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Como a Marvel foi da quase falência a maior franquia do cinema

Com altos e baixos, a Marvel conseguiu superar a falência em 1996 para se tornar a maior franquia do cinema.

Foi em 1939 que Martin Goodman decidiu expandir sua área de atuação em relação aos quadrinhos. Um ex-editor de revistas pulp, Goodman criou a Timely Comics, que 2 décadas depois, assumiria o nome de Marvel Comics.

O início da empresa possui poucas novidades em relação ao padrão da época, com destaque para a criação do primeiro herói patriota da história, o Capitão América em 1941, o auge da segunda guerra mundial.

A Timely se tornaria mais próxima do que conhecemos hoje apenas em 1961, quando Jack Kirby, Stan Lee (que havia começado na empresa como auxiliar administrativo em 1939), e Steve Ditko assumiram o comando.

Em meio a uma retomada de histórias fantásticas envolvendo super-heróis, incluindo a criação da liga da justiça pela rival DC Comics, Kirby e Stan Lee deram um rosto original a empresa, saindo de abstração de heróis clássicos, como a DC, para heróis cotidianos.

Como Sean Howe conta em “Marvel Comics – a história secreta”, a empresa cresceu ao se aproximar do público leitor com histórias sobre heróis com problemas reais, como o adolescente é fotógrafo freelancer que precisa pagar os boletos enquanto busca ser o “amigo da vizinhança”.

Outros grupos criados na época, como os X-Men, também se tornaram fortes campeões de vendas incluindo dramas cotidianos. Nomes como Tony Stark, o bilionário que vendia armas e criou uma armadura após ser capturado na guerra do vietnã, acabariam marcados por histórias humanas, como o alcoolismo retratado em sua mais conhecida história, “O Demônio na Garrafa”.

Para além dos personagens, as histórias passaram a agregar um roteiro mais amplo, com criação de um universo. 

Caso Tony Stark estivesse machucado ou fora do planeta Terra em uma edição, não apareceria em uma edição do Capitão América.

Este cenário, porém, acabou com problemas internos, pouco conhecidos do público em geral.

Neste mesmo período, enquanto a Marvel longe de qualquer sinal de falência crescia em tamanho, nomes como Kirby acabaram saindo da empresa, e vazando notícias nada positivas, como um modelo de remuneração por páginas e que não dava ao autor os créditos da sua arte.

Em 1971, em uma edição publicada pela DC Comics, Kirby retrata a Marvel como uma grande fazenda de escravos. Suas acusações públicas sobre Stan Lee também aumentaram no período.

A situação mudou radicalmente em 1989.

Neste período, a Marvel foi adquirida por Ron Perelman, um bilionário da indústria de cosméticos que pagou $89 milhões pela empresa.

O objetivo de Perelman, porém, passava longe dos quadrinhos. Seu foco era quase integralmente o de transformar a empresa em uma geradora de merchandising.

Foi nesta situação que a Marvel se tornou uma das maiores empresas de cartões colecionáveis.

Outras tentativas, como inundar o mercado com novas revistas, ou forçar um aumento de preços para atender o público de colecionadores também foram tomadas.

Como relata o escritor Neil Gaiman na época, a Marvel estava levando a indústria para um caminho inchado, com histórias mais pesadas e que afastaram o público jovem, dando ênfase demais em histórias sombrias (algo copiado também pela DC).

O período teve ainda uma certa ajuda da mídia em espalhar histórias de colecionadores que faturaram milhões com revistas de edições raras. 

Na soma dos fatores, a empresa se afastou dos produtos iniciais e focou em uma área distinta da sua, perdendo apelo com o público.

Quando uma greve na liga de Basebol irrompeu em 1994, a Marvel foi a reboque.

Suas dívidas somavam $600 milhões, e a receita sofreu um baque relevante.

Na prática, a Marvel declarou falência, criando um leilão de seus direitos autorais.

A Sony pagaria $10 milhões pelos direitos do Homem-Aranha, enquanto a Fox levaria os X-Men por $5 milhões.

Ambas criaram filmes relevantes em bilheteria, com $300 milhões de faturamento no primeiro X-Men e $850 milhões no Homem-Aranha de Tobey Maguire.

Este sinal guiaria a Marvel da quase falência nos anos seguintes, ainda que despida dos direitos de seus principais heróis, ou por sorte.

Tendo tirado Perelman do controle da empresa, os novos donos Avid Rad e Isaac Perelmuter, começaram a desenhar o que viria ser o MCU, o Universo Cinematográfico da Marvel.

Ambos manteriam também a trajetória da empresa em relação aos quadrinhos, conseguindo em 2006 emplacar a famosa saga “Guerra Civil”.

Em 2008, enfim, o filme Homem de Ferro inaugurou o MCU (ainda que Hulk tenha sido lançado no mesmo ano).

O MCU ficaria conhecido por manter a pegada original da Marvel de criar um universo coeso onde as histórias conversam (ainda que com desculpas esfarrapadas como a do péssimo Eternos, ou que você nunca saiba exatamente por onde anda a Capitã Marvel).

Tal característica chamou a atenção da Disney, a gigante do entretenimento que pagou $4 bilhões pela empresa.

Até o momento, o MCU já retornou $25 bilhões em bilheteria, além de outros $13 bilhões em produtos e publicidade. Quando o assunto é exclusivamente bilheteria, a Marvel dispara, com o segundo colocado (Star Wars), tendo faturado menos da metade, ou $10 bilhões.

O MCU consta atualmente como a 9ª maior franquia da história, contando filmes e produtos, perdendo para nomes como Mário ($47 bilhões), Star Wars ($69 bilhões), Hello Kitty ($88 bilhões) e Pokémon ($110 bilhões).

O valor supera franquias como Dragon Ball ($30 bilhões), Harry Potter ($32 bilhões), Batman ($29,9 bilhões) e o Senhor dos Anéis ($20 bilhões).

Com a nova fase, resta saber se agora a Marvel conseguirá administrar uma série de novos universos e se manter coesa e se afastar de qualquer novo sinal de falência.

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