Economia

Inflação americana ao consumidor chega a 7%, a maior desde 1982

Crise nas cadeias de suprimento e alta de preços ligados a energia e alimentos puxam o CPI americano para o maior valor desde 1982.

Uma década após o fim do padrão dólar-ouro, em 1971, a economia americana vivia uma situação única na história: inflação e desemprego em alta.

O cenário, agravado pela desancoragem de expectativas em relação ao dólar, se aprofundou em meio aos choques do petróleo, quando em reação ao excesso de impressão de moeda, os árabes retaliaram cortando produção e forçando uma alta no barril de $12 para $60 em valores de hoje.

Filas de carros buscando abastecer e uma economia em colapso levaram o Banco Central Americano a agir.

Sob o comando de Paul Volcker, os EUA elevaram os juros para 20% ao ano, uma taxa comparável a países latino-americanos nos anos 80.

Por aqui, o cenário de caos nos EUA ganhou um apelido, que começou pelo México: década perdida.

Países latino-americanos altamente endividados nos anos 70, tornaram-se insolventes. Com a alta de juros por lá, pagar dívidas em dólar se tornou praticamente impossível. Para o Brasil, a moratória, ou o popular “calote”, veio em 1985.

O Brasil, como os demais latino-americanos, mergulhou em uma crise com a moeda americana se valorizando contra moedas locais, graças ao fluxo de investidores que retirava recursos daqui para surfar a alta de juros por lá.

O cenário de 2021, com o CPI, ou Índice de Preços ao Consumidor, apresentou o maior índice de inflação desde justamente 1982, em 7%.

No caso atual, as similaridades ficam por conta da elevada impressão de dinheiro para combater os efeitos da pandemia de coronavírus. No mercado de trabalho americano, porém, a situação é bastante mais favorável, com oferta de empregos superando em muito a demanda, o que leva milhões de americanos a abandonar seus empregos.

As causas da inflação americana não são nada diferentes das brasileiras, com a diferença, claro, de que por aqui a desvalorização do real aumenta a conta.

Choque de energia, aumento de preços de alimentos e itens relevantes na cesta de consumo americana, como carros usados, tiveram as maiores altas.

A desordem nas linhas de produção, como a crise nos chips que diminuiu a produção de veículos e eletrônicos, contribuiu para a alta de preços.

No cenário atual, o FED, o Banco Central americano, já anunciou que prevê para 2022 ao menos 3 altas de juros, em um sinal de que irá buscar “desacelerar” a inflação de ativos, que ganhou escala com a injeção de ao menos $4 trilhões de dólares na economia.

O cenário de elevação de juros por lá, claro, afeta o Brasil. Investidores veem com cautela o país em meio a instabilidade de anos eleitorais, apesar de a mega desvalorização do real propiciar a compra de ativos “na baixa”.

Por aqui, a alta de juros iniciada em julho de 2021 já começa a pesar na conta. A previsão do boletim Focus, que reúne a mediana das expectativas de mercado, é de que o crescimento do PIB deva ficar abaixo de 0,5%, com alguns analistas apostando até mesmo em recessão.

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