Economia

Como a Netflix perdeu $160 bilhões (2 Petrobras), em apenas 4 meses

Com 220 milhões de assinantes, a Netflix enfrenta hoje um período de saturação no mercado, além do aumento da concorrência.

Foi em 15 de janeiro de 2007 que a Netflix anunciou uma mudança radical na sua estrutura: um serviço de streaming.

Fundada em 1997, a empresa passou quase metade de sua história como um site que alugava DVDs pelos correios, até que a evolução da tecnologia permitisse a entrada no serviço de “vídeos online”.

Foi um longo período, marcado pela quase falência em meio ao crash das empresas de internet em 2000-2001, mas que se mostraria um verdadeiro fenômeno.

Ao final da década de 2010, nenhuma outra ação havia se valorizado tanto quanto a da Netflix no índice da bolsa americana, o S&P 500. Foram 4000% de alta.

Na prática, o sucesso do streaming demoraria ainda mais tempo para ocorrer, com o primeiro sucesso (House of Cards), sendo lançado em 2013, quase 2 anos após a chegada da Netflix em países como Brasil, Argentina, Canadá e Chile.

Com uma série de produções engajando o público, os anos seguintes fizeram a empresa explodir em número de assinantes, praticamente redefinindo a lógica das próprias “startups”, e moldando gigantes como a Apple, que passaram também a valorizar o modelo de “assinaturas”.

Em suma, o sucesso da Netflix ajudou a moldar a indústria, que passou a se tornar obcecada com a noção de “receita recorrente”. Uma simples assinatura que todo mês é cobrada no seu cartão, ajuda a projetar receitas e garante um valor de mercado elevado para a empresa.

O custo disso, porém, é um aumento expressivo na produção de conteúdo.

Entre 2013 e 2021, os gastos com conteúdo próprio saíram de $2,3 bilhões para $19 bilhões!

O resultado foi uma massificação do serviço, com 220 milhões de assinantes.

Desde então, porém, as ações da Netflix têm apresentado uma queda acentuada. Nos últimos 4 meses a empresa perdeu $160 bilhões de dólares em valor de mercado.

O valor é equivalente a 2 vezes o valor de mercado da Petrobras, e fez o valor de mercado total da empresa que já havia sido incluída no grupo das FAANG (Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google), cair de $330 bilhões para cerca de $160 bilhões.

Em janeiro deste ano, a empresa fundada por Reed Hastings, perdeu $50 bilhões em um único dia.

E as razões para a queda não são lá tão novas.

O primeiro e mais óbvio, é o custo de licenciar produtos de estúdios e produtoras independentes. Tendo em vista que cada estúdio ou empresa do setor possui seu próprio serviço de streaming, as opções da Netflix se tornaram limitadas. Um exemplo claro desta prática é o fim de produções da Marvel, que passaram a ser feitas no Disney+.

Esse tipo de situação obriga a Netflix a investir ainda mais em filmes e conteúdos próprios.

Com a alta de juros, uma empresa que depende de capital para produzir, acaba tendo de remunerar este capital em um valor maior, o que eleva suas despesas financeiras. Na outra ponta, dado o tamanho do mercado já atingido pela Netflix, o número de novos inscritos tende a diminuir.

Sem conseguir expandir o número de usuários tão rapidamente, tendo de gastar mais para produzir conteúdo próprio e com dificuldade em repassar aumentos de preços (afinal, ainda que a pandemia faça as pessoas assistirem mais netflix, é difícil cobrar mais sabendo que a renda de boa parte da população mundial está estagnada ou em queda), a empresa enfrenta hoje uma tempestade perfeita.

Na outra ponta, ainda que a pandemia tenha levado mais pessoas a assistirem Netflix, muitas acabaram descobrindo outros serviços, e agora com o fim da pandemia, estão tendo de escolher quais deles cancelar.

Em suma, o mercado segue valorizando a empresa, ainda que passe a desconfiar da narrativa, e principalmente, do tamanho do mercado disponível para Netflix e Disney.

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