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Brasileiros têm hoje R$276 bilhões em cripto em estimativa de diretor do Banco Central


Por Felippe Hermes
outubro 18, 2021

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Com aportes de $12 bilhões ao longo dos últimos 5 anos, brasileiros possuem hoje até $50 bilhões em valores de mercado mantidos em cripto, aponta Bruno Serra, diretor de política monetária do Banco Central.

Foi em janeiro de 2021 que a americana Business Insider publicou que os investidores de criptoativos haviam cruzado a marca de 100 milhões de usuários.

De lá pra cá, o número dobrou. São 221 milhões de pessoas (dados de junho de 2021), com alguma exposição ao mercado.

Também neste período, os brasileiros se destacaram. O investimento de habitantes da terra Brasilis em cripto saltou de $1,7 bilhão para $4,3 bilhões de dólares em 2021. Uma alta de 145%.

Pelos dados divulgados pelo Banco Central, o “estoque” de importações de cripto já soma $12 bilhões, ou 3 vezes mais do que em 2019.

O valor equivale a cerca de 2% dos $540 bilhões que brasileiros possuem em ativos no exterior, ou 4% das reservas do Banco Central, ainda assim “preocupa” o BC que vê os brasileiros preferindo investimentos no Brasil em favor de alocação em cripto “no exterior”.

O fluxo de capitais saindo de mercados emergentes para investir em cripto gerou preocupação por parte do FMI, o órgão global responsável por fiscalizar e eventualmente resgatar países que sofrem com problemas em suas contas externas.

No Brasil, porém, autoridades do Banco Central alegam que o fluxo para Criptos gera mais “curiosidade” do que preocupação neste momento.

Da mesma maneira, brasileiros vem buscando investir em ações, especialmente americanas. O estoque de ações detidas por brasileiros no exterior chegou a $16 bilhões, segundo relatório do Banco Central, contra $6 bilhões há 2 anos.

A popularização de investimentos do tipo vem na esteira da inovação brasileira, catapultada pela instabilidade externa.

Durante a década de 2010, o EWZ, ETF que acompanha ativos brasileiros, foi o único entre os principais índices do MSCI (Morgan Stanley Capital International), a apresentar queda.

As altas constantes do S&P e a desvalorização do real chamaram a atenção de brasileiros.

Corretoras, como a Avenue, desbravaram investimentos nos EUA e ajudaram a abrir uma “avenida” de saída de dólares.

O fluxo de investimentos no exterior também ganhou força com os ETFs brasileiros de cripto. O país se tornou o segundo do mundo a autorizar “fundos cotados em bolsa” com cripto, como o QBTC11, ETF 100% em Bitcoin da QR Asset Management, lançado em junho deste ano e que já acumula valorização de 110%.

A expansão dos ETFs tem sido incentivada pela B3, a bolsa brasileira, como maneira de atender uma demanda de investidores locais.

Neste ano, o total de ETFs disponíveis na bolsa brasileira ultrapassou a marca de 50, um número tímido comparado aos 7000 do mercado americano, e também pouco expressivo em valor, uma vez que os ETFs respondem por apenas 1% do valor total de ativos em bolsa no Brasil, contra 10% nos EUA.

O menor custo e maior praticidade, porém, tornam os ETFs alternativas para “botar o primeiro pé lá fora”.

Bruno Serra, diretor de Política Monetária do Banco Central, salienta que os valores considerados “em estoque”, pelo Banco Central, seguem preços de compra. Num exercício para “marcação a mercado”, considerando a cotação atual, é possível que os ativos de brasileiros em cripto valham hoje $50 bilhões, ou 3 vezes mais do que o estoque em ações americanas.

Serra salienta ainda que acredita tratar-se de uma diversificação natural de investimentos, e não de uma fuga da moeda brasileira, como é o caso da Venezuela, onde Bitcoins se tornaram uma alternativa ao Bolívar.

O Banco Central brasileiro tem ainda em seu cronograma algumas mudanças relativas ao setor cambial, que podem facilitar aquisição de ativos ou manutenção de ativos em dólar no próprio Brasil.

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