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Bitcoin Core 31.0 reduz estimativa de taxas, melhora mempool e reforça privacidade

Nova versão do Bitcoin Core adota estimativas em subsat, redesenha a mempool por clusters, endurece RBF e adiciona broadcast privado via Tor/I2P.

Bitcoin Core 31.0 reduz estimativa de taxas, melhora mempool e reforça privacidade

Atualização traz subsat nas estimativas, novo modelo de mempool por clusters e opção de broadcast privado.

Desenvolvedores do Bitcoin Core publicaram no domingo (19) a versão 31.0, com mudanças estruturais na mempool, ajustes de privacidade no relay de transações e uma revisão no estimador de taxas mínimas que passa a considerar valores abaixo de 1 sat/vB.

É a primeira grande versão desde a polêmica v30.0, quando o limite do OP_RETURN subiu de 83 para 100.000 bytes por padrão. Desde então, a discussão sobre política de relay e limites de dados ganhou força, com parte da comunidade defendendo abordagens mais conservadoras. Nos comentários ao anúncio, a divisão permanece evidente, inclusive com menções ao Bitcoin Knots como alternativa alinhada a políticas distintas.

Taxas em subsat e efeito no mercado de espaço em bloco

O estimador de taxas reduz a faixa mínima de 1 sat/vB para 0,1 sat/vB (o chamado subsat), alinhando-se ao minrelaytxfee padrão do nó. Na prática, quando existirem dados suficientes abaixo de 1 sat/vB para determinado alvo de confirmação, o valor médio dessa faixa poderá ser retornado como estimativa. A mudança acompanha o comportamento recente da rede, que já vinha liquidando transações a custos muito baixos em períodos de baixa demanda on-chain.

Para o usuário e para carteiras que dependem do estimador, a consequência típica é uma precificação mais fina em momentos de mempool folgada. Em vez de “ancorar” a 1 sat/vB, o algoritmo pode sugerir 0,1 sat/vB quando fizer sentido, evitando sobrepagamento sistemático. Em ciclos de congestão, entretanto, nada muda: a competição por espaço continua definida por prioridade econômica medida em sat/vB, e estimativas sobem conforme o backlog cresce.

Novo desenho da mempool e regras de substituição

A mempool deixa de aplicar limites por ancestrais e descendentes e adota um modelo baseado em componentes conectados, os chamados clusters. Por padrão, cada cluster fica limitado a 64 transações e até 101 kB de tamanho virtual, com transações pertencendo ao mesmo cluster quando conectadas por qualquer combinação de relações pai e filho. Isso reorganiza a pressão de limites: em vez de “quebrar” cadeias longas por heurísticas de ancestralidade, o nó passa a gerir conjuntos conectados como unidade de política.

Em paralelo, a lógica de RBF (replace-by-fee) é endurecida no sentido econômico: uma substituição só é aceita se o diagrama de taxas da mempool se tornar estritamente melhor do que antes. O objetivo é desencorajar substituições neutras ou marginalmente vantajosas que elevam overhead de relay. O antigo mecanismo CPFP Carveout foi removido para mitigar cenários de abuso conhecidos, favorecendo uma política mais previsível tanto para carteiras quanto para construtores de blocos.

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Privacidade no broadcast e segmentação por rede

No envio via RPC sendrawtransaction, surge a opção de transmitir apenas por Tor ou I2P, por meio da flag -privatebroadcast. Em vez de difundir a transação a todos os pares com relay habilitado, o nó restringe o caminho às redes de anonimato, reduzindo a exposição do endereço IP e impedindo a vinculação fora da cadeia entre transações enviadas do mesmo host. Para quem opera nós em ambientes sensíveis, é um ajuste de baixo atrito com impacto direto em meta­dados.

Desempenho e operação do nó

A atualização também sinaliza aumento de cerca de duas vezes no -dbcache por padrão quando detectados 4 MB de RAM, com a intenção de melhorar desempenho em operações de I/O e manutenção do estado. Em conjunto com o novo layout da mempool, a expectativa é suavizar picos de latência em validação, remoção e repasse de transações, além de tornar mais eficiente a construção de templates de bloco por mineradores e pools.

O que muda na prática

Para serviços que fazem batching, carteiras com CPFP e fluxos que dependem de cadeias de transações, o limite por clusters exige atenção ao layout das dependências. Ao mesmo tempo, a combinação de RBF mais estrito e estimativas em subsat tende a reduzir ruído no relay e a melhorar a previsibilidade de confirmação em períodos de baixa atividade. Do ponto de vista de princípios, o reforço de opções de broadcast privado dialoga com a proposta original de dinheiro eletrônico peer-to-peer, em que soberania e minimização de meta­dados são metas explícitas do desenho da rede.

Para quem deseja compreender melhor como a competição por espaço em bloco, políticas de relay e custos de transação afetam o uso do Bitcoin como meio de pagamento — tema que remete à intenção descrita por Satoshi Nakamoto no white paper — o BlockTrends oferece o curso Bitcoin Como Meio de Pagamento, que explora fundamentos, operação da rede e implicações práticas para usuários e negócios.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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