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Amazon triplica pedido de chips Nvidia e revela o dilema da IA

Amazon adicionou 2 milhões de GPUs Nvidia aos seus data centers, mesmo investindo em chips próprios. O movimento expõe a dependência do mercado de IA.

Amazon triplica pedido de chips Nvidia e revela o dilema da IA
Foto: Nana Dua / Unsplash

Cinco meses atrás, a Amazon fechou um acordo para instalar mais de 1 milhão de GPUs da Nvidia em sua infraestrutura de nuvem. Agora, esse número triplicou. As duas empresas anunciaram uma parceria expandida que prevê a adição de mais 2 milhões de chips aos data centers da Amazon Web Services entre 2027 e 2028.

O pedido inclui as gerações mais avançadas da Nvidia: Blackwell Ultra, Rubin e Rubin Ultra. São processadores projetados para o treinamento e a execução de modelos de inteligência artificial em larga escala. Embora nenhuma das empresas tenha revelado valores, estimativas baseadas no custo unitário das GPUs colocam o negócio na casa das dezenas de bilhões de dólares.

O que torna esse movimento particularmente revelador não é apenas o tamanho. É o contexto em que ele acontece.

Amazon investe em chips próprios, mas não consegue largar a Nvidia

A Amazon não é uma compradora passiva no mercado de semicondutores. A empresa desenvolve seus próprios chips de IA, os Trainium, que competem diretamente com as GPUs da Nvidia para cargas de trabalho de deep learning. O braço de infraestrutura da companhia também produz o Graviton, um processador baseado em arquitetura ARM que desafia chips tradicionais de servidores da Intel e AMD.

A divisão de chips customizados da Amazon atingiu um ritmo anualizado de receita de 25 bilhões de dólares, impulsionada por 225 bilhões de dólares em compromissos totais de laboratórios como Anthropic e OpenAI. É um negócio relevante por qualquer métrica.

Mesmo assim, a empresa decidiu triplicar seu pedido de GPUs Nvidia. Isso diz muito sobre o estágio atual do mercado de IA. A demanda por capacidade de processamento está crescendo mais rápido do que qualquer fabricante individual consegue suprir. Como analisamos em nossa cobertura de tecnologia, a corrida por infraestrutura de IA se tornou o maior vetor de investimento do setor.

A parceria vai além de GPUs: robótica e modelos abertos entram no pacote

O acordo entre Amazon e Nvidia não se limita à compra de processadores gráficos. A Nvidia informou que toda a sua stack tecnológica será integrada à AWS, incluindo hardware de rede que conecta milhares de GPUs em um único sistema, CPUs, software de processamento de dados e plataformas de robótica.

Na frente de robótica, a Amazon planeja adotar o que a Nvidia chama de “stack completo de IA física” para alimentar sua frota de robôs de armazém. Isso inclui o Omniverse, plataforma de simulação e gêmeos digitais; o Cosmos, para modelagem de mundo; o Isaac, para desenvolvimento robótico; e o Jetson, hardware de computação para robôs e IA de borda.

No lado corporativo, a AWS passará a oferecer a família de modelos abertos Nemotron da Nvidia no Amazon Bedrock e no SageMaker, seus serviços gerenciados de modelos de fundação. É uma integração profunda que transforma o que antes era uma relação de compra e venda em uma aliança estratégica de longo prazo, semelhante ao impacto que a IA já exerce sobre o setor financeiro.

Nvidia registra receita trimestral de 96,2 bilhões de dólares

O anúncio da parceria expandida coincidiu com a divulgação dos resultados trimestrais da Nvidia. A companhia reportou receita de 96,2 bilhões de dólares no segundo trimestre fiscal, acima das estimativas de analistas. A divisão de data centers respondeu pela maior parte: 89 bilhões de dólares, uma alta de 117% na comparação anual.

Para o terceiro trimestre, a Nvidia projeta receita de 108 bilhões de dólares, parcialmente impulsionada pelas primeiras entregas comerciais da geração Rubin. A empresa também comprometeu 279 bilhões de dólares para garantir capacidade de produção e suprimentos para projetos atuais e futuros de data centers, um salto expressivo em relação aos 119 bilhões do trimestre anterior.

Jensen Huang, CEO da Nvidia, resumiu a tese durante a teleconferência com investidores: a IA chegou ao estágio de gerar “tokens lucrativos”, e mais capacidade de processamento se traduz diretamente em mais receita para os operadores. “Se tivéssemos mais computação, poderíamos gerar mais tokens lucrativos, o que resulta em mais lucro para todos os serviços”, afirmou.

O que isso significa para o mercado de tecnologia

A decisão da Amazon de triplicar sua aposta em chips Nvidia, mesmo enquanto desenvolve alternativas internas, evidencia uma dinâmica importante. No curto e médio prazo, a Nvidia não tem concorrente real em escala para treinamento de modelos de IA de fronteira. Chips proprietários como o Trainium podem atender cargas específicas, mas não substituem a plataforma completa que a Nvidia oferece.

Para investidores e profissionais do setor, o dado mais relevante talvez seja o compromisso de 279 bilhões de dólares em capacidade futura. Esse número reflete a convicção da indústria de que a demanda por computação de IA continuará acelerando nos próximos anos. Como discutimos na análise sobre o valor de mercado da Nvidia, a empresa se consolidou como peça central da infraestrutura global de inteligência artificial.

A grande questão que permanece é se toda essa capacidade computacional adicional vai, de fato, se converter em retornos proporcionais para quem está financiando a expansão. Centenas de bilhões de dólares estão sendo despejados em infraestrutura de IA por hyperscalers, startups e governos. A aposta é que computação abundante gera receita abundante. Se essa equação se provar correta, a Nvidia continuará no centro do ecossistema. Se não, o mercado terá construído a maior bolha de infraestrutura desde a era das telecomunicações nos anos 2000.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Lucas Ferreira
Fica na fronteira onde a inteligência artificial encontra o dinheiro. Cobre big techs, os modelos que saem dos laboratórios e a disputa por chips por trás de tudo. Mostra por que cada movimento do setor mexe com o mercado.
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