Artigo

Não foi o dólar que subiu, foi o real que caiu. E você deveria se proteger disso.


Por Marcelo Campos
Maio 13, 2020

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Na União soviética não é dólar que sobe, é o real que cai – Lei da Reversal Russa

Quatro reais e dois centavos. Este era o preço do Dólar quando o governo chinês admitiu que um novo coronavírus estava se espalhando pela metrópole de Wuhan. Hoje, 134 dias depois, se você digitar “dólar” no Google acabará encontrando um preço surreal, variando entre R$ 5,90 e R$ 6,00. Inimaginável há cinco meses atrás.

Mas o mundo já não é mais o mesmo e você já deve estar exausto de concluir e ler essa frase estampada pela internet. Vivemos uma crise sanitária, econômica e financeira histórica. Com isso, o preço do dólar acaba se amontoando às diversas estatísticas e indicadores negativos e, você, pode acabar se perdendo no mar de informação e não dar a devida atenção que essa mega desvalorização merece.

Tudo começa com a incerteza e, como almirantes na popa de um caravela portuguesa, observamos os ventos mudarem de direção em fevereiro, quando o dinheiro institucional, o big money, começou a se proteger do que se tornaria a maior crise econômica desde o Crash de 29. 

Antes mesmo do Coronavírus fazer sua primeira vítima brasileira, estrangeiros já haviam sacado R$ 44,8 bilhões da Bolsa de São Paulo. Não parece muito? No ano de 2019 inteiro, estrangeiros sacaram R$ 44,5 bilhões. Foram necessários apenas três meses para o número ser superado em 2020. Se adicionarmos o resultado de abril, estrangeiros já retiraram R$ 69,41 bilhões da B3, fuga recorde.

E todo esse dinheiro foi para onde ele sempre vai: ativos menos voláteis. Seja para o criptomercado, que vem passando por um momento histórico em maio com o Halving do Bitcoin; sejam nos mercados acionários americanos, europeus e asiáticos, que sofreram, porém menos que o mercado brasileiro; sejam em commodities que passaram por forte depreciação no preço e se tornaram atrativas; ou ainda para o mercado futuro de títulos públicos da dívida norte-americana. 

E é aí mesmo que eu quero chegar. Sim, o Real se desvalorizou muito nos últimos meses. Mas o Dólar, a moeda mundial, também se desvalorizou e continuará se desvalorizando. No ponto histórico que nos encontramos, acreditar que a moeda norte-americana é proteção é um engano. Por que?

O Dólar se desvalorizou

Há quase um consenso na literatura moderna de finanças que: se existe um ativo sem risco no mundo, ele provavelmente é um título do tesouro norte-americano. E nem mesmo a tal da Modern Monetary Theory, com seus juros zero e insistentes Quantitative Easings, parece abalar esse dogma.

A crença no Federal Reserve é tão alta que sofremos frequentes ataques especulativos aqui no Brasil. Especialmente quando o Banco Central não realiza uma boa política monetária ou quando a própria equipe econômica declara que o dólar pode ir a R$5 se tiver muita besteira

A grande realidade é que as moedas fiduciárias ainda não entenderam o seu papel no mundo. Seja durante o Padrão Ouro, seja no período do Sistema de Bretton Woods e, principalmente agora, no período da Teoria Monetária Moderna. Bancos Centrais, especialmente após a crise de 2008, expandiram a base monetária de forma descomunal e estamos colhendo, ativamente, as consequências dessa política. 

Pra ilustrar melhor, o Dólar já sofreu 533,1% de inflação desde que o Bretton Woods, sistema que lastreava moedas fiduciárias do mundo inteiro em ouro, acabou. Em menos de cinquenta anos, US$ 1 passou a valer US$ 6. Claro que no Brasil perdemos a noção de grandeza do que isso significa, mas não há verdadeira geração de riqueza intergeracional se o patrimônio da sua família está alocado em uma moeda que sofre inflação de mais de 500% em cinquenta anos.

Apesar dessa intensa desvalorização, aqui no Brasil ainda enxergamos a moeda norte-americana como um porto-seguro, como uma forma de proteger o seu patrimônio de incansáveis políticas econômicas mal desenhadas. E é justo entender o mundo dessa forma, mas, não se engane, o Dólar não está se valorizando. É o Real que já não se sustenta sobre os próprios pés.

O Real já não é mais o mesmo

Observar um Dólar custando R$6 nos remete a Dezembro de 1998. Gustavo Franco, então presidente do Banco Central e um dos pais do Plano Real, tentava administrar as bandas cambiais enquanto as economias emergentes, em especial Rússia e México, observavam suas moedas derreterem frente ao Dólar. A mão de ferro custaria seu emprego e, em menos de um mês de câmbio livre, US$1 saltaria de R$1,2 para R$2,01.

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As motivações do cenário atual são completamente diferentes, mas o roteiro é o mesmo. Países emergentes sofrem com crises de incerteza. Nesses últimos 134 dias, observamos moedas fiduciárias de países em desenvolvimento sucumbirem frente ao dólar. O Peso Mexicano se desvalorizou 24%, o Rublo Russo 21%. Mas nada bate a desvalorização de 47% sofrida pelo Real.

E, mesmo assim, o mercado acionário brasileiro tenta vender oportunidades de investimento 100% expostas ao Real. Se a equipe econômica achava que teria que fazer muita besteira para o Dólar chegar em R$5, hoje, o mercado vê essa cotação como o novo normal, desejável no médio prazo.

E é mesmo o novo normal. Em março, o Banco Central realizou uma injeção de liquidez histórica: R$ 1,2 trilhão. Em maio, o Comitê de Política Monetária do Banco Central cortou a Taxa Selic em 0.75 pontos percentuais e derrubou os juros para 3%. A medida inaugurou um Novo Brasil, viramos a Suíça e a nossa taxa de juros real entrou em território negativo pela primeira vez na história. No mesmo dia, o congresso aprovou a PEC do Orçamento de Guerra que, além de permitir déficits que desrespeitem o Teto de Gastos e as Regras de Ouro, legalizou a prática de Quantitative Easing no Brasil.

Apesar das expansões monetárias serem pontuais, como afirmou Adolfo Sachsida em live para QR Asset, e que os gastos voltarão a normalidade assim que se encerrar o estado de calamidade pública; as consequências de longo prazo de todas essas medidas são uma só: inflação. E eu te pergunto: vale a pena ficar alocado em Real quando as políticas fiscais, monetárias e cambiais trabalham para desvalorizar a moeda?

Como se proteger da desvalorização

“NYTimes, 09/04/2020. Com injeções de US$ 2,3 trilhões, FED supera, e muito, pacotes de resgate de 2008”.

Foi estampando essa mensagem que o bloco 630.000 da blockchain do Bitcoin foi minerado no dia 11 de Maio de 2020. O bloco em questão é histórico e marca o 3º Halving do Bitcoin, evento que corta o subsídio por bloco minerado pela metade e, consequentemente, corta a oferta de novos BTCs pela metade. Isso é importante porque, em meio a uma desvalorização histórica das moedas fiduciárias no mundo inteiro, o Bitcoin vai na contramão do sistema monetário internacional e reduz sua inflação esperada.

Como apontado por Fernando Carvalho, CEO da QR Capital, a “Política” Monetária do Bitcoin é regida por três simples regras: i) A cada bloco de bitcoin minerado, o minerador ganha subsídio inicial de 50 BTC; ii) O subsídio se reduz pela metade a cada 210.000 blocos; iii) A produção total de bitcoins é escassa e limitada a 21.000.000 de unidades.

Esse desenho monetário permite ao ativo se tornar o primeiro verdadeiramente escasso no universo conhecido. Já que, até mesmo o ouro, pode ser minerado e ter sua oferta ampliada enquanto novas jazidas continuarem sendo encontradas. Já o Bitcoin se desinflacionará até a sua última unidade ser minerada, por volta de 2140.

Segundo Theodoro Fleury, CIO da QR Asset Management, gestora de criptoativos regulada do grupo QR Capital, a beleza do Bitcoin foi criar uma espécie de Ouro Digital. “Como o Bitcoin é um ativo escasso e lastreado na confiabilidade da tecnologia blockchain, acaba se tornando uma excelente proteção de patrimônio, quando pensamos no longo prazo”, disse Fleury.

Se analisarmos a performance do Bitcoin frente às moedas fiduciárias nos últimos 134 dias, fica palpável como o ativo digital tem um poder único de geração de valor de longo prazo. De 1º de Janeiro pra cá, o Bitcoin se valorizou 27% quando comparado ao Dólar, 32% se comparado ao Euro e assustadores 87% quando contrapomos ao Real.

A afirmação de que “crise gera oportunidade” é desumana e descabida frente ao caos sanitário e humanitário que a pandemia do novo Coronavírus gerou no mundo. Crise gera pobreza e por isso inovamos. Por isso buscamos tecnologias disruptivas. Por sorte, inventamos o futuro do nosso sistema financeiro há dez anos atrás. Nos resta usufruir.

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