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Criptomoedas

Bitcoin abaixo de US$ 80 mil: o que o Fed decide nesta semana

Bitcoin recua para US$ 79.800 enquanto mercado cripto antecipa reunião do Fed. Mais que a taxa em si, o tom do banco central pode definir o próximo movimento.

Bitcoin abaixo de US$ 80 mil: o que o Fed decide nesta semana
Foto: Rafael Minguet Delgado / Unsplash

O Bitcoin perdeu o patamar de US$ 80 mil na manhã desta segunda-feira, recuando cerca de 2% para a casa dos US$ 79.800. Não foi um movimento isolado. O mercado cripto inteiro entrou em modo de redução de risco antes da reunião do Federal Reserve, marcada para quarta-feira. E o que importa não é exatamente a decisão sobre a taxa de juros, mas o que o presidente do Fed vai sinalizar para os próximos meses.

A queda arrastou praticamente todos os grandes tokens. O Ethereum cedeu quase 3%, ficando pouco acima dos US$ 2.300. O XRP perdeu cerca de 3%, voltando a US$ 1,28. Solana recuou 2% e agora luta para se manter acima dos US$ 100. Dogecoin, ZEC, HYPE e BNB caíram entre 1% e 2%. A única exceção relevante foi o TRX, que subiu menos de 1%.

Por que a reunião do Fed importa tanto para cripto

A expectativa do mercado é que o Fed mantenha a taxa inalterada nesta quarta-feira. Se fosse só isso, o movimento de hoje seria exagerado. Mas o foco real está na coletiva de imprensa do presidente Kevin Warsh. Os investidores querem entender se há espaço para uma alta de juros em dezembro.

Jeff Mei, COO da exchange BTSE, resumiu o cenário: com preços recordes do petróleo, o conflito entre Estados Unidos e Irã se intensificando e a inflação persistente, o Fed pode adotar um tom mais agressivo. Juros mais altos significam crédito mais caro e menos liquidez disponível para ativos de risco, categoria em que criptomoedas se encaixam de forma inequívoca.

Esse mecanismo não é novo. Como já analisamos na cobertura de criptomoedas do portal, a correlação entre política monetária americana e preço do Bitcoin se intensificou desde 2022. Cada ciclo de aperto monetário drenou capital de ativos especulativos, e cada sinalização de pausa ou corte trouxe fluxo de volta.

O selloff de IA na Ásia pressiona o sentimento global

Além da expectativa com o Fed, outro vetor de pressão atingiu os mercados nesta segunda: a continuidade do selloff em ações ligadas a inteligência artificial na Ásia. O índice Kospi da Coreia do Sul, muito influenciado por fabricantes de chips como a Samsung Electronics, caiu 1% depois que estrategistas do Goldman Sachs cortaram em 25% a meta de 12 meses para o índice.

No Japão, as ações de semicondutores foram as maiores perdedoras no Nikkei. Na China, desenvolvedoras de modelos de IA também recuaram. Os futuros do Nasdaq 100 deslizaram 0,1%, com investidores se preparando para a temporada de resultados das grandes empresas de tecnologia americanas.

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O índice MSCI Asia Pacific recuou 0,1% e acumula quatro semanas consecutivas de perdas, a maior sequência negativa desde abril. Quando o apetite por risco seca em ações de tecnologia, o efeito cascata atinge cripto quase instantaneamente. Esse padrão é algo que acompanhamos com frequência na editoria de finanças.

Petróleo, geopolítica e um alívio parcial

O mercado de petróleo trouxe uma nota levemente positiva. O Brent recuou 2% de uma máxima de seis meses, voltando para a casa dos US$ 114 por barril, após o presidente Donald Trump afirmar que está “chegando a hora de decidir” entre fechar um acordo com o Irã ou retomar ataques. Os títulos do Tesouro americano subiram.

É um alívio marginal. Petróleo mais barato reduz parte da pressão inflacionária que poderia forçar o Fed a ser mais hawkish. Mas US$ 114 por barril ainda está longe de ser um preço confortável para quem espera juros mais baixos no curto prazo.

O nível técnico que os traders estão observando

Do ponto de vista técnico, o Bitcoin precisa recuperar a marca de US$ 82.500 para que os compradores possam interpretar a queda desta semana como uma simples pausa dentro de uma tendência de alta. Esse era o suporte que foi perdido na quinta-feira passada.

Abaixo de US$ 80 mil, o cenário muda. O próximo suporte relevante está na faixa de US$ 76 mil a US$ 77 mil, região que funcionou como resistência em ciclos anteriores. Se o Fed sinalizar que dezembro terá alta de juros, esse nível será testado rapidamente.

O cenário oposto também existe: se Warsh adotar um tom neutro ou até moderado na coletiva de quarta-feira, o mercado pode reagir com força. Historicamente, como mostramos em análises anteriores sobre ciclos de mercado, as maiores altas do Bitcoin acontecem justamente em janelas de alívio macroeconômico inesperado.

O que observar nos próximos dias

A semana é decisiva por três motivos. Primeiro, a decisão do Fed na quarta-feira e, mais importante, o tom da coletiva. Segundo, os resultados das grandes empresas de tecnologia americanas, que podem estabilizar ou agravar o selloff em ações de IA. Terceiro, os desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio, que afetam diretamente o preço do petróleo e, por consequência, as expectativas de inflação.

Para quem investe em cripto, o recado do mercado é claro: este não é um momento de direcionalidade. É um momento de espera. As posições estão sendo reduzidas não por pânico, mas por gestão de risco. A volatilidade real vem na quarta-feira, e tudo depende de poucas palavras do presidente do banco central mais poderoso do mundo.

O Bitcoin abaixo de US$ 80 mil não é, por si só, um sinal de fraqueza estrutural. Mas é um lembrete de que cripto não opera no vácuo. Enquanto a política monetária americana ditar o ritmo da liquidez global, cada reunião do Fed será um evento de preço para o mercado inteiro.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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