Artigo

Custo pelo Coronavírus pode chegar a R$1,6 trilhão no Brasil


Por Felippe Hermes
Abril 7, 2020

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Desde pelo menos 1962, quando começa a série histórica do PIB brasileiro, o país jamais enfrentou uma crise tão grande. Ao menos é o que indica um dos cenários previstos pelo Centro de Macroeconomia Aplicada da FGV.

  • Resumo da notícia:
    – Ações do Banco Central para injetar liquidez devem colocar R$1,22 trilhão no mercado
    – Déficit primário deve ficar entre R$450 e R$600 bilhões
    – Dívida pública pode chegar a 88% do PIB
    – Queda do PIB é estimada em até 4,4%

A queda, de até 4,4%, contrasta com o otimismo de organismos internacionais como o FMI, que em 20 de janeiro deste ano chegou a elevar a previsão de crescimento da economia brasileira. Com a crise que se alastrou no mundo no início de março, na medida em que países europeus começaram a perder o controle sobre a pandemia, inúmeros foram os setores afetados.

Em resultado divulgado no começo desta semana, a GOL anunciou uma queda de 29,2% no total de passageiros. Outras medidas, como redução de 50% nos salários da tripulação e 40% nos ganhos da diretoria da companhia, são apenas parte daquilo que tem se tornado comum entre todas as empresas.

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Com perspectiva de enfrentar fechamento do comércio por pelo menos 1 mês e meio, negócios mais sólidos lutam para captar recursos, mesmo que pagando taxas maiores do que as vistas meros 2 meses antes. Em um levantamento feito pelo Valor, o custo de captação para grandes empresas subiu de CDI + 1,4% para CDI + 4% durante a crise.

Para aplacar a escassez de crédito durante a crise, o Banco Central aprovou a injeção de R$1,22 trilhão na economia, divididos em 6 medidas, dentre as quais: compulsório e liquidez de curto prazo (R$197 bilhões), empréstimos com garantia em letras financeiras do Tesouro (R$670 bilhões) e novas garantias para depósitos a prazo (R$200 bilhões).

Em outro ponto, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou o Fundo Garantidor de Crédito a dobrar as garantias de crédito para até R$40 milhões, nas chamadas DPGEs, que incluem garantias especiais.

Ainda que não exista risco iminente ao sistema financeiro, o governo tem utilizado os bancos, públicos e privados, como maneira mais ágil de chegar até a ponta. Ao contrário da Renda Básica e outras questões que impactam o orçamento do governo, as medidas adotadas pelo Banco Central não necessitam de aprovação do congresso, por se tratarem de casos já previstos.

Outras medidas do Banco Central podem ser incluídas, desta vez mediante aprovação do congresso, na chamada “PEC do Orçamento de Guerra”. A compra de títulos privados pelo banco não é prevista nas normais atuais, mas pode vir a ser aprovada pelo congresso em caráter emergencial, criando uma espécie de “Quantitative Easing” brasileiro. Assim é conhecido o mecanismo pelo qual o Banco Central americano, o FED, injeta liquidez direto no mercado.

Do ponto de vista fiscal, o governo já alerta que o déficit primário (aquele que não inclui gastos com juros), pode chegar a R$500 bilhões. Analistas do mercado já preveem que o valor pode ser ainda maior, dado que se espera uma queda acentuada na arrecadação por conta da paralisia na atividade econômica.

Este resultado tende a ser o pior já enfrentado pelas contas públicas brasileiras em toda sua história. Somado a queda no PIB, que pode variar entre -2 e 4%, o valor significaria um aumento de 9 a 12% na dívida pública, hoje em 76% do PIB.

Na prática, em um único ano o país pode ampliar sua dívida em todo valor previsto no pior cenário fiscal de 2017, antes da aprovação da reforma da previdência e da PEC do Teto.

Como ressalta em coluna para a Folha o economista Marcos Mendes, responsável direto pela PEC do Teto, a conta da crise demandará inúmeras medidas de contenção, obrigando o país a entrar em uma austeridade forçada pelos próximos anos.

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Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

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