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Nvidia pode oscilar US$ 280 bi após balanço: o que está em jogo

Operadores de opções precificam variação de 5,4% nas ações da Nvidia após resultados. O número é menor que a média histórica e revela um mercado menos surpreso com a gigante de IA.

Nvidia pode oscilar US$ 280 bi após balanço: o que está em jogo
Foto: Stas Knop / Unsplash

O mercado de opções está precificando uma oscilação de aproximadamente US$ 280 bilhões no valor de mercado da Nvidia após a divulgação dos resultados do segundo trimestre. É um número que, sozinho, supera o valor de mercado de cerca de 90% das empresas do S&P 500. Mas, paradoxalmente, sinaliza algo que poucos esperavam: a Nvidia está se tornando previsível.

A variação implícita nas opções é de 5,4% em qualquer direção para o pregão seguinte ao balanço. Esse percentual está abaixo dos 6,5% que os operadores esperavam antes dos resultados de maio e, mais importante, abaixo da média histórica de 7,4% registrada nos últimos 12 trimestres, segundo dados da Option Research & Technology Services.

Por que a volatilidade esperada da Nvidia está caindo

Nos primeiros trimestres do ciclo de inteligência artificial generativa, a Nvidia protagonizou surpresas consecutivas. Resultados muito acima das expectativas geravam oscilações de 10%, 15% e até 20% nas ações. Essa fase, aparentemente, ficou para trás.

Matt Amberson, fundador da ORATS, classificou o cenário atual como “certa complacência” em relação à companhia. Chris Murphy, codiretor de estratégia de derivativos da Susquehanna, reforça essa leitura: nos últimos dois anos, as oscilações reais após os balanços frequentemente ficaram aquém do que o mercado de opções havia precificado. O mercado aprendeu a calibrar melhor as expectativas.

Isso não significa que a Nvidia perdeu relevância. Significa que os investidores já incorporaram boa parte da tese de crescimento ao preço. As ações acumulam alta de 11,7% no ano, praticamente em linha com o S&P 500, que sobe 11,8%. Enquanto isso, o Philadelphia SE Semiconductor avançou expressivos 61%, mostrando que o setor de semicondutores como um todo segue aquecido.

O contexto macro que pressiona Wall Street

A retração de sete pregões consecutivos nas ações da Nvidia antes do balanço não acontece no vácuo. O cenário macroeconômico americano atravessa um momento de tensão significativa.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro de 30 anos atingiram, na semana anterior ao balanço, o maior patamar em 19 anos. A causa é uma combinação de fatores: aumento nos preços de energia, crescimento do endividamento público e incerteza fiscal. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, chegou a sinalizar que poderia usar a Conta Geral do governo, que acumula quase US$ 1 trilhão, para financiar recompras de títulos em vez de aumentar a emissão de dívida.

Essa manobra trouxe algum alívio temporário, com a taxa de 30 anos recuando ligeiramente. Ainda assim, o yield permanece acima de 5%, um nível que historicamente compete com ativos de risco e pressiona valuations de empresas de tecnologia de alto crescimento.

O que os investidores estão monitorando no balanço

Quatro pontos concentram a atenção do mercado nos resultados da Nvidia:

  • Projeções de receita: mais do que o número do trimestre passado, o guidance para os próximos trimestres define a narrativa. Qualquer sinal de desaceleração na demanda pode catalisar uma correção mais ampla no setor.
  • Demanda por chips de IA: a continuidade ou não dos investimentos massivos dos grandes provedores de nuvem é o termômetro central. A Nvidia firmou recentemente parcerias com seis grandes instituições financeiras para montar plataformas de financiamento com mais de US$ 500 bilhões voltadas para infraestrutura de IA.
  • Margem de lucro: margens brutas acima de 70% foram a norma recente. Qualquer compressão significativa sinalizaria aumento de concorrência ou custos.
  • Retorno sobre investimento em IA: como principal fornecedora de chips para o setor, a Nvidia tem visibilidade privilegiada sobre a trajetória de gastos das big techs. Se as empresas começarem a questionar o ROI dos investimentos em IA, o fluxo de pedidos pode desacelerar.

Will Sterling, diretor de investimentos da TritonPoint Wealth, resume a questão central: o retorno sobre o investimento em IA por parte das grandes empresas de tecnologia é o que determinará se os gastos continuarão crescendo. Se a resposta for positiva, o benefício se espalha por todo o ecossistema de risco.

O que a previsibilidade da Nvidia significa para o investidor

A redução da volatilidade implícita nas opções da Nvidia conta uma história mais ampla sobre a maturação do ciclo de IA. Nos estágios iniciais de qualquer revolução tecnológica, a incerteza é máxima. Conforme o mercado acumula dados trimestrais, a curva de previsibilidade se ajusta.

Isso tem implicações práticas. Para quem opera opções, prêmios menores significam estratégias de volatilidade menos atrativas. Para investidores de longo prazo, a previsibilidade é positiva: indica que a tese de investimento está se consolidando e que o mercado não depende mais de “surpresas” para sustentar o preço.

Por outro lado, a convergência do desempenho da Nvidia com o S&P 500 em 2025 sugere que o alfa gerado pela tese de IA está diminuindo no nível da ação individual. O desafio para a Nvidia, daqui em diante, é provar que o crescimento de receita justifica um valuation que ainda embute expectativas elevadas.

O balanço desta quarta-feira não é apenas sobre a Nvidia. É um teste de realidade para toda a narrativa de inteligência artificial que sustenta boa parte da alta do mercado americano. Com US$ 280 bilhões em jogo numa única sessão, mesmo um resultado “previsível” carrega peso sistêmico.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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