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Como Elizabeth Holmes criou uma fraude de $9 bilhões

De empreendedora genial a símbolo dos excessos do Vale do Silício, Elizabeth Holmes protagonizou um dos casos públicos mais “surrealistas” do mercado na década, convencendo investidores a aportar em uma máquina virtualmente impossível.

Coube a Ayn Rand, a escritora Russo-americana, fundamentar e disseminar o “mito do fundador”.

A ideia de que um indivíduo, de natureza genial, expõe suas ideias e acaba fundando um empreendimento quase que por sua inteira responsabilidade.

Ao longo das últimas décadas, o debate tem ido e voltado em torno de uma mesma pergunta: o mito do fundador realmente se sustenta?

Ao longo dos anos 80, por exemplo, a Apple começava a ganhar escala, quando John Sculley, o CEO da Pepsi na época, assumiu o comando como CEO da empresa da maça.

A missão de Sculley era limpar a bagunça deixada pelo gênio fundador Steve Jobs e seus projetos fracassados, como o computador Lisa II.

Sculley foi relativamente bem sucedido no início, mas no início dos anos 90, a Apple voltou a ter problemas.

Em 1997, Steve Jobs vende a Pixar, a empresa que havia criado no meio tempo entre ser demitido e readmitido pela Apple, e volta ao comando da empresa que fundou, tirando a empresa de uma quase falência.

Sob o comando de Jobs, a Apple lançaria o iPod e posteriormente o iPhone. 

Em 2011, porém, uma nova mudança. Tim Cook, assumiu a empresa, levando a Apple dos $384 bilhões de valor de mercado aos históricos $3 trilhões. Cook era novamente um “burocrata”, como Sculley.

Elizabeth Holmes, a fundadora da Theranos, se vendeu ao longo de mais de uma década como a “nova Steve Jobs”. Da maneira de vestir, aos trejeitos. 

Ao longo dos anos de investigação, ficou comprovado que Holmes fraudava inclusive sua voz, por meio de um modelador sintético, por considerar que pessoas com tom mais grave na voz passam mais credibilidade.

Sua empresa, que prometia entregar mais de 200 resultados de testes feitos com uma quantia ínfima de sangue, era de fato revolucionária, ou seria, se tivesse saído do papel.

Como a pesquisadora da universidade de Macquarie University, Austrália, Andreá Ribeiro explica “O primeiro desafio se baseia numa limitação tecnológica: não existem métodos universais que sirvam para a análise de todos os parâmetros que a Theranos se  propunha a medir.”

Ainda segundo a pesquisadora, a proposta da Theranos pode ser considerada “matematicamente impossível”.

Holmes tinha apenas 19 anos quando abandonou a universidade de Stanford para se dedicar a criação da Theranos. Filha de burocratas de alto nível em Washington, capital americana, vinha de uma família rica, o que segundo conhecidos a teria “pressionado” para ter uma carreira de sucesso.

Criar uma máquina do tamanho de um computador pessoal que elimine a necessidade de centenas de procedimentos foi uma promessa e tanto, mas a grande questão na trajetória de Holmes, e da Theranos, foi o quanto a empresa durou.

Entre a fundação em 2003, e reportagens do Wall Street Journal em 2015, denunciando que a empresa usava máquinas comuns para fazer os diagnósticos e escondia este fato do público, a empresa levantou ao menos $700 milhões.

Holmes se tornou uma estrela no Vale do Silício, participando de eventos como os da Fundação Clinton, e estampando capas de revistas.

Angariou milhões de nomes como Rupert Murdoch, o bilionário fundador da FOX, além de outros mais ligados ao meio Tech, como Larry Elisson, da Oracle. 

A disputa no julgamento de Holmes, que ocorreu em 2022, quase 7 anos após as denúncias, se baseiam em apelar para a ideia de que toda startup enfrenta dificuldades entre suas promessas e as estreias, e que os investidores deveriam estar cientes dos riscos.

Ainda assim, o caso vai além da dificuldade entre a promessa e a prática, com casos de fraude e ausência de transparência.

Holmes foi condenada em 4 das 11 acusações que sofreu. Um destino mais trágico do que outro fundador, também envolvido em fraude corporativa: Adam Neumann.

Adam fundou o WeWork, uma rede de escritórios compartilhados. Por meio de um “carisma” pessoal, levantou $9 bilhões junto a investidores, e viu a sua imobiliária Tech ser avaliada em $47 bilhões.

Ao contrário de Holmes, Neumann saiu do caso ainda bilionário, na medida em que o investidor principal, o Softbank, busca salvar a empresa.

Um filme deve ser lançado contando a história sobre os 13 anos em que Holmes encobriu a farsa sobre a sua máquina milagrosa, a “Edison”. Um documentário também foi lançado pela HBO.

Na prática, a balança no jogo entre “CEOs” e fundadores, segue dividida. Mark Zuckerberg comanda o Facebook com mãos de ferro, enquanto Jeff Bezos (Amazon), Larry Page e Sergey Brin (Google), Bill Gates (Microsoft), já aderiram a ideia de dar um passo para trás e garantir independência ao negócio. 

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