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Amazon lucra US$ 62 bi no trimestre: o que explica o salto

Lucro da Amazon triplicou em um ano, puxado pela AWS e inteligência artificial. A empresa planeja investir US$ 200 bilhões em IA ainda neste ano.

Amazon lucra US$ 62 bi no trimestre: o que explica o salto
Foto: Joshua Brown / Unsplash

Lucro da Amazon triplica e mercado reage com alta de 8%

A Amazon registrou lucro líquido de US$ 62,65 bilhões no segundo trimestre de 2026, equivalente a US$ 5,75 por ação. O número ficou muito acima das projeções dos analistas compiladas pela FactSet, que apontavam US$ 1,82 por ação. É o tipo de surpresa que faz o mercado reagir com força: no after hours de Nova York, as ações da companhia subiram 8,5%.

Para dimensionar o salto, basta comparar com o mesmo período do ano anterior. No segundo trimestre de 2025, a empresa havia reportado US$ 18,2 bilhões de lucro, ou US$ 1,68 por ação. Estamos falando de uma multiplicação por 3,4 vezes em apenas 12 meses. A receita total cresceu 20% e atingiu US$ 200,6 bilhões, consolidando a Amazon como uma das empresas mais lucrativas do planeta.

O resultado reforça uma tendência que acompanhamos de perto na cobertura de finanças: as big techs americanas estão transformando gastos massivos em inteligência artificial em receita real, não apenas promessas. E a Amazon parece estar na dianteira dessa corrida.

AWS é o motor que puxa a máquina

O protagonista do resultado tem nome: Amazon Web Services. A divisão de computação em nuvem cresceu 36,7% na comparação anual, o ritmo mais acelerado em 18 trimestres consecutivos. São quatro anos e meio sem registrar uma expansão tão forte.

Andy Jassy, CEO da Amazon, destacou que as divisões de inteligência artificial e chips customizados superaram, cada uma, a marca de US$ 25 bilhões em receita anualizada. É um marco relevante. Quando a corrida da IA generativa começou, entre 2023 e 2024, a grande dúvida do mercado era se os investimentos bilionários das big techs se converteriam em receita proporcional. No caso da AWS, a resposta começa a ficar evidente.

A nuvem deixou de ser apenas infraestrutura de servidor para se tornar a plataforma onde empresas de todos os tamanhos treinam modelos de IA, processam dados e criam aplicações baseadas em machine learning. Esse movimento estrutural beneficia diretamente quem tem escala para oferecer o serviço. E ninguém tem mais escala que Amazon, Microsoft e Google nesse segmento.

US$ 200 bilhões em capex: a aposta mais cara da história da Amazon

A empresa confirmou que planeja investir US$ 200 bilhões em gastos de capital ao longo de 2026, com foco quase exclusivo em infraestrutura de inteligência artificial. Para contextualizar, esse valor é superior ao PIB de países como Portugal e equivale a quase quatro vezes o que a Petrobras pretende investir no mesmo período.

Essa cifra não é exatamente nova. A Amazon já havia sinalizado uma escalada brutal de investimentos no início do ano. Mas a confirmação em um trimestre com lucro tão forte envia uma mensagem clara ao mercado: a companhia tem caixa para sustentar a aposta sem comprometer a rentabilidade no curto prazo.

A questão que investidores precisam monitorar é a sustentabilidade desse patamar de capex. No setor de tecnologia, ciclos de investimento agressivos podem gerar retornos exponenciais ou destruir valor, dependendo da execução. Até agora, os números da Amazon apontam para o primeiro cenário.

Publicidade digital: o negócio silencioso que cresce 26%

Enquanto a AWS atrai os holofotes, outro segmento da Amazon avança com consistência impressionante. A divisão de publicidade cresceu 26% na comparação anual, consolidando a empresa como a terceira maior plataforma de anúncios digitais do mundo, atrás apenas de Google e Meta.

A lógica é simples e poderosa. A Amazon conhece o comportamento de compra de centenas de milhões de consumidores em tempo real. Para anunciantes, não existe dado mais valioso do que saber o que uma pessoa está prestes a comprar. Diferente de Google e Meta, que inferem intenção de compra a partir de buscas e interações sociais, a Amazon tem a transação acontecendo dentro da própria plataforma.

Esse pilar diversifica a receita e reduz a dependência da operação de varejo, historicamente de margem apertada. Como temos analisado nas coberturas de resultados das big techs, a tendência de monetização por dados e publicidade é estrutural e tende a se intensificar com a adoção de IA generativa na criação de anúncios.

O que o resultado da Amazon sinaliza para o mercado

O balanço da Amazon não é um evento isolado. Ele se insere em uma temporada de resultados onde as grandes empresas de tecnologia estão comprovando que a era da inteligência artificial gera retorno financeiro mensurável, não apenas narrativa de mercado.

Para quem acompanha o mercado americano, o dado mais relevante talvez não seja o lucro em si, mas a velocidade de crescimento da AWS. Um avanço de 36,7% para uma operação desse porte sugere que a demanda por infraestrutura de IA está acelerando, não desacelerando. Isso tem implicações para toda a cadeia, de fabricantes de chips como Nvidia e AMD até empresas menores que fornecem componentes e serviços adjacentes.

A alta de 8% no after hours também precisa ser lida com contexto. A ação da Amazon já acumula valorização expressiva nos últimos 12 meses, então uma reação dessa magnitude indica que o mercado vê espaço para revisão de estimativas para cima. Em cenários assim, o efeito cascata costuma beneficiar outras empresas do setor.

O capex de US$ 200 bilhões, por outro lado, levanta uma pergunta legítima: o que acontece se a demanda por IA desacelerar antes que esses investimentos maturem? É o risco que ninguém quer discutir enquanto os resultados surpreendem positivamente. Mas faz parte da análise responsável manter essa variável no radar.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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