Bitcoin vale a pena em 2025? O que os dados on-chain e macroeconômicos dizem para quem quer investir
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Vale a pena ter Bitcoin em 2025? O que dizem os dados

Com Bitcoin acima de US$ 100 mil, investidores questionam se ainda vale entrar. Analisamos dados on-chain, ciclos e cenário macro.

Vale a pena ter Bitcoin em 2025? O que dizem os dados
Foto: Leeloo The First / Unsplash

É a pergunta que mais aparece em buscadores quando o bitcoin entra em ciclo de alta: vale a pena investir agora? Com o ativo negociado consistentemente acima de US$ 100 mil e o mercado cripto em euforia moderada, a dúvida faz sentido. Quem entra neste patamar de preço pode estar comprando o topo ou surfando o início de algo maior.

A resposta honesta é que depende do horizonte de tempo, da tolerância a risco e, principalmente, do que os dados dizem sobre o momento atual do ciclo. Vamos aos números.

Onde estamos no ciclo do bitcoin

O bitcoin opera em ciclos de aproximadamente quatro anos, marcados pelo halving, evento que reduz pela metade a emissão de novas moedas. O último halving aconteceu em abril de 2024. Historicamente, os 12 a 18 meses seguintes ao halving são os mais fortes em valorização.

Nos três ciclos anteriores, o padrão foi semelhante. Após o halving de 2012, o bitcoin subiu mais de 8.000% até o pico. Após 2016, a alta foi de cerca de 2.900%. Após 2020, o ganho até o topo foi de aproximadamente 700%. Há uma clara desaceleração nos retornos percentuais a cada ciclo, o que é natural para um ativo que cresce em capitalização.

Se o padrão se mantiver, o pico deste ciclo pode ocorrer entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026. Isso não significa que o preço vai subir em linha reta. Correções de 20% a 30% são comuns mesmo em bull markets.

O que os dados on-chain revelam

Indicadores on-chain ajudam a medir o sentimento real do mercado, separando ruído de sinal. Alguns dos mais relevantes neste momento:

  • MVRV Z-Score: mede se o bitcoin está sobrevalorizado ou subvalorizado em relação ao seu custo médio de aquisição. Atualmente, o indicador está em zona de aquecimento, mas ainda abaixo dos picos de euforia observados em topos anteriores.
  • NUPL (Net Unrealized Profit/Loss): mostra quanto do mercado está em lucro não realizado. O indicador está na faixa de “crença/otimismo”, abaixo da zona de “ganância extrema” que marcou topos em 2017 e 2021.
  • Endereços de acumulação: carteiras que só recebem bitcoin e nunca vendem continuam em máxima histórica, segundo dados da Glassnode. Isso indica que holders de longo prazo não estão saindo.

O conjunto de dados on-chain sugere que o mercado está aquecido, mas não esgotado. Não é o momento mais barato para comprar, mas também não é o patamar que historicamente marca o fim de ciclos de alta.

O cenário macroeconômico pesa a favor

O bitcoin não existe num vácuo. O ambiente macroeconômico importa, e neste momento, ele é favorável por alguns motivos. O Federal Reserve mantém juros elevados, mas o mercado precifica cortes para o segundo semestre. Juros em queda historicamente favorecem ativos de risco, incluindo cripto.

Além disso, os ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos acumulam mais de US$ 60 bilhões em entradas líquidas desde o lançamento em janeiro de 2024. Esse fluxo institucional cria uma demanda estrutural que não existia em ciclos anteriores. Não é mais apenas varejo comprando na Binance. São fundos de pensão, gestoras e family offices alocando via BlackRock e Fidelity.

No Brasil, o cenário de juros altos torna a renda fixa mais atrativa no curto prazo. Mas para investidores com horizonte de dois a cinco anos, a diversificação com uma pequena parcela em bitcoin pode fazer sentido dentro de um portfólio equilibrado. Como analisamos recentemente, a política de juros do Banco Central tem impacto direto na disposição do investidor brasileiro para ativos de risco.

Os riscos que você precisa considerar

Bitcoin não é aposta segura. Alguns riscos concretos para quem investe agora:

Volatilidade extrema é o mais óbvio. Mesmo em bull markets, quedas de 30% acontecem em questão de dias. Quem não suporta ver o patrimônio cair pela metade no curto prazo não deveria estar neste mercado.

Risco regulatório persiste. Nos Estados Unidos, o Congresso debate projetos de lei sobre tributação de cripto, combate à lavagem de dinheiro e supervisão de exchanges. Qualquer mudança abrupta pode impactar o preço.

Há também o risco de concentração. Empresas como a Strategy (ex-MicroStrategy) acumulam centenas de milhares de bitcoins. Se uma dessas posições for liquidada por pressão financeira, o impacto no mercado seria significativo. Como destaca a Blockworks, o “playbook da Strategy” em 2025 já funciona de forma diferente dos ciclos anteriores, com estruturas de dívida mais complexas.

Então, vale a pena?

Para quem nunca teve exposição a bitcoin e tem perfil de risco compatível, os dados sugerem que o momento ainda não é de esgotamento do ciclo. Não é o melhor ponto de entrada, que seria durante o bear market de 2022-2023, mas também não é o pior.

A recomendação mais sensata de analistas independentes é o chamado DCA (dollar cost averaging): compras regulares de valores fixos, independentemente do preço. Essa estratégia dilui o risco de entrar num topo pontual e funciona especialmente bem em ativos com alta volatilidade como criptomoedas.

O ponto fundamental é que bitcoin não é mais um experimento. É um ativo de US$ 2 trilhões em capitalização, com demanda institucional crescente, infraestrutura regulatória avançando e papel cada vez mais claro como reserva de valor digital. A pergunta não é se bitcoin vai continuar existindo. É qual o tamanho da posição que faz sentido para o seu perfil.

E essa resposta, nenhum artigo pode dar por você.

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Renato Moura

Sobre o autor

Renato Moura

Jornalista especializado em finanças, tecnologia e criptoativos. Cobre mercados financeiros, inovação e os impactos da economia digital no Brasil e no mundo.

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