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Alertas sobre IA derrubam bolsas na Ásia e SoftBank cai 11%

Avisos de Sam Altman, Elon Musk e CEO da Anthropic sobre riscos da IA pressionaram ações de tecnologia na Ásia. SoftBank despencou após IPO da OpenAI ser descartado.

Alertas sobre IA derrubam bolsas na Ásia e SoftBank cai 11%
Foto: Burak The Weekender / Unsplash

As bolsas asiáticas encerraram a segunda-feira (14) majoritariamente em queda, com o setor de tecnologia no centro da pressão vendedora. O gatilho foi uma sequência de alertas de executivos de peso do Vale do Silício sobre os riscos do avanço acelerado da inteligência artificial, que mudou o humor dos investidores em relação às teses mais otimistas do setor.

O Nikkei, principal índice de Tóquio, recuou 0,8%, aos 63.492 pontos. Na Coreia do Sul, o estrago foi maior: o Kospi caiu 3,3%, devolvendo integralmente o ganho acumulado na semana anterior. A SK Hynix, fabricante de chips de memória usados em servidores de IA, perdeu 6,4%, enquanto a Samsung Electronics recuou 4%.

Por que a SoftBank desabou 11% em um único pregão

O caso mais emblemático do dia foi o da SoftBank, que viu suas ações caírem 11% em Tóquio. O conglomerado japonês é um dos maiores investidores da OpenAI, a criadora do ChatGPT, e vinha surfando a narrativa de que a empresa faria seu IPO ainda em 2026.

Esse cenário foi desmontado pelo próprio Sam Altman, CEO da OpenAI, que anunciou não ter planos de abrir o capital da companhia neste ano. Para a SoftBank, que historicamente depende de eventos de liquidez como IPOs para realizar ganhos em seu portfólio de investidas, a notícia representou uma reprecificação imediata.

O Vision Fund, braço de investimentos da SoftBank, já enfrentou ciclos de euforia e correção antes. Em 2021, a aposta em empresas como WeWork e Didi resultou em bilhões em perdas. Agora, com a concentração de capital em IA generativa, o mercado voltou a questionar se a tese justifica os valuations atuais, especialmente sem um horizonte claro de IPO para a principal investida.

Executivos do Vale do Silício acendem o sinal amarelo para a IA

O que chamou atenção não foi apenas o adiamento do IPO da OpenAI, mas o tom mais cauteloso dos próprios protagonistas da corrida pela inteligência artificial. Dario Amodei, CEO da Anthropic e uma das vozes mais respeitadas no debate sobre segurança de IA, fez alertas sobre os riscos associados à expansão acelerada da infraestrutura do setor.

O mais relevante é que tanto Altman quanto Elon Musk, dono da xAI, endossaram publicamente essas preocupações. Quando os três principais nomes da indústria convergem em um discurso de cautela, o mercado interpreta como sinal de que a velocidade de expansão da infraestrutura de IA pode estar descolada da capacidade real de monetização.

Esse tipo de recalibragem tem impacto direto na cadeia de fornecedores. Fabricantes de chips como SK Hynix e Samsung, que vinham sendo precificadas com prêmio pela demanda esperada de data centers, sofreram correções significativas. O movimento sugere que o mercado começa a diferenciar entre empresas que lucram com IA hoje e aquelas que apenas se beneficiam da narrativa.

Decisão do Banco do Japão adiciona camada de incerteza

Além do fator tecnologia, os mercados asiáticos operam com a expectativa da decisão de política monetária do Banco do Japão (BoJ). Segundo análise do Deutsche Bank, o mercado de futuros precifica uma probabilidade de 98% de alta de 25 pontos-base na taxa de juros japonesa.

A expectativa de aperto monetário no Japão tem implicações que vão além de Tóquio. O diferencial de juros entre Japão e Estados Unidos influencia diretamente o fluxo global de capitais, especialmente nas chamadas operações de carry trade, em que investidores tomam empréstimos em iene para investir em ativos de maior rendimento.

Se o BoJ confirmar a alta, o iene tende a se fortalecer, o que pressiona exportadoras japonesas e pode provocar desmontagem parcial dessas posições globais. No ciclo anterior de aperto, em julho de 2024, o movimento gerou volatilidade significativa em mercados emergentes e até em criptomoedas.

China estável, Hong Kong em alta e o contraste regional

Enquanto Japão e Coreia do Sul sofreram, os mercados chineses mostraram resiliência relativa. O Xangai Composto fechou praticamente estável, com variação de apenas -0,07%, e o índice de Hong Kong subiu 0,5%. O Hang Seng tem se beneficiado de fluxo estrangeiro voltando à China continental, em parte motivado por valuations descontados após anos de underperformance.

Na Oceania, a bolsa australiana avançou 0,10%, sustentada pelo setor de commodities. A alta do petróleo no mercado internacional adicionou uma camada mista ao cenário: positiva para exportadores de energia, mas negativa como fator inflacionário que pode influenciar as decisões do Federal Reserve, cuja reunião também está no radar dos investidores nesta semana.

O que isso significa para quem investe

A sessão desta segunda-feira ilustra uma mudança de tom importante no mercado de tecnologia global. Não se trata de negar o potencial da IA, mas de reconhecer que a narrativa de crescimento ilimitado começa a encontrar resistência, inclusive entre seus maiores entusiastas.

Para investidores brasileiros com exposição a ações de tecnologia e fundos globais, o recado é de seletividade. A diferença entre empresas que já monetizam IA e aquelas que dependem de eventos futuros como IPOs e novas rodadas de captação deve ficar cada vez mais evidente nos próximos trimestres.

A combinação de alertas sobre IA, aperto monetário no Japão e expectativa com o Fed cria um ambiente de cautela que tende a favorecer ativos de qualidade e penalizar posições especulativas. O segundo semestre promete ser de separação entre teses sólidas e narrativas infladas.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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