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SpaceX na Nasdaq: por que 4 bancos recomendam compra da SPCX

Citi, Morgan Stanley, BofA e BTG iniciaram cobertura da SpaceX com recomendação de compra. Os preços-alvo variam de US$ 200 a US$ 300, mas a ação caiu 6,8% no dia em que entrou no Nasdaq 100.

SpaceX na Nasdaq: por que 4 bancos recomendam compra da SPCX
Foto: john mckenna / Unsplash

A SpaceX mal começou a ser negociada em bolsa e já acumula quatro recomendações de compra de grandes bancos globais. Citi, Morgan Stanley, Bank of America e BTG Pactual iniciaram cobertura da SPCX com visões otimistas sobre o futuro da companhia de Elon Musk. O consenso é que a empresa transcendeu o negócio de lançamentos e se posiciona como infraestrutura central da chamada economia espacial.

Mas o mercado, por enquanto, não comprou o entusiasmo. No dia em que a ação passou a integrar o índice Nasdaq 100, os papéis caíram 6,8% e fecharam a US$ 149,47, abaixo do preço de US$ 150 com que a SpaceX estreou na bolsa em 12 de junho, após sua oferta pública inicial.

Quatro bancos, quatro preços-alvo distintos para a SpaceX

Cada instituição enxerga a tese por um ângulo diferente, o que se reflete nos preços-alvo. O Citi estabeleceu US$ 200 para o fim de 2026, mas tratou esse valor como um ponto intermediário. Para os analistas do banco, o patamar pode chegar a US$ 900 ou mais caso a Starship demonstre conquistas de engenharia em escala. Na leitura do Citi, a SpaceX está no início de um ciclo de dois a três anos repleto de catalisadores.

O Morgan Stanley foi o mais agressivo: fixou preço-alvo de US$ 300 no cenário-base. A faixa, porém, é intencionalmente ampla. No cenário pessimista, o papel pode recuar a US$ 75. No otimista, pode alcançar US$ 600. Adam Jonas, estrategista de inteligência artificial e robótica do banco, argumentou que a SPCX combina um perfil quase monopolista em lançamentos, a maior rede de satélites em órbita baixa do mundo e um negócio de infraestrutura de IA em rápida ascensão.

O Bank of America projetou US$ 235, destacando que a empresa evoluiu de operadora de lançamentos para o “pilar fundamental que viabiliza a economia espacial”. Já o BTG Pactual chegou a US$ 225 em 12 meses. Como analisamos em nossa cobertura de finanças, movimentos coordenados de grandes bancos costumam definir o tom institucional para um ativo recém-listado.

O que sustenta a tese: Starship, Starlink e computação orbital

O coração da tese de investimento não está nos foguetes que já voam. Está nos que ainda não voaram em escala comercial. A Starship, veículo de próxima geração da SpaceX, promete reduzir drasticamente o custo por quilograma colocado em órbita. Esse é o indicador que destrava mercados inteiramente novos.

Jonas, do Morgan Stanley, modelou a receita da SpaceX subindo de US$ 45 bilhões em 2026 para US$ 319 bilhões em 2030 e US$ 3,3 trilhões em 2040. São números ambiciosos que dependem de quatro métricas-chave: receita por watt, custo por watt, custo por quilograma para órbita e número de assinantes conectados do Starlink.

A Starlink, rede de internet via satélite, já é o maior negócio de receita recorrente da companhia. Mas o que chama atenção dos analistas é a convergência entre conectividade global, capacidade computacional e ativos orbitais numa única plataforma. A SpaceX é, possivelmente, a única empresa capaz de operar essa infraestrutura integrada. Como discutimos em nossa análise sobre o impacto da IA em infraestrutura, a corrida por computação descentralizada está ganhando novos fronts, e o espaço é um deles.

Por que a ação caiu no dia da entrada no Nasdaq 100

A queda de 6,8% no dia da inclusão no índice pode parecer contraditória, mas segue um padrão conhecido. Ações que entram em índices importantes frequentemente sofrem com o efeito “compre o rumor, venda o fato”. Fundos passivos que replicam o Nasdaq 100 já haviam antecipado parte da compra nas semanas anteriores. Quando a inclusão se concretizou, o fluxo comprador diminuiu e a pressão vendedora prevaleceu.

Outro fator é o valuation. Com ação a US$ 149, a SpaceX negocia a múltiplos que exigem execução impecável nos próximos anos. Para quem acompanha o mercado de tecnologia, como cobrimos regularmente no portal, a distância entre promessa e entrega costuma ser o principal risco em teses de crescimento exponencial.

O que o investidor brasileiro precisa considerar

Para investidores brasileiros, a SpaceX está acessível via corretoras com acesso à Nasdaq. A questão central não é se a empresa tem potencial. A faixa entre US$ 75 e US$ 600 do Morgan Stanley, por si só, revela a incerteza. A questão é qual cenário o preço atual já embute.

Com a ação abaixo do preço do IPO, o mercado sinaliza que o otimismo dos analistas ainda não é consenso entre os investidores que efetivamente colocam dinheiro. A divergência entre o tom institucional dos bancos e o comportamento do papel no pregão é, talvez, o dado mais relevante dessa história.

O ciclo de catalisadores que o Citi mencionou, incluindo testes da Starship e expansão da Starlink, será o termômetro real. Se a engenharia entregar o que os modelos financeiros projetam, os preços-alvo atuais podem parecer conservadores. Se houver atrasos ou falhas, o cenário pessimista do Morgan Stanley a US$ 75 entra no radar.

A economia espacial está deixando de ser ficção científica para virar classe de ativo. A SpaceX é a aposta mais direta nessa transição. Mas, como toda tese de fronteira, o risco é proporcional à ambição.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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