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Como governos pretendem rastrear o seu dinheiro usando cripto. Spoiler: na China 140 milhões já usam essas moedas


Por Felippe Hermes
novembro 3, 2021

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A nova moda entre os Bancos Centrais, versões digitais do dinheiro permitem rastreio de todas as operações, em troca de facilitar transações sem necessidade de conversão.

Quando Satoshi Nakamoto lançou a sua criptomoeda em 31 de outubro de 2008, os objetivos não poderiam ser mais claros: permitir um meio de transação que garantisse a privacidade do usuário.

Treze anos depois, o Bitcoin, a moeda criada por Satoshi, é um colosso de $1,18 trilhão em valor de mercado, usado por ao menos 3% da população mundial, e com um crescente apelo de investidores institucionais.

No caminho para se tornar uma moeda de fato, ou um meio de transações, o Bitcoin se firmou como uma rede confiável, por meio da Blockchain, além de um meio de “reserva de valor”, em função do seu cálculo matemático que limita a oferta gerando escassez.

Para os governos ao redor do mundo, porém, a genialidade de Nakamoto sempre representou um problema, mas também uma oportunidade.

Buscando separar duas questões inseparáveis, a Blockchain e o Bitcoin, os governos estão em uma onda de criação das chamadas “CBDCs“, ou criptomoedas estatais.

Na China, o “Yuan digital“, já se tornou realidade, com 140 milhões de usuários, além de $9,7 bilhões transacionados até o momento.

O problema, claro, é que separar o Bitcoin e a Blockchain significa destruir todo o conceito básico: privacidade e reserva de valor.

Ao criar uma Blockchain centralizada, ou seja, um sistema de checagem e validação centralizado, e não descentralizado como no Bitcoin, os BCs buscam criar algo além do dinheiro atual.

Em suma, o dinheiro no mundo já é digital, e cada vez mais. Usamos cartões de crédito e agora PIX, com frequência maior do que as cédulas de dinheiro. No Brasil, apenas 3% do dinheiro existente para transações está na forma de cédulas.

O que afinal muda com as “Criptos” estatais? Ao utilizar a Blockchain, os bancos centrais assumem o papel de validar, ficando cientes de cada transação que ocorre na rede. 

Desde o cafezinho que você compra na padaria até a compra de um imóvel. Todos os gastos e renda se tornam visíveis ao Banco Central e ao sistema responsável pela gestão da rede.

No caso chinês, este artifício ganha ainda uma outra vantagem (para o governo, é claro). Por se tratar de uma rede de transações com potencial global, a China ganha força para impor o Yuan como moeda nas transações que realiza, podendo aumentar seu poder sobre países com os quais se relaciona comercialmente. Este é o caso dos países envolvidos na chamada “Rota da Seda”.

Isso garante ao BC chinês perpassar o dólar enquanto moeda em suas transações. Sob domínio da moeda, portanto, o governo chinês pode imprimir Yuans (contrariando outro princípio do Bitcoin), inflando a rede e aumentando seu poder.

No Brasil, onde o PIX se tornou parte do cotidiano, o Banco Central estuda o lançamento do Real digital.

Assim como na China, o Real Digital brasileiro poderá ser utilizado em qualquer lugar do planeta sem necessidade de conversão.

Além disso, há uma economia com emissões de cédulas e moedas. Em 2020, foram ao menos R$768 milhões gastos para emitir cédulas.

Um outro detalhe singelo claro, está no rastreio da economia informal que por aqui representa 17,1% do PIB, sendo uma área mais difícil de tributar portanto. 

De acordo com o BIS, o Banco Central dos Bancos Centrais, cerca de 80% dos países do mundo possuem projetos de criação de versões digitais do seu dinheiro.


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