Economia

Petróleo já custa menos do que antes do início da guerra, menos no Brasil

O petróleo voltou a ser cotado abaixo dos $96,8 do dia anterior ao início do conflito na Ucrânia.

O temor de recessão nos Estados Unidos tem levado a cotação do petróleo a cair de maneira constante. O barril do petróleo, que já chegou a ser cotado em $139, agora está sendo vendido por $94,7, preço menor que antes da guerra da Ucrânia.

A queda ocorre em meio a uma alta por parte dos juros nos EUA, que a despeito de ainda seguirem “negativas” (quando considerada a inflação), seguem uma tendência de queda.

Ao mesmo tempo, o Banco central americano, o FED, segue em seu processo de “desinflar” o balanço, vendendo ativos na ordem de $30 bilhões mensais. 

O processo, conhecido como “Quantitative Tightening”, ou QT, é o oposto do Quantitative Easing, pelo qual o FED injetou trilhões na economia ao longo da última década.

A estimativa do mercado é de que os EUA tenha uma queda de 1,4% no PIB em 2022, seguida de uma recuperação lenta em 2023.

O processo, se espalha pelo resto do mundo, em especial pela europa, pressionada até pouco tempo com as altas constantes nos custos de energia, e a ausência de gás em meio ao outono/inverno.

Estimativas apontam que o PIB da Zona do Euro possa cair 3,6% em 2022, devolvendo praticamente toda a retomada de 2021.

A pressão causada pela recessão também ocorre em função da queda de consumo presente, dada a alta de preços nos EUA. O Goldman Sachs estima que o consumo de gasolina nos EUA esteja próximo aos níveis de 1996. 

Novos surtos de covid-19 na China também pressionaram o petróleo, uma preocupação, que ao que tudo indica, tem diminuído.

Petróleo em Reais segue em alta por conta do câmbio

Apesar da queda do barril em dólares, o petróleo no Brasil continua sendo pressionado pelo câmbio, que chegou a ser negociado em R$4,7 e agora segue acima de R$5,4.

A preocupação com a solvência do governo, ou seja, sua capacidade de pagar suas dívidas, tem crescido na medida em que medidas como  o Teto de Gastos seguem questionadas por conta da PEC Kamikaze. 

As NTBs, Notas do Tesouro Brasileiro, têm sido negociadas a juros de 6,4% reais, ou seja, acima da inflação. Essa taxa de juros implica que o governo precisa contar com um aumento de arrecadação similar, a despeito de o PIB crescer 2%. 

Os juros mais altos pressionam a trajetória da dívida/PIB, o que por sua vez pressiona os juros praticados na iniciativa privada.

Uma taxa de juros maior tem sido apontada como causa de uma provável desaceleração na economia brasileira no segundo semestre deste ano, e um desempenho mais fraco em 2023.

A gasolina, que por aqui segue o preço internacional, sofreu uma queda em função dos subsídios aprovados no congresso, mas a medida tem previsão de durar apenas até dezembro, o que gera incerteza sobre o valor futuro.

No início do conflito, o dólar era negociado a R$5,03, o que implica dizer que a despeito da queda em dólar, o preço do barril de petróleo subiu no Brasil.

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