado, se tornou uma forte geradora de caixa, o que permitiu a Amazon promover dumping em diversos setores, tornando-se um concorrente de peso, e temido por indústrias das mais diversas.

O resultado é que neste momento, o lucro da Amazon decorre de setores distintos daquele pelo qual a empresa é conhecida, o e-commerce, e concentra-se em áreas auxiliares.

No e-commerce, de fato, a empresa pode se dar ao luxo inclusive de perder dinheiro. 

Com um valor de mercado na casa de $1,1 trilhão de dólares, a empresa agora se volta para setores tão grandes quanto o próprio varejo na busca por expansão. 

Como Steve Galloway, professor da NYU e especialista em Big Techs, comenta: uma empresa de $1 trilhão só pode continuar crescendo se avançar sobre setores também trilionários.

Nas últimas décadas, o mercado de publicidade, que movimenta $285 bilhões de dólares por ano, se tornou um universo em disputa, com Google, Facebook, Apple e mesmo Amazon buscando uma fatia. Agora, ao que tudo indica, o mercado de saúde, que movimenta $3 trilhões por ano, pode ser o novo alvo.

Repleto de regulações e restrições que impedem a competição, o mercado de saúde apresentaria espaço para empresas de tecnologia, com farto capital e capacidade de distribuição, abocanhar fatias relevantes.

Na última semana, a Amazon deu mais um passo nessa direção, realizando sua terceira maior aquisição, por R$21 bilhões. A empresa adquiriu o controle da One Medical, uma operadora de telemedicina nos EUA.

A aquisição se soma a PillPack, uma farmácia online com distribuição utilizando a rede de logística da própria Amazon.

Uma das maiores apostas da empresa, porém, está numa parceria com a Fred Hutchinson, para desenvolver uma vacina contra câncer de pele e câncer de mama. O desenvolvimento está neste momento em fase de testes, com aval da FDA, a agência reguladora de saúde nos EUA.

Segundo a consultoria CB Insights, as 5 maiores empresas de tecnologia dos EUA investiram ao menos $3 bilhões de dólares em aquisições na área de saúde apenas em 2021. Com a aquisição recente da Amazon o número deve mais do que dobrar em 2022.

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