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Como Jeff Bezos lucrou $20 bilhões com uma empresa que fatura $0

O período do “milagre econômico” brasileiro, pautado por investimentos e endividamento pesados por parte do governo, levou a um crescimento de 10% ao ano, um “ritmo chinês”.

Foi uma época de abundância também para o mercado, que entre 1965 e 1971, viu o número de empresas listadas em bolsa saltar de 26 para 100, e o índice da Boverj, a bolsa do Rio, subir mais de 400% em um único ano.

Durante este período, o governo criou um incentivo, permitindo que até 12% do imposto de renda pudesse ser investido em ações.

O resultado? O primeiro crash da bolsa brasileira e a melhor história de euforia desinibida já criada aqui, a MERPOSA.

Em meio a euforia do mercado e IPO’s semanais, circulou no mercado o prospecto de uma nova empresa, atraindo investidores aos montes, até que no fim, alguém revelou se tratar apenas de uma piada. “MERPOSA” era apenas uma abreviação de “Merda em Pó SA”.

Casos como estes não são, claro, uma exclusividade brasileira. Eles existem aos montes ao redor do mundo.

Valuations, ou “valor de mercado”, exacerbados são comuns, e estão cada vez mais presentes no dia a dia de quem investe.

O caso é que, nunca antes na história deste planeta, os juros estiveram tão baixos. Como os juros são apenas um outro nome para o custo do dinheiro, fica fácil entender porque, quando o dinheiro custa menos, o risco aumenta.

Este foi o caso de avaliações surrealistas envolvendo o WeWork, uma imobiliária descolada cujo principal negócio é alugar prédios por 15 anos, reformar e então sublocar espaços menores.

O WeWork chegou a ser avaliado em $47 bilhões. Sua estratégia de crescimento acelerada, porém, fez da empresa uma destruidora de valor como poucas.

Há poucas semanas a empresa entrou para a bolsa, pela porta de trás. Se juntou a um SPAC (um fundo já listado em bolsa), valendo $10 bilhões. Apenas em 2021 a empresa já teve prejuízos de $3,2 bilhões.

O problema, claro, é que identificar uma bolha não é exatamente a parte mais difícil.

A maior dificuldade está em acertar o timing. É preciso saber quando a bolha vai estourar e então se arriscar apostando nisso.

Na última década investidores já perderam $55 bilhões apostando contra a Tesla. Ainda assim, a empresa de Elon Musk vale hoje $1,1 trilhão.

E é neste mercado que a loucura desenfreada parece ter encontrado um ícone ainda maior.

A Rivian Automotive é uma startup fundada em 2009 com a promessa de produzir SUVs e caminhões elétricos completamente automatizados.

Em outubro, a empresa fez o seu IPO na bolsa valendo $65 bilhões. Desde então seu valor subiu par $139 bilhões atuais.

A questão, entretanto, está no fato de que a Rivian jamais entregou um único carro. Seu faturamento nestes 12 anos é igual a $0.

Como isso é possível?

A primeira grande questão envolve contar uma boa história.

Se a história por trás do WeWork era “criar um novo conceito de trabalho”, a história da Rivian que interessa ao mercado é algo um pouco mais simples e objetivo: a Rivian é uma aposta da Amazon de Jeff Bezos para competir com a Tesla.

Em 2019, a Amazon pagou $750 milhões por 20% da companhia.

Desde então o próprio Bezos tem servido de garoto propaganda para a empresa. No seu voo ao espaço, Bezos dirigia uma pickup da Rivian. Uma grande jogada comercial.

Outro fator importante para a Rivian está no fato de que seu principal produto é justamente uma pickup. Nos EUA, pickups ocupam os 3 primeiros lugares entre carros mais vendidos.

É um costume que pode gerar problemas para a empresa expandir ao redor do planeta, mas que também representa uma boa força no mercado americano. E ao contrário da Pickup da própria Tesla, seus carros são “comuns”, não conceitos futurísticos malucos.

Outro ponto relevante está no fato de que a lei assinada por Joe Biden para infraestrutura prevê um investimento de $7,5 bilhões na criação de uma rede nacional de carregadores elétricos para veículos. Na prática, o governo deve dobrar a aposta na área.

No primeiro semestre de 2021, a empresa apresentou um prejuízo de $1 bilhão, frente a $0 em receita.

Em partes, o resultado foi prejudicado pelos constantes atrasos no lançamento de seu primeiro produto. Para os investidores, é um detalhe menor diante da expectativa de “entrar na nova Tesla 10 anos antes”.

Felippe Hermes

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