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SpaceX mira IPO na Nasdaq: o que muda para investidores

SpaceX escolheu a Nasdaq para seu IPO histórico, com precificação prevista para 11 de junho. Entenda o que está em jogo e como isso afeta o mercado.

SpaceX mira IPO na Nasdaq: o que muda para investidores
Foto: SpaceX / Unsplash

A SpaceX confirmou que pretende precificar seu IPO no dia 11 de junho, com listagem na Nasdaq. Se concretizado, será a maior estreia em bolsa de uma empresa privada americana em anos, possivelmente a mais relevante desde o IPO do Facebook em 2012. A companhia de Elon Musk, avaliada em mais de US$ 350 bilhões no mercado secundário, finalmente abrirá suas portas ao investidor comum.

O movimento não é trivial. A SpaceX se manteve privada por mais de duas décadas, financiando operações com rodadas privadas que atraíram desde fundos soberanos até investidores de varejo via mercado secundário. A decisão de ir a público agora levanta questões sobre timing, valuation e o impacto nos mercados mais amplos.

Por que a SpaceX escolheu a Nasdaq agora

A escolha da Nasdaq em vez da NYSE não é acidental. A bolsa tecnológica já abriga Tesla, outra empresa de Musk, além de ter recebido recentemente a estreia explosiva da Cerebras, que subiu 68% no primeiro dia. A Nasdaq se consolidou como o destino preferido de empresas de alto crescimento e narrativa tecnológica forte.

O timing também tem lógica. Os mercados americanos vivem um momento de euforia, com os principais índices próximos de máximas históricas. Como analisamos na matéria sobre a bolsa americana se aproximando dos múltiplos da bolha dot-com, o apetite por risco está elevado. Para uma empresa que quer maximizar o preço de saída, é difícil imaginar uma janela melhor.

Há também um fator regulatório. A administração Trump tem adotado postura mais flexível com grandes empresas de tecnologia. E Musk, com sua proximidade declarada ao governo, dificilmente enfrentará obstáculos políticos no processo.

Os números por trás do valuation de US$ 350 bilhões

Para justificar essa avaliação, a SpaceX precisa mostrar mais do que foguetes reutilizáveis. A empresa opera duas linhas de negócio distintas: a divisão de lançamentos, que inclui o Falcon 9 e o Starship, e a Starlink, a constelação de satélites de internet que já conta com mais de 4 milhões de assinantes globalmente.

Segundo estimativas de mercado, a Starlink deve gerar cerca de US$ 10 bilhões em receita anualizada em 2025. A divisão de lançamentos, por sua vez, domina o mercado global com mais de 60% de participação. Juntas, as operações sustentam uma empresa que, diferente de muitos IPOs recentes, é lucrativa.

Em comparação, a Cerebras estreou com valuation de US$ 12 bilhões. A SpaceX chega ao mercado com quase 30 vezes esse tamanho. É um IPO que, por escala, pode drenar liquidez de outros papéis de crescimento e redistribuir fluxos dentro dos índices.

O que muda para o investidor brasileiro

Para investidores no Brasil, o acesso direto ao IPO será limitado. Participações em IPOs americanos geralmente ficam restritas a clientes institucionais e investidores qualificados com contas em corretoras nos EUA. Mas o efeito indireto pode ser significativo.

Um IPO dessa magnitude tende a movimentar todo o setor aeroespacial e de defesa. Empresas como Rocket Lab (RKLB), já listada na Nasdaq, e fornecedores da cadeia espacial podem ver revalorização por associação. Além disso, ETFs de tecnologia e inovação que eventualmente incluam SpaceX terão sua composição alterada.

O mercado de investimentos em tecnologia tem se sofisticado no Brasil. Fundos como os da Avenue, Inter e Nomad já oferecem acesso simplificado a ações americanas, e a tendência é que muitos investidores brasileiros busquem exposição assim que os papéis começarem a ser negociados.

Os riscos que ninguém está discutindo

Nem tudo é euforia. A SpaceX carrega riscos que empresas típicas de tecnologia não enfrentam. O programa Starship, peça central da estratégia de longo prazo, ainda está em fase de testes. Falhas em lançamentos têm impacto direto na reputação e nos contratos governamentais.

Há também a questão da dependência de Musk. A empresa é indissociável do fundador, que acumula responsabilidades em Tesla, X (antigo Twitter), Neuralink, xAI e funções no governo americano. Investidores institucionais historicamente penalizam empresas com risco de “pessoa-chave” concentrado.

Por fim, o mercado de IPOs em 2025 tem mostrado volatilidade nos dias seguintes à estreia. Nem todo IPO que abre em alta sustenta o preço nas semanas seguintes. A Cerebras, por exemplo, ainda precisa provar que seu rali inicial tem fundamento nos resultados trimestrais.

O que observar nos próximos dias

A precificação do dia 11 de junho será o primeiro grande teste. O preço por ação definirá se a SpaceX consegue sustentar o valuation de US$ 350 bilhões ou se o mercado vai impor um desconto. Analistas esperam demanda institucional robusta, mas o tamanho da oferta será determinante.

Para o mercado como um todo, o IPO da SpaceX pode funcionar como um termômetro de apetite por risco. Se a estreia for bem-sucedida, deve abrir caminho para outros unicórnios que esperam na fila. Se decepcionar, pode sinalizar que o topo do ciclo de euforia está próximo.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Marina Alves
Traduz o que Copom, câmbio e licenças de exchange fazem com a sua carteira. Cobre o mercado de capitais brasileiro, a macro do dia a dia e a regulação do cripto. Sem promessa de ganho fácil.
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