Economia

Disney perde status de “cidade-autônoma” após apoiar projeto sobre abordagem LGBT na Flórida

Por 55 anos a empresa possuía o direito de gerir um distrito especial na Flórida, um benefício que agora chega ao fim em meio a disputas políticas.

Com cerca de 190 mil empregados ao redor do mundo, a Disney é por larga vantagem a maior empresa de entretenimento do planeta. Pequenos em números, mas relevantes no resultado, cerca de 38 destes funcionários são responsáveis por gerar ao menos 6% do lucro da empresa, os lobistas.

Sediados principalmente em Tallahassee, a capital do estado americano da Flórida, os lobistas da empresa têm se empenhado em garantir determinados privilégios à empresa, incluindo o que permite à empresa se “auto-governar” em uma área de 12 mil hectares de seus parques.

O benefício concedido em 1967, 4 anos da inauguração da própria Disney, dá à empresa a responsabilidade sobre os serviços de limpeza e conservação do distrito onde ficam seus parques, além de obrigações envolvendo energia, segurança e outros serviços públicos. Em troca, claro, a Disney paga menos impostos locais.

Tal benefício não é exatamente único nos EUA, com regiões como Las Vegas se situando também em áreas consideradas autônomas, onde legislações municipais e estaduais não se aplicam.

No caso da Disney, acostumada a “mandar” na Flórida, dados seus 50 milhões de visitantes que geram ao menos $5 bilhões em impostos, o benefício tributário tem efeito dúbio.

Como aponta a Forbes, por gerir o distrito de Reedy Creek, a Disney se torna responsável por investimentos em infraestrutura, além de custos de manutenção da ordem de $355 milhões anuais, valor similar ao que seria pago em impostos.

Ainda assim, a empresa não depende da legislação e burocracia estaduais para resolver questões como atendimento médico ou construir uma estrada.

Agora, graças a uma disputa política envolvendo a nova legislação da Flórida que veta ensino de “ideologias de gênero” nas escolas, a Disney se vê perto de perder o benefício.

O governador Republicano, cotado para concorrer à presidência americana em 2024, Ron DeSantis, revogou o status especial da empresa.

As declarações do CEO da Disney contrário a nova legislação, além de acusações de que a empresa estaria barrando doações de funcionários a campanhas republicanas, esquentou a discussão.

O impacto é ainda maior considerando que em 2020, pela primeira vez em 40 anos, a Disney viu seu resultado financeiro se tornar negativo, com um prejuízo de $2,6 bilhões pelo fechamento de parques em função da pandemia.

Por dia, os parques fechados custaram à empresa cerca de $27 milhões.

Por outro lado, a empresa deve se livrar de uma dívida de cerca de $1 bilhão associada ao distrito, e possivelmente ter uma redução de custos. O custo financeiro, portanto, não chega a ser alto, mas o poder menor na sua própria área, continua acarretando em custos indiretos, especialmente a burocracia.

Para o governador DeSantis, a questão mais relevante é “impedir que uma empresa progressista da Califórnia possa mandar na Flórida”.

Já a Bloomberg estima que o fim das obrigações pode ser positivo para a Disney em $163 milhões, que serão pagos pelos pagadores de impostos da Flórida, enquanto os benefícios tributários permanecem imutáveis.

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