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Meta admite que copiou OpenClaw para criar o Muse

Executivo da Meta confirmou que o assistente Muse foi modelado a partir do OpenClaw, projeto open source. A estratégia repete um padrão antigo da empresa.

Meta admite que copiou OpenClaw para criar o Muse
Foto: Tim Witzdam / Unsplash

A Meta tem um histórico difícil de ignorar quando o assunto é inspiração em produtos alheios. O caso mais emblemático foi a importação dos Stories do Snapchat para o Instagram, em 2016. Quase uma década depois, a dinâmica se repete, agora no campo da inteligência artificial.

Nat Friedman, chefe de produto do Meta Superintelligence Labs (MSL) e ex-CEO do GitHub, reconheceu publicamente que o Muse, novo assistente de IA da companhia, foi “definitivamente e fortemente inspirado como produto pelo OpenClaw”. A declaração veio após uma onda de comparações virais entre os dois sistemas, alimentada por usuários que encontraram semelhanças estruturais difíceis de considerar coincidência.

O que é o OpenClaw e por que a Meta quis replicá-lo

O OpenClaw é um projeto open source criado por Peter Steinberger, desenvolvedor reconhecido na comunidade de software. O assistente ganhou tração rápida nos primeiros meses do ano e chamou tanta atenção que a OpenAI contratou Steinberger pouco depois. Trata-se de um agente de IA pessoal que opera no computador do usuário, executando tarefas complexas com alto grau de autonomia.

Friedman contou que, após usar o OpenClaw em janeiro, ficou tão impressionado que comprou centenas de Mac Minis para a equipe do MSL experimentar o produto. “Muitos de nós nos apaixonamos pelo uso do OpenClaw e de outros agentes pessoais”, escreveu ele. A partir daí, o objetivo da equipe se tornou claro: construir algo semelhante ao OpenClaw, mas que pudesse ser “seguro, fácil de usar e escalável para bilhões de pessoas”.

O detalhe relevante é que o OpenClaw é open source. Tecnicamente, qualquer empresa pode estudar seu código e se inspirar nele. Mas a linha entre inspiração e cópia ficou borrada quando usuários começaram a comparar os arquivos internos dos dois sistemas.

Arquivos quase idênticos levantaram suspeitas

A polêmica ganhou corpo quando Ansh Nanda, cofundador de um aplicativo de IA, publicou que “Muse é LITERALMENTE o OpenClaw para pessoas comuns”. Ele compartilhou uma conversa com o próprio Muse na qual o assistente reconheceu que a semelhança entre seus arquivos de sistema e os do OpenClaw não era “apenas uma coincidência”, mas sim “uma correspondência”.

Outros usuários aprofundaram a investigação. Um deles identificou que o Muse utiliza um arquivo chamado SOUL.md, exatamente o mesmo nome do arquivo de configuração que define a personalidade, o estilo de comunicação e os limites comportamentais de um agente no OpenClaw. Um terceiro apontou que os arquivos não apenas tinham o mesmo nome: o conteúdo era quase inteiramente igual.

Quando questionado sobre por que o Muse havia copiado nomes de arquivos e mantido conteúdo “quase idêntico” no SOUL.md, Friedman não contestou. Respondeu apenas que “achamos que Peter acertou exatamente nessas coisas”. É uma admissão notável por sua franqueza, mas também por confirmar algo que analistas do setor de tecnologia acompanham há anos: a Meta prefere replicar o que funciona a inventar do zero.

O playbook da Meta: copiar, escalar, dominar

A estratégia não é nova. A Meta transformou a cópia rápida de funcionalidades em vantagem competitiva ao longo de toda a sua história. Os Stories do Snapchat são o exemplo mais citado, mas a lista inclui o Reels (inspirado no TikTok), o Marketplace (concorrendo com OLX e similares) e até elementos do BeReal incorporados ao Instagram.

O padrão é consistente: identificar um produto inovador que ganha tração com um público menor, replicar suas melhores características e distribuí-lo para a base de bilhões de usuários da Meta. No caso do Muse, a execução parece estar funcionando. O aplicativo alcançou o primeiro lugar na App Store dos Estados Unidos e, segundo dados disponíveis, está superando o ritmo de downloads do ChatGPT quando se comparam as plataformas e a disponibilidade de mercado de forma direta.

A diferença agora é o contexto. A corrida por assistentes de IA pessoais está entre as disputas mais acirradas do setor de tecnologia, com OpenAI, Google, Apple e dezenas de startups competindo por espaço. Copiar um projeto open source não viola nenhuma licença, mas o capital reputacional envolvido é outro assunto.

O que isso significa para o mercado de IA

A admissão da Meta levanta questões importantes sobre a dinâmica de inovação no ecossistema de inteligência artificial. Projetos open source existem, em tese, para que qualquer pessoa ou empresa construa sobre eles. Mas quando uma das maiores companhias do mundo usa um projeto de código aberto como blueprint quase literal para um produto comercial de escala massiva, o incentivo para desenvolvedores independentes criarem novas ferramentas pode diminuir.

Por outro lado, o caso também valida o modelo open source. Steinberger criou algo tão bom que a Meta decidiu que era o caminho certo. A contratação dele pela OpenAI reforça essa leitura. O talento individual continua sendo o ativo mais valioso do setor, como discutimos em análises anteriores sobre o impacto da IA no mercado de trabalho.

Friedman classificou Steinberger como “um gênio” cujo arcabouço “foi pioneiro desde o início”. A frase soa como elogio, mas também como justificativa: se o criador original é genial, copiar sua abordagem é pragmatismo, não falta de criatividade.

Para o usuário final, a questão talvez seja menos filosófica. Se o Muse entrega uma experiência semelhante ao OpenClaw com a infraestrutura e a escala da Meta, a maioria das pessoas simplesmente vai usar o que for mais acessível. E é exatamente nisso que a Meta aposta há duas décadas.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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