Economia

Preço da eletricidade na Alemanha sobe 700% em 2 anos

Com a guerra entre Rússia e Ucrânia e dependente de importações de gás, os preços na Alemanha seguem em alta.

Com planos de investir $220 bilhões em transição energética até 2026, a Alemanha é um dos países mais avançados na luta pela mudança de matriz no setor elétrico.

Os investimentos nas últimas duas décadas ultrapassam a cada dos trilhões de euros. 

Boa parte da mudança, porém, ocorre com o uso de energética térmica para garantir sustentação, usando gás vindo da Rússia.

O uso de térmicas é considerado necessário uma vez que energia solar e eólica são consideradas “intermitentes”. O país utiliza as usinas termelétricas, movidas inclusive a carvão, como forma de garantir o suprimento de energia em horários onde as fontes alternativas não conseguem atuar.

A dependência do gás se dá pela facilidade de construir e operar usinas térmicas. Consideradas de investimento mais barato do que usinas como as nucleares.

Pressões de ambientalistas ainda no inicio dos anos 2010 levaram a Alemanha a fechar suas usinas nucleares, antes mesmo das térmicas a carvão. As primeiras deveriam ser totalmente desativadas até 2022, enquanto as usinas a carvão serão fechadas em 2008.

Agora, em meio a guerra entre Rússia e Ucrânia e a diminuição do fornecimento de gás russo, o preço da eletricidade na Alemanha disparou. 

De $42 dólares em junho de 2020, o Megawatt chega a custar hoje $306 dólares.

A alta de preço da eletricidade tem pressionado a inflação na Alemanha como um todo. O país enfrenta sua maior inflação desde 1980, com o índice de preços ao consumidor marcando 8,7%.

Inflação do produtor na Alemanha bate 30,9%, a maior desde 1949

A média dos preços praticados junto aos produtores na Alemanha atingiu um recorde de 30,9%, pressionada pela alta de energia e commodities agrícolas, em alta desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

O maior culpado no momento é o setor de energia, cujos preços subiram 84% e constituem parte relevante da cesta de consumo de indústrias.

O gás natural, importado da Rússia, teve alta de 144,2% em março de 2022.

A inflação ao produtor pressiona a inflação do consumidor na medida em que empresas buscam repassar seus custos, ainda assim, e apesar de estar no maior nível em 41 anos, a inflação ao consumidor na Alemanha, o equivalente ao nosso IPCA, está em 7,3%.

A Rússia responde por 46% das importações de energia da Alemanha, e o impacto das sanções tem pesado também na alta de commodities como carvão, formas rápidas de suprir a lacuna da diminuição ou incerteza das importações.

País com histórico de uma hiperinflação nos anos 20 e 30 do último século, a Alemanha pode ainda enfrentar fechamentos de fábricas em função da falta de energia, ou elevados custos operacionais.

A economia alemã que tinha previsto de crescer até 4% em 2022, ainda na recuperação da pandemia, agora deve ver o PIB subir algo próximo de 2%.

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