AMD lucra 123% mais com IA e mostra que data centers não desaceleram
Receita de data centers da AMD bateu recorde de US$ 8,5 bilhões no trimestre, alta de 97%. Resultado afasta temores de desaceleração do setor de IA.
Quem apostava numa desaceleração do apetite corporativo por infraestrutura de inteligência artificial precisou rever a tese. O balanço da AMD referente ao terceiro trimestre de 2026, divulgado nesta quarta-feira (4), trouxe números que reforçam a narrativa oposta: a corrida por chips de IA está se intensificando, não arrefecendo.
O lucro operacional da companhia saltou 123% na comparação anual, de US$ 1,27 bilhão para US$ 2,83 bilhões. A margem operacional foi de 14% para 21%. Na linha final, o lucro líquido atingiu US$ 2,43 bilhões, crescimento de 95% em relação ao mesmo período de 2025. O lucro por ação diluído praticamente dobrou: de US$ 0,75 para US$ 1,46.
As ações reagiram de imediato. No pré-mercado de Nova York, os papéis da AMD avançavam mais de 6% por volta das 8h20. O mercado leu o resultado como uma validação de que o ciclo de investimentos em IA ainda tem fôlego.
Data centers puxam o resultado da AMD no 3T26
O motor do balanço foi o segmento de data centers, que atingiu receita recorde de US$ 8,5 bilhões no trimestre. Isso representa crescimento de 97% contra o terceiro trimestre de 2025. Em termos proporcionais, a divisão já responde por quase dois terços do faturamento total da empresa, que somou US$ 13,38 bilhões no período, alta de 45% no ano.
O desempenho foi sustentado pela demanda pelos processadores EPYC, voltados para servidores, e pelas GPUs da linha Instinct, projetadas especificamente para cargas de trabalho de inteligência artificial. São esses chips que abastecem os data centers de hiperescaladores como Microsoft, Google e Meta, que seguem ampliando seus investimentos em infraestrutura de IA.
Lisa Su, presidente-executiva da AMD, afirmou que a procura por produtos voltados a IA se fortaleceu ao longo do trimestre. Mais do que isso: a expectativa da companhia é de aceleração adicional no quarto trimestre. Não é apenas manutenção do ritmo. É expansão.
Por que o mercado de chips de IA não mostra sinais de fadiga
Desde o início do ciclo de investimentos em IA generativa, em 2023, uma pergunta recorrente assombra investidores: quando a demanda vai desacelerar? Três anos depois, o balanço da AMD sugere que a resposta ainda é “não agora”.
A explicação passa por um fator estrutural. Empresas de tecnologia estão no meio de um ciclo plurianual de construção de infraestrutura. A adoção de modelos de IA em larga escala exige capacidade computacional que simplesmente não existia até pouco tempo. E cada nova geração de modelos demanda mais processamento, não menos.
A diretora financeira da AMD, Jean Hu, contextualizou o resultado nesse enquadramento. Segundo ela, o crescimento de 45% da receita e a expansão dos lucros demonstram a alavancagem operacional do modelo de negócios da empresa conforme a divisão de data centers ganha escala. Em linguagem menos corporativa: quanto mais a AMD vende chips para data centers, mais lucrativa ela fica.
Esse efeito de escala é relevante para entender a dinâmica competitiva do setor. A Nvidia segue como líder absoluta em GPUs para treinamento de modelos de IA, mas a AMD vem capturando fatias crescentes do mercado de inferência, a etapa em que os modelos já treinados são colocados para funcionar. É um mercado que cresce rápido e onde o custo-benefício dos chips AMD tem se mostrado competitivo.
Projeção para o 4T26 reforça otimismo
A AMD projetou receita de aproximadamente US$ 15,4 bilhões para o quarto trimestre de 2026. Se confirmado, será um novo recorde histórico para a fabricante de chips, superando em cerca de 15% o faturamento do trimestre encerrado em setembro.
A companhia também espera melhoria na rentabilidade, com margem bruta ajustada estimada em 57%. O número sinaliza que a AMD está conseguindo não apenas vender mais, mas vender melhor. Produtos de maior valor agregado, como as GPUs Instinct e os processadores EPYC de última geração, carregam margens superiores às de chips para PCs convencionais.
Para o investidor que acompanha o setor de tecnologia, o balanço da AMD oferece uma leitura importante. O ciclo de capex em IA dos grandes hiperescaladores não dá sinais de arrefecimento. E quando as duas maiores fabricantes de GPUs para data centers reportam trimestres recordes, a conclusão lógica é que o investimento corporativo em infraestrutura de IA segue como uma das tendências mais consistentes do mercado de tecnologia global.
O que isso significa para quem acompanha tecnologia e investimentos
Resultados como o da AMD ajudam a separar narrativa de realidade. Nos últimos meses, circularam análises sugerindo que o ciclo de investimentos em IA poderia estar próximo de um platô, com empresas reavaliando o retorno sobre os bilhões alocados em data centers. Os números do terceiro trimestre contam outra história.
A receita recorde de US$ 8,5 bilhões da divisão de data centers, combinada com a projeção de aceleração no quarto trimestre, indica que as grandes empresas de tecnologia continuam dispostas a gastar. E gastar muito. Isso sustenta toda a cadeia de semicondutores, de fabricantes de chips a fornecedores de equipamentos de refrigeração e energia.
O ponto de atenção permanece a concentração. Hoje, boa parte do crescimento da AMD depende de um punhado de clientes de hiperescala. Qualquer mudança na estratégia de capex dessas empresas teria impacto desproporcional. Mas, por enquanto, os sinais apontam na mesma direção: mais investimento, não menos.
A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 está reforçando uma tese que o mercado vem precificando há três anos. A inteligência artificial não é mais uma aposta de futuro. É uma linha de receita bilionária que cresce a taxas de dois dígitos, trimestre após trimestre.
Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.


