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Paradigm levanta US$ 1,2 bi e mira IA e robótica além de cripto

Gestora cripto Paradigm levantou US$ 1,2 bi em seu terceiro fundo de venture capital e agora aposta em IA, robótica e drones ao lado de blockchain.

Paradigm levanta US$ 1,2 bi e mira IA e robótica além de cripto
Foto: Tima Miroshnichenko / Unsplash

Quando uma das gestoras mais emblemáticas do universo cripto decide que blockchain sozinho não basta, o sinal é difícil de ignorar. A Paradigm, fundada em 2018 por Matt Huang, ex-sócio da Sequoia, e Fred Ehrsam, cofundador da Coinbase, acaba de fechar a captação de US$ 1,2 bilhão para seu terceiro fundo de venture capital. O dinheiro não vai apenas para projetos de criptomoedas. Desta vez, inteligência artificial e robótica dividem o palco.

O valor ficou um pouco abaixo da meta inicial de US$ 1,5 bilhão, segundo documentos registrados na SEC, o regulador de valores mobiliários dos Estados Unidos. Ainda assim, o montante posiciona a Paradigm entre as maiores captações de VC voltadas a tecnologias de fronteira neste ciclo.

Por que a Paradigm está olhando além de cripto

A decisão de ampliar o escopo de investimentos reflete uma leitura pragmática do mercado. Enquanto o setor cripto enfrentou anos de turbulência regulatória e ciclos de baixa prolongados, a inteligência artificial viveu uma explosão de capital e atenção desde o fim de 2022. Alana Palmedo, sócia-gestora da Paradigm, resumiu a lógica em entrevista: “Tem muita coisa acontecendo agora que é difícil de ignorar.”

Isso não significa abandonar as raízes. Huang e Palmedo afirmaram que a firma vai “continuar investindo em cripto e na reinvenção dos mercados e do sistema financeiro.” A Paradigm também mantém projetos internos relevantes para o ecossistema blockchain, como o Foundry e o Reth, ferramentas de desenvolvimento, além do Centaur, voltado para agentes autônomos, e do EVMbench, um trabalho de segurança feito em colaboração com a OpenAI.

O movimento, porém, sinaliza uma tendência mais ampla que já discutimos ao analisar o cenário de investimentos em tecnologia: gestoras especializadas estão diversificando teses para capturar a convergência entre blockchain, IA e infraestrutura física.

Drones e espaço: as apostas já feitas pelo novo fundo

O Fund III da Paradigm não é apenas uma tese no papel. Antes mesmo do fechamento oficial da captação, a gestora já alocou capital em pelo menos dois negócios fora do universo cripto. Um deles é a Zipline, empresa de entrega por drones que opera em diversos países e já movimenta milhões de pacotes. O outro é a True Anomaly, startup do setor espacial.

Essas escolhas revelam o que Huang chama de “fronteira técnica”: empresas que operam na interseção entre software avançado e hardware complexo. É uma aposta de que os próximos grandes retornos de venture capital virão de negócios que resolvem problemas físicos com camadas de inteligência artificial, não apenas de plataformas digitais puras.

Para quem acompanha o mercado de venture capital, a expansão da Paradigm ecoa movimentos semelhantes de outras firmas cripto-nativas. A Andreessen Horowitz, por exemplo, também criou divisões específicas para IA nos últimos anos, embora mantenha fundos dedicados a cripto. O padrão é claro: o capital institucional está tratando IA e cripto como apostas complementares, não concorrentes.

O que isso diz sobre o ciclo de venture capital em cripto

O fato de a Paradigm ter captado US$ 1,2 bilhão, e não os US$ 1,5 bilhão almejados, também conta uma história. O mercado de limited partners, os investidores que colocam dinheiro nos fundos de VC, ainda demonstra cautela com teses puramente cripto. A captação abaixo da meta sugere que parte do apetite por risco migrou para verticais como IA generativa, que hoje concentra os maiores cheques do Vale do Silício.

Para colocar em perspectiva: o segundo fundo da Paradigm, levantado em 2022, captou US$ 2,5 bilhões em um momento de euforia cripto. A queda de mais de 50% no tamanho do novo fundo reflete tanto o amadurecimento da tese quanto o ajuste de expectativas do mercado.

Ainda assim, US$ 1,2 bilhão é uma cifra significativa. Como já abordamos na nossa cobertura sobre criptomoedas, o capital de venture voltado a cripto tem se concentrado em menos gestoras, mas com cheques maiores por projeto. Isso favorece fundos com histórico como o da Paradigm, que investiu cedo em protocolos como Uniswap, Lido e Blur.

Convergência entre IA e blockchain é a nova tese dominante

A menção ao EVMbench, projeto de segurança da Paradigm em parceria com a OpenAI, ilustra um ponto que vem ganhando força: a fronteira entre inteligência artificial e blockchain está ficando cada vez mais porosa. Agentes autônomos de IA que executam transações on-chain, modelos de linguagem que auditam smart contracts, infraestrutura descentralizada para treinamento de modelos. Tudo isso já existe em estágio inicial.

Para investidores e empreendedores, a mensagem da Paradigm é dupla. Primeiro, o capital inteligente está se posicionando na interseção dessas tecnologias, não em silos isolados. Segundo, a era do fundo de VC “só cripto” pode estar chegando ao fim, pelo menos para as grandes gestoras. Como exploramos em análises sobre o mercado financeiro, a diversificação de tese é uma resposta natural à maturação de qualquer classe de ativos.

O que importa para quem acompanha esses mercados: os próximos 18 a 24 meses vão mostrar se a Paradigm consegue replicar em IA e robótica o mesmo faro que teve ao apostar cedo em DeFi. Historicamente, gestoras que expandem escopo durante janelas de transição tecnológica tendem a capturar os melhores retornos, desde que mantenham disciplina de tese. A Sequoia fez isso ao migrar de hardware para internet nos anos 1990. A questão é se a Paradigm tem a mesma capacidade de leitura de ciclo fora do seu terreno original.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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