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Programar sem escrever código: o que é vibecoding e por que desenvolvedores brasileiros estão aderindo

A prática que permite criar aplicações inteiras conversando com inteligência artificial generativa ganha força entre startups, devs independentes e até projetos de blockchain no Brasil.

Programar sem escrever código: o que é vibecoding e por que desenvolvedores brasileiros estão aderindo

Em fevereiro de 2025, Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI e ex-diretor de IA da Tesla, publicou um post que viralizou. Ele descreveu uma forma nova de programar: sentar, conversar com um modelo de linguagem e deixar a IA escrever todo o código. Chamou isso de vibe coding. Desde então, entender o que é vibecoding se tornou relevante não apenas para engenheiros de software, mas para qualquer pessoa que acompanhe a aceleração da inteligência artificial generativa e seus impactos econômicos.

Afinal, o que é vibecoding?

Vibecoding é uma prática de desenvolvimento de software em que o programador descreve, em linguagem natural, o que deseja construir, e uma inteligência artificial generativa escreve o código correspondente, eliminando ou reduzindo drasticamente a necessidade de digitação manual de sintaxe. O nome vem de vibe (vibração, sensação) porque o desenvolvedor guia o processo pela intenção, não pela execução técnica linha a linha. Em vez de abrir um editor e digitar Python ou JavaScript, o usuário diz ao modelo algo como “crie uma API REST que consulte a cotação do bitcoin em tempo real” e revisa o resultado.

Karpathy descreveu a experiência assim: “I just see things, say things, run things and copy-paste things, and it mostly works.” Em tradução livre: ele vê, fala, executa e copia, e na maioria das vezes funciona. Essa frase captura o espírito do vibecoding. O controle criativo continua humano; a execução sintática migra para o modelo.

Como o vibecoding funciona na prática?

O fluxo é mais simples do que parece. O desenvolvedor abre uma ferramenta equipada com um modelo de linguagem grande (LLM) e descreve a funcionalidade desejada em texto correto, mas coloquial. A IA gera blocos de código, testes e até documentação. O humano revisa, aceita ou pede ajustes. O ciclo se repete até o software estar pronto.

As ferramentas mais usadas hoje incluem:

  • Cursor: editor de código com IA integrada que autocompleta e refatora em tempo real.
  • Replit Agent: ambiente online que transforma descrições em aplicações funcionais com deploy automático.
  • Claude Code: ferramenta de linha de comando da Anthropic para geração e edição de código via conversa.
  • GitHub Copilot: assistente da Microsoft e OpenAI embutido no VS Code, pioneiro na geração de código por contexto.

Um levantamento do GitHub, publicado em junho de 2024, mostrou que desenvolvedores que usam o Copilot completam tarefas até 55% mais rápido do que aqueles que programam sem assistência de IA. Segundo pesquisa da Stack Overflow Developer Survey 2024, 76% dos desenvolvedores entrevistados já utilizam ou planejam utilizar ferramentas de IA no fluxo de desenvolvimento. Esses números ajudam a dimensionar o terreno em que o vibecoding cresce.

Por que o vibecoding importa no Brasil?

O Brasil tem a sexta maior comunidade de desenvolvedores do mundo, com mais de 1,5 milhão de profissionais, segundo dados da plataforma Statista. Ao mesmo tempo, o país enfrenta um déficit estimado de 530 mil profissionais de tecnologia até 2025, conforme projeção da Brasscom. Esse descompasso faz do vibecoding uma ferramenta estratégica: ele reduz a barreira de entrada e permite que profissionais com menos experiência em sintaxe entreguem protótipos funcionais.

Na cobertura do BlockTrends, observamos que startups brasileiras de Web3 e fintechs já adotam essas ferramentas para acelerar MVPs de smart contracts e dashboards de DeFi. Um desenvolvedor solo em Recife ou Belo Horizonte consegue, com vibecoding, prototipar um bot de arbitragem ou uma interface de carteira digital em horas, não semanas. Isso redistribui poder criativo e encurta ciclos de inovação.

Do lado regulatório, o vibecoding em si não é regulado, mas os produtos que ele gera sim. Aplicações financeiras devem seguir as normas do Banco Central e da CVM, independentemente de terem sido escritas por humanos ou por IA. A LGPD também se aplica: se um modelo gera código que coleta dados pessoais, a responsabilidade de conformidade recai sobre quem solicitou a criação.

Vibecoding substitui programadores de verdade?

Não. Esse é o mito mais repetido sobre o tema. Vibecoding redistribui o trabalho, não o elimina. O código gerado por IA frequentemente contém bugs sutis, vulnerabilidades de segurança e decisões arquiteturais questionáveis. Quem opera sem entender o que a máquina produziu corre risco real. Um smart contract com falha de reentrância, por exemplo, pode drenar fundos de um protocolo inteiro.

O próprio Karpathy foi claro ao dizer que vibecoding funciona para projetos descartáveis ou protótipos rápidos. Para sistemas críticos, a revisão humana profunda continua insubstituível. O que muda é o perfil do trabalho: menos digitação mecânica, mais curadoria, arquitetura e pensamento crítico. Desenvolvedores experientes que dominam vibecoding se tornam multiplicadores de produtividade. Já iniciantes que confiam cegamente na IA podem gerar dívida técnica difícil de pagar.

Qual a relação entre vibecoding e o ecossistema cripto?

A interseção é natural. Blockchain exige código auditável, e muitos projetos operam com equipes enxutas. Ferramentas de vibecoding já conseguem gerar contratos em Solidity e scripts de interação com redes como Ethereum e Solana. Plataformas como Replit e Cursor permitem testar esses contratos em testnets diretamente do ambiente de conversa.

Mas a auditoria continua indispensável. O vibecoding acelera a primeira versão; não substitui revisão formal de segurança. Empresas como CertiK e OpenZeppelin seguem essenciais na cadeia de valor. O vibecoding, nesse contexto, funciona como primeiro rascunho que depois passa pelo crivo de auditores humanos e ferramentas de análise estática.

Leia também: O que é inteligência artificial generativa · O que são smart contracts · O que é Web3

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Lucas Ferreira
Fica na fronteira onde a inteligência artificial encontra o dinheiro. Cobre big techs, os modelos que saem dos laboratórios e a disputa por chips por trás de tudo. Mostra por que cada movimento do setor mexe com o mercado.
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