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Como Elon Musk transformou $28 mil em $330 bilhões

Completando 50 anos hoje, Elon Musk foi de um imigrante em Stanford para o homem com a fortuna que pode colonizar Marte.

Imagine embarcar em um avião, sair da sua cidade de origem e ao chegar no destino ver que o avião que você utilizou será destruído após o uso, e então, descobrir que você terá de pagar pelo custo do avião também.

Parece estranho? Obviamente a resposta é sim, mas quando olhamos para viagens espaciais, essa era a realidade durante toda a corrida espacial.

Levar o homem à Lua foi um projeto demorado e custoso. Em valores de hoje, o programa Apollo custou $253 bilhões. 

Cada viagem custava uma verdadeira fortuna em si, com o custo por cada Kg lançado ao espaço saindo por $63 mil.

Foi ao olhar isso que Elon Musk enxergou uma oportunidade. E se ao invés de jogar os foguetes fora depois de utilizar, nós pudéssemos reutilizar? O resultado foi a criação da SpaceX, a primeira grande empresa privada a se aventurar na corrida espacial.

Até o momento, a SpaceX já conseguiu reduzir o custo de lançamento de um foguete em 97%. Lançar um kg de carga no espaço custa hoje cerca de $5,6 mil.

Por razões como essa, a Starlink, uma subsidiária da empresa que prevê lançar uma rede de dezenas de milhares de satélites para entregar internet via satélite em qualquer lugar do planeta, se tornou possível.

Com projetos como esse, a SpaceX foi avaliada em $100 bilhões.

E sim, a empresa faz boa parte da sua receita em contratos com a própria NASA, claro, o que na prática, economiza recursos para a agência governamental, e financia pesquisa privada. Win-win.

A SpaceX foi criada por Musk em 2002, mas a história do próprio Musk começa alguns anos antes.

Em 1995 Elon chegou a Stanford com cerca de $28 mil emprestados de seu pai.

Por lá, fundou sua primeira empresa, a Zip2, que em cerca de 4 anos seria vendida para a Compaq por $307 milhões.

O resultado é que, aos 28 anos, Musk tinha cerca de $22 milhões.

Com este valor em mãos, investiu $10 milhões em um novo projeto, a X.com. Em resumo, a empresa se propunha a criar um banco online, permitindo transações pela recém-nascida internet.

A empresa enfrentava a concorrência da Confinity, outra empresa que se propunha a fazer a mesma disrupção no setor financeiro.

Alguns anos de batalha entre as duas, essencialmente queimando caixa ao distribuir $10 dólares a cada novo usuário, levaram os investidores a demandar um acordo, o que acabou levando a fusão e criação do PayPal.

Por lá, Elon não era exatamente bem visto. Acabou perdendo funções administrativas por desacordo com outros acionistas. Ainda assim, manteve suas ações, embolsando $165 milhões com a venda do PayPal, a primeira Fintech do mundo, para o Ebay.

Foi com estes recursos que Musk investiu para fundar a SpaceX, e posteriormente para se tornar sócio da Tesla, além de fundar a SolarCity, uma empresa focada em painéis solares.

Em princípio, podem parecer investimentos a frente do seu tempo, afinal, o próprio termo ESG, foi criado em 2005, mesmo ano em que Musk investiu na Tesla, mas na prática, todos eles se conectam sob uma ideia ampla, e maluca.

Alguns investimentos de Musk hoje são considerados surrealistas, ou mesmo pouco práticos.

Um caso óbvio é a ideia de resolver o tráfego das grandes cidades por meio de túneis.

Como qualquer urbanista irá lhe dizer, mais rodovias significam mais tráfego e não menos.

Ainda assim, mesmo sua empresa de túneis, a Boring Company, faz sentido se você pensar em Marte como o plano maior.

Túneis não são úteis para resolver os problemas na Terra, mas são essenciais em Marte. Da mesma forma, painéis solares são essenciais.

Em Marte é impossível criar uma sociedade que dependa de petróleo ou carvão. De fato, você ainda poderia produzir energia nuclear, afinal, existe urânio em Marte, e Musk, claro, é pró-energia nuclear (ainda que até o momento não tenha nenhuma empresa na área).

Mas de volta a timeline original, Musk investiu na Tesla em estágio ainda inicial, levando anos para sequer conseguir lançar um produto viável.

Em 2008, a empresa se encontrava à beira da falência, tendo sido resgatada por um investimento de $500 milhões da alemã Daimler-Chrysler.

Nos anos seguintes, a Tesla se beneficiaria de legislações favoráveis aos veículos elétricos.

Em certo momento, a empresa só conseguia de fato vender seus produtos por conta de subsídios federais.

Como não poderia deixar de ser, Musk foi um generoso doador da campanha de Barack Obama. Em 2012, Mitt Romney chamaria a própria Tesla de mais um exemplo de “parasita”.

Tomar risco sempre fez parte da trajetória de Musk, assim como se aproveitar de contratos e legislações favoráveis.

De fato, Musk já chegou a financiar um filme com temática libertária chamado “obrigado por fumar”, que expõe a indústria do Lobby. Foi em 2005, junto com Levchin e Peter Thiel, seus colegas no PayPal.

Mas nada disso o impediu de navegar muito bem entre governos.

Em meio a pandemia, Musk receberia certos privilégios do governo chinês para operar sua GigaFactory em Shanghai. E suas relações com o governo chinês, melhores do que nunca, começaram a chamar atenção do outro lado do mundo.

Outro fator crucial na sua carreira também ocorreu indiretamente graças ao governo.

Desde 2008 o banco central americano, o FED, tem inundado o mercado de recursos e reduzido os juros.

Com dinheiro quase de graça, ações de empresas de tecnologia dispararam. Por questões como essa, a Apple conseguiu crescer $700 milhões por dia em valor de mercado ao longo de 10 anos.

Os EUA possuem hoje 18 empresas de tecnologia avaliadas em mais de $100 bilhões, incluindo as duas maiores empresas de Musk (Tesla e SpaceX), e o PayPal, fundado por ele.

Mas a carreira, e a fortuna de Musk, foram repletas de saltos surrealistas.

Imagine por exemplo que até 2019 Elon possuía um patrimônio de $24 bilhões.

Ao final de 2020, veria seu patrimônio saltar para $167 bilhões, e como se fosse pouco, chegaria aos $330 bilhões em 2021.

Sua personalidade carismática, eventualmente meio mala e excessiva,  entraria pro centro das discussões quase tão rápido quanto a ascensão do seu patrimônio.

E os motivos derivam da própria noção sobre o que é o mercado de capitais.

Na bolsa de valores uma empresa vale o quanto ela pode entregar nos anos seguintes.

Se a empresa tem um crescimento previsível, como um banco tradicional ou uma indústria, seu valor de mercado será em torno de 10 vezes o seu lucro, o que significa dizer que os investidores esperam receber em 10 anos o valor que pagaram hoje.

E quanto mais rápido a empresa cresce, maior é o seu valor de mercado.

Em certo momento, a Tesla chegou a ser avaliada em $1 trilhão, mais de 700 vezes o seu lucro. Significa que no momento da compra, se a empresa tivesse o mesmo lucro anual para sempre, os investidores levariam 700 anos para receber o valor que pagaram pelas ações.

O crescimento da empresa, porém, tem sido acelerado.

Neste momento a Tesla é mais lucrativa do que a GM, mesmo entregando 5 vezes menos veículos. Gigantes como a Volkswagen se veem ameaçadas pela empresa.

Nada disso, porém , significa que o crescimento é certo.

Como a Netflix mostra, o crescimento passado não é garantia de crescimento futuro.

E o desafio da Tesla, e do próprio Musk, inclui sobreviver a concorrência de empresas capazes de investir dezenas de vezes mais.

Para isso, entretanto, não basta valores para investir. É preciso estar de olho no diferencial tecnológico.

E nesse aspecto a Tesla tem se destacado. A empresa já investe em reutilização de materiais de baterias (raros e custosos), e numa tecnologia de piloto automático muito a frente das concorrentes. 

Mesmo no quesito “ser elétrico”, a Tesla segue mais avançada em capacidade de autonomia das baterias.

Há quem diga inclusive que a Tesla não é uma empresa do setor automotivo,  mas sim uma empresa de energia.

E a tese não é de todo absurda. A empresa incorporou a SolarCity, de painéis solares, e possui uma divisão focada em baterias, algo extremamente útil, assim como os próprios carros elétricos, se você pretende colonizar Marte um dia.

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