Tecnologia

Reid Hoffman deixa Microsoft para liderar startup Manus

Cofundador do LinkedIn abandona posição no board da Microsoft após 8 anos para assumir comando da Manus, startup de agentes de IA que já levantou US$ 75 milhões.

Reid Hoffman deixa Microsoft para liderar startup Manus
Foto: Andrew Neel / Unsplash

Reid Hoffman construiu uma carreira inteira apostando cedo em plataformas que redefinem mercados. Cofundou o LinkedIn, investiu no Facebook antes de qualquer IPO e sentou no conselho da Microsoft por oito anos, onde ajudou a costurar o acordo bilionário com a OpenAI. Agora, aos 57 anos, decidiu que sua próxima jogada exige dedicação integral.

O investidor anunciou sua saída do board da Microsoft para assumir o que chamou de “founder mode” na Manus, uma startup de agentes autônomos de inteligência artificial. A empresa, que já levantou US$ 75 milhões em rodada seed liderada pela Benchmark, desenvolve sistemas de IA capazes de executar tarefas complexas com mínima supervisão humana.

Por que Hoffman trocou um assento na Microsoft por uma startup

A decisão não é trivial. A Microsoft é a segunda empresa mais valiosa do mundo, com capitalização de mercado acima de US$ 3 trilhões. Hoffman ocupava uma posição privilegiada no centro das decisões de IA da big tech, incluindo a parceria estratégica com a OpenAI que moldou o Copilot e a integração de modelos generativos em toda a suíte de produtos da empresa.

Mas Hoffman enxerga uma janela que se fecha rápido. A tese dele é que agentes de IA, sistemas que vão além de responder perguntas para efetivamente executar ações no mundo real, representam a próxima camada de valor na revolução da inteligência artificial. E que essa camada será dominada por startups ágeis, não por incumbentes com milhares de produtos legados para proteger.

“O momento dos agentes é agora”, disse Hoffman em entrevista recente. A frase ecoa o que analistas do setor de tecnologia vêm apontando: a transição de chatbots para agentes autônomos pode ser a inflexão mais importante da IA desde o lançamento do ChatGPT em novembro de 2022.

O que a Manus faz e por que isso importa

A Manus se posiciona no segmento de “agentic AI”, um termo que descreve sistemas capazes de planejar, tomar decisões e executar sequências de ações sem intervenção humana constante. Diferente de um chatbot que responde a um prompt, um agente de IA pode, por exemplo, pesquisar fornecedores, comparar preços, negociar condições e fechar uma compra corporativa de forma autônoma.

O mercado de agentes de IA deve movimentar US$ 47 bilhões até 2030, segundo projeções da Markets and Markets. Hoje, empresas como Cognition (criadora do Devin, o “engenheiro de software autônomo”), Adept e a própria OpenAI competem nesse espaço. A entrada de Hoffman com capital, rede de contatos e credibilidade no Vale do Silício eleva a Manus a outro patamar de visibilidade.

Para o ecossistema de tecnologia brasileiro, a movimentação sinaliza onde o dinheiro inteligente está indo. Startups de IA no Brasil que trabalham com automação de processos, como a nova geração de fintechs e regtechs, podem se beneficiar dessa onda de capital direcionada a agentes autônomos.

O que muda na Microsoft sem Hoffman

A saída de Hoffman do conselho da Microsoft não deve alterar a estratégia de IA da empresa no curto prazo. Satya Nadella consolidou a aposta em inteligência artificial como pilar central do negócio, e a relação com a OpenAI continua firme, apesar de tensões pontuais sobre governança.

Ainda assim, Hoffman era uma ponte importante entre o mundo de venture capital e a cultura corporativa da Microsoft. Sua ausência pode reduzir a influência de vozes mais voltadas à inovação disruptiva dentro do board. O conselho agora conta com nomes como Satya Nadella, John Thompson e Emma Walmsley, perfis mais orientados a operação e governança corporativa do que a apostas de risco.

O mercado reagiu com indiferença ao anúncio. As ações da Microsoft praticamente não se moveram, o que sugere que investidores já precificavam uma eventual saída de Hoffman, que vinha reduzindo sua presença em compromissos da empresa nos últimos trimestres.

O padrão dos bilionários da tech voltando ao jogo

Hoffman não está sozinho. Existe um padrão claro de veteranos do Vale do Silício abandonando posições confortáveis para voltar a fundar empresas. Jack Dorsey saiu do conselho do Twitter (agora X) para se dedicar ao Block. Eric Schmidt deixou a Alphabet e investiu pesadamente em IA de defesa. Marc Andreessen, da a16z, tem redirecionado capital de fundos tradicionais para startups de IA e cripto.

A lógica por trás é simples: a IA generativa e os agentes autônomos estão criando uma janela de oportunidade comparável ao início da internet. Quem chegar primeiro com o produto certo pode construir a próxima empresa de trilhão de dólares. Ficar sentado no conselho de uma big tech, por mais prestigioso que seja, não oferece a mesma assimetria de retorno.

Para quem acompanha o mercado de tecnologia e investimentos, a mensagem de Hoffman é clara: o ciclo de IA ainda está no começo, e os próximos dois a três anos vão definir os vencedores. A pergunta que fica é se a Manus conseguirá competir com rivais muito bem capitalizados, ou se o nome de Hoffman será suficiente para atrair o talento e o capital necessários para vencer a corrida dos agentes.

Compartilhar
Lucas Ferreira

Sobre o autor

Lucas Ferreira

Jornalista especializado em tecnologia e inteligencia artificial. Cobre big techs, startups, IA generativa, ciberseguranca e transformacao digital para o portal BlockTrends.

Continue scrollando para a próxima matéria…