Nvidia Mira US$ 78 Bi em Receita: O Que Esperar do Próximo Trimestre
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Nvidia mira US$ 78 bilhões em receita no próximo trimestre: o que esperar

Nvidia divulga resultados do Q1 fiscal 2027 em 20 de maio, com guidance de US$ 78 bilhões — 77% acima do mesmo período do ano anterior. Demanda por Blackwell e restrições à China são os vetores decisivos.

Nvidia mira US$ 78 bilhões em receita no próximo trimestre: o que esperar

Sede da Nvidia em Santa Clara, Califórnia. A empresa é a mais valiosa do mundo, com capitalização de US$ 4,9 trilhões. Foto: Unsplash

A Nvidia reporta os resultados do primeiro trimestre do ano fiscal 2027 no dia 20 de maio. A própria empresa guiou para uma receita de US$ 78 bilhões, com margem de variação de 2% para cima ou para baixo. O número ficou bem acima da expectativa média dos analistas antes do guidance, que projetavam US$ 72,6 bilhões — uma surpresa positiva que reforça a confiança na tese de crescimento acelerado pela infraestrutura de inteligência artificial.

O guidance representa um avanço de 77% em relação ao Q1 do ano fiscal anterior, quando a receita foi de US$ 44,1 bilhões. A margem bruta não-GAAP projetada é de aproximadamente 75%, patamar que a empresa vem sustentando consistentemente nos últimos trimestres.

O motor é o data center — e o Blackwell domina

O segmento de data center é o coração financeiro da Nvidia. No Q4 do ano fiscal 2026, encerrado em janeiro, o segmento gerou US$ 62,3 bilhões em receita — alta de 75% na comparação anual e responsável por mais de 90% do faturamento total da companhia. Dentro desse número, a plataforma Blackwell já representava cerca de 70% da receita de computação do data center.

No ano fiscal 2026 como um todo, a Nvidia atingiu US$ 216 bilhões em receita, crescimento de 65% sobre o ano anterior, e registrou US$ 120 bilhões de lucro líquido. Somente no quarto trimestre, o lucro líquido foi de US$ 43 bilhões — alta de 94% na base anual.

Para o ano fiscal 2027 completo, o consenso de Wall Street projeta receita de US$ 367,7 bilhões, o que representaria crescimento de aproximadamente 70%. O lucro por ação estimado é de US$ 8,25, avanço de 73% sobre o ano fiscal anterior.

Restrições de exportação: risco calculado com potencial de upside

O guidance de US$ 78 bilhões para o Q1 assume receita zero de computação para data center na China. Essa é uma premissa conservadora e estratégica. A Nvidia já absorveu um impacto de US$ 4,5 bilhões em encargos relacionados a controles de exportação do chip H20 no Q1 do ano fiscal 2026, e projetava US$ 8 bilhões em perda de receita no trimestre seguinte.

A situação, porém, evoluiu. Após endurecer as restrições em abril de 2025 — banindo até chips considerados “em conformidade” — o governo americano voltou atrás e sinalizou que licenças para o H20 seriam aprovadas. A China representa cerca de 13% da receita histórica da Nvidia e abriga aproximadamente metade dos desenvolvedores de IA do mundo. Qualquer flexibilização regulatória funcionaria como upside puro sobre o guidance atual.

Blackwell Ultra e Rubin: o roadmap que sustenta a tese

Além dos resultados de curto prazo, o roadmap de produtos é o que mantém a Nvidia na posição de quase-monopólio em aceleradores de IA. A plataforma Blackwell Ultra, já anunciada, promete o dobro de aceleração na camada de atenção e 1,5 vez mais FLOPS de computação de IA em comparação com a geração anterior.

No horizonte seguinte, a plataforma Rubin — composta por seis novos chips — projeta redução de até 10 vezes no custo por token de inferência em relação ao Blackwell. Esse é um dado crítico: à medida que a IA generativa avança para aplicações empresariais em escala, o custo de inferência se torna o principal gargalo econômico. Quem conseguir reduzi-lo drasticamente captura uma fatia desproporcional do mercado.

A ação da Nvidia negocia em torno de US$ 202, com capitalização de mercado de US$ 4,9 trilhões — a maior do mundo. O múltiplo permanece elevado, mas sustentado por uma taxa de crescimento que poucas empresas da história conseguiram manter nessa escala. O próximo trimestre vai mostrar se a máquina de receita continua acelerando ou se a lei dos grandes números começa a cobrar seu preço. Profissionais que desejam entender a dinâmica dos mercados de tecnologia e ativos digitais encontram mais de 60 cursos disponíveis na plataforma da BlockTrends em blocktrends.app.

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Renato Moura

Sobre o autor

Renato Moura

Jornalista especializado em finanças, tecnologia e criptoativos. Cobre mercados financeiros, inovação e os impactos da economia digital no Brasil e no mundo.

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